MATO GROSSO
Depoimentos de Clayson, amigos e garotas de programa rebatem denúncia de agressão e reforçam tese de automutilação
MATO GROSSO
Depoimentos coletados pela Polícia Civil no âmbito da investigação instaurada para apurar as denúncias de agressão feitas por Danielle Sarti de Freitas, 22 anos, contra o jogador de futebol Clayson, 26, que atuou nesta temporada pelo Cuiabá por empréstimo, convergem ao rebater a versão apresentada pela denunciante. Clayson, que é defendido pelo advogado Douglas Camargo de Anunciação, apresentou versão segundo a qual Danielle teria provocado desentendimentos no quarto de motel em diferentes momentos. Primeiro, ao tentar comprar drogas, o que teria sido rechaçado pelos presentes, e depois por divergir do valor e da forma de pagamento pelo programa.
À polícia, Clayson reforçou que o atleta Rafael Gava não estava presente na noite dos fatos investigados. Na primeira denúncia por agressão feita por Sarti, ela havia citado Gava como envolvido. A reportagem apurou que a defesa do jogador inclusive quer que ele seja ouvido no inquérito. A própria denunciante no entanto já voltou atrás sobre a primeira versão e reconheceu que Rafael não teve envolvimento no episódio.
A cronologia da confusão
De acordo com os depoimentos aos quais Olhar Direto teve acesso, os três homens informam que estavam na boate Crystal e contrataram três garotas de programa. De lá partiram para um motel instalado na saída para Chapada dos Guimarães. Clayson informa em seu depoimento que ainda na boate ele já teria deixado combinado com Danielle que faria o pagamento no motel, pois ela já havia manifestado interesse em receber adiantado.
Paulo relata que ao chegar no motel, Danielle já teria começado a cobrar pelo programa e ele teria respondido com as seguintes palavras: “calma, vamos tomar uma cerveja, vamos curtir primeiro. Depois nós te pagamos. Aqui não tem moleque não”. Diante da insistência de Danielle, Clayson teria dito que pagaria o dobro do valor para ela ir embora, pois estava perturbando. Essa fala de Clayson teria colocado fim às cobranças dela naquele momento.
Todos os depoimentos apontam que Danielle teria mandado áudio pelo whatsapp para alguém pedindo droga. Clayson teria a repreendido, dizendo que ninguém ali consumiria entorpecentes. Irritada, Danielle teria mandado outro áudio para o traficante desfazendo a compra e ofendendo o trio. Em uma das versões, chamou os clientes de otários e em outra de babacas.
Começo da briga
Apesar dos desentendimentos, o programa foi concluído, o que trouxe novamente à tona o tema pagamento e deflagrou a confusão. Daniel – segundo depoimento próprio e também na versão de Cleyson – teria perguntado se ela teria o PIX em nome de algum homem para ele fazer a transferência. Danielle então disse que queria receber antecipado porque já imaginava que esse tipo de situação pudesse acontecer. Os envolvidos relatam que teriam pedido calma e feito o pagamento de R$ 500 em dinheiro. Ela, então, teria cobrado mais R$ 100 e recebeu duas notas de R$ 50. Ainda insatisfeita, teria resmungado ao guardar as cédulas na bolsa e Paulo Henrique teria dito para ela parar de reclamar. Danielle teria pensado que Daniel é que a teria falado e ela então teria jogado um boné que pegou no olho dele. Ele então se levantou e começou a discussão.
Todos afirmam que Danielle, em meio à discussão, partiu para cima de Daniel para agredi-lo. Eles tentaram segurá-la e ela teria mordido Clayson. Paulo relata que neste momento também levou socos e arranhões. Daniel conseguiu sair do quarto e então Danielle teria começado a quebrar garrafas na suíte. Clayson, que havia ficado no quarto, deixou o local e disse que até então ela não apresentava nenhum corte pelo corpo. Paulo Henrique também teria saído do quarto e os três foram pagar o motel. Enquanto aguardavam a conta, Clayson percebeu que estava sem o aparelho celular. Ele teria avistado as três garotas já do lado de fora e foi procurar o aparelho dentro da suíte com uma delas.
