MATO GROSSO
Tempestade deixa 23 mil pessoas sem energia na região metropolitana de Cuiabá
MATO GROSSO
Cerca de 23 mil clientes da Energisa ficaram sem energia em Cuiabá e Várzea Grande por conta da chuva da noite de sábado (15). Segundo informações da concessionária de energia, a situação mais grave foi registrada no bairro Poção, na capital, e cerca de 90% das pessoas afetadas já tiveram sua rede restabelecida.
Em decorrência dos temporais, a Energisa informou que está em estado de contingência na região metropolitana e norte de Mato Grosso. A contingência é acionada quando há necessidade de um reforço de equipes por causa do aumento atípico de ocorrências.
“Nossas equipes estão reforçadas e a maioria dos clientes já foi religada, cerca de 90%. E temos então esse percentual menor de problemas mais críticos que estamos atuando na força-tarefa para resolver. Além disso, estamos fazendo manobras na rede para reparos e isso pode provocar ainda oscilações”, explicou Vinícius Marques, coordenador de operações da Energisa da região metropolitana.
No interior de Mato Grosso, houve registros de rajadas de ventos e raios, que resultaram na queda de árvores sobre a rede. Entre os municípios mais afetados, estão Marcelândia, Sinop, Lucas do Rio Verde, Colíder, Nova Canaã e Nova Mutum.
“Foram árvores de mais de 20 metros em algumas localidades, ou seja, que estavam fora da área de segurança. O problema é que o vento foi tão forte, que essa vegetação foi empurrada sobre a rede,” relatou o coordenador de operações da regional de Sinop, Herson Cruz.
A Energisa esclarece também que está em estado de atenção na região do Araguaia por causa de cheias de rios e atoleiros em estradas, o que tem aumentado o tempo de atuação das equipes em zonas rurais. “Em algumas regiões estamos chegando apenas de barco. Então pedimos a compreensão da população porque estamos focados em resolver todos os problemas ocasionados pelo clima”, complementou Herson.
FONTE/ REPOST: JOSÉ LUCAS SALVANI – OLHAR DIRETO
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.