Clayson diz que estava preocupado com o celular e não reparou em possíveis cortes no corpo de Danielle. Já Paulo relata que neste momento uma das garotas de programa teria dito “vão embora, a menina está se cortando toda lá dentro do quarto e falando que foram vocês. Vão embora logo”. Clayson não encontrou o celular e Danielle acabou indo embora com um motorista de aplicativo. Logo chegou ao local Airton Werlang, 57 anos, gerente da Boate Crystal. Ele foi chamado pela própria Daniele, mas não chegou a tempo de se encontrar com ela. O gerente se comprometeu a ver se o celular estava com Danielle e depois ligou avisando que encontrou o aparelho. A devolução foi feita pelo gerente em uma rua próxima da boate, para evitar que eles se encontrassem e se iniciasse nova confusão.
Werlang narra que chegou ao motel por volta de 05h25 e se deparou com os três clientes e as duas outras moças já do lado de fora. Os três estavam dentro do carro e elas ao lado do veículo. Os cinco com expressão assustada. Ele diz que não conversou com os rapazes, mas perguntou para as moças e as duas falaram que Danielle havia se cortado com a garrafa e que nenhum dos rapazes a agrediu.
O gerente entrou no motel e foi informado que Danielle já tinha ido embora. Ele pegou o celular e viu que ela tinha mandado mensagem dizendo que estava indo embora. O Airton voltou para o alojamento, que fica próximo à boate, e logo em seguida Danielle chegou. O gerente percebeu que ela estava com um corte acima do peito e um pequeno corte nos ombros e insistiu para levá-la ao hospital, porém ela se recusou e o empurrou e ficou sentada numa escada falando no celular com alguém de Goiania. O declarante então foi dormir.
O gerente da boate voltou a acordar com o movimento do Samu e polícia em frente ao alojamento e ficou sabendo que Danielle havia tentado suicídio. Ele acredita que ela própria ligou pedindo socorro. As outras garotas de programa disseram a Airton, ainda segundo depoimento dele, que Danielle teria tido essa reação pelo fato de ela ter comentado que queria droga, mas todos se recusaram a pedir ou ir atrás. O gerente entregou à polícia um pen drive com imagens do local que vão de 01h às 04h.
Pronunciamentos oficiais
Clayson se posicionou sobre o caso por meio de nota oficial na sexta-feira (17) e disse que a jovem responderá pelas acusações contra ele. “Após minuciosa investigação realizada pela Delegacia de Polícia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, sendo ouvidas cinco testemunhas presentes no ocorrido, incluindo outras mulheres, foi completamente afastada qualquer participação do atleta em episódios de agressão ou ofensa”, diz trecho da nota.
A Polícia Judiciária Civil (PJC), por meio da Delegacia de Defesa da Mulher em Cuiabá, também publicou nota afirmando que os fatos ainda estão em apuração e que detalhes sobre o caso não serão passados à imprensa. “O procedimento é sigiloso e assim que concluído será encaminhado à Justiça. Qualquer nota divulgada por meio das partes envolvidas no inquérito policial é de inteira responsabilidade de quem fez a manifestação”, diz trecho da nota.
Em recente entrevista ao Olhar Direto, Danielle contou que está fazendo acompanhamento psicológico e deve agora passar uma temporada com o pai e a madrasta em um estado da região Nordeste do país.
A recomendação de passar o período acompanhada é médica e decorre da tentativa de suicídio. Segundo orientação que recebeu em Cuiabá enquanto estava internada, a estudante não pode voltar a morar sozinha em Goiânia, estado onde cursava Biomedicina.
“Estou bem e lúcida, sem álcool”, contou Danielle à reportagem. “Minha mãe mora na Europa tem outra família, eu vim somente com meu pai que é empresário no nordeste”, comentou.
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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.