POLITÍCA NACIONAL
Governo prevê concessão ampliada da BR-040 no início de 2023
POLITÍCA NACIONAL
O governo federal prevê novo leilão de concessão da BR-040, entre Rio de Janeiro e Belo Horizonte, no primeiro semestre do próximo ano. O projeto inclui novos trechos e a conclusão de obras na subida da Serra de Petrópolis, que hoje é um dos trechos mais perigosos da rodovia.
Os detalhes foram apresentados nesta terça-feira (3) durante audiência da comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha a reconstrução de Petrópolis após as enchentes que deixaram 234 mortos entre fevereiro e março deste ano.

Representante do Ministério de Infraestrutura, o coordenador do Departamento de Transportes Rodoviários, Anderson Santos Bellas, explicou que a concessão também vai incluir trecho da BR-495, conhecida como “Estrada das Hortênsias”, entre Teresópolis e Itaipava, distrito de Petrópolis. Além disso, a atual concessão da BR-040 entre Rio de Janeiro e Juiz de Fora será estendida até a capital mineira.
“É uma extensão total de 472 quilômetros. Está sendo previsto um investimento próximo de R$ 7,15 bilhões, que seriam os investimentos adicionais da rodovia, e de R$ 5,39 bilhões em operação, que seriam os gastos necessários para manter o funcionamento no prazo de concessão”, disse. “A gente vai entrar agora em fase de audiência pública, em que as comunidades locais vão poder contribuir com o projeto. Logo, logo estará no TCU, e a gente espera que o leilão ocorra no primeiro trimestre de 2023”, acrescentou.
Petrópolis
Anderson Bellas destacou que haverá atenção especial à subida da Serra de Petrópolis, um trecho com elevado número de acidentes na BR-040 devido à pista estreita, sem acostamento e com curvas muito acentuadas.
“A União tem uma dívida com essa região em relação à obra da subida da serra, uma obra que está paralisada e impacta demais na região de Petrópolis”, declarou. “No contrato, está prevista a execução de três faixas de rolamento por sentido e acostamento com três metros. Ao todo, serão executados serviços de terraplenagem, obras de contenção e adequação de curvas horizontais, além da conclusão de três novos túneis”, explicou.
Desde 1995, esse trecho da BR-040 está concedido à Companhia de Concessão Rodoviária Juiz de Fora-Rio de Janeiro (Concer). O contrato venceu no ano passado, mas a empresa permanece no controle da rodovia por decisão judicial. Bellas elogiou as ações da Concer durante a tragédia de Petrópolis, como isenção de pedágio, abertura de pontos de coleta de doações e disponibilização de guinchos para a desobstrução de ruas.
O debate na Câmara foi solicitado pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) para avaliar as ações do governo na reconstrução da “cidade imperial”. Ainda na reunião de hoje, representante da Defesa Civil do Rio de Janeiro afirmou que o acionamento de sirenes para informar a população sobre o risco de deslizamentos evitou que ocorresse uma tragédia ainda maior na Região Serrana neste ano.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Marcelo Oliveira
GERAL
Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.
O que é essa tarifa e como funciona?
A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.
Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.
Exemplo simples:
Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:
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Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.
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Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.
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Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.
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Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.
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Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.
Como isso afeta o Brasil?
A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:
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Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
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Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.
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Perda de mercado para concorrentes de outros países.
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Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).
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Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.
Quais produtos serão mais afetados?
A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:
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Carnes bovina, suína e de frango
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Café
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Suco de laranja
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Soja e derivados
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Minério de ferro e aço
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Aeronaves e peças da Embraer
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Cosméticos e produtos farmacêuticos
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Celulose, madeira e papel
Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.
E o consumidor brasileiro, será afetado?
Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.
O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).
A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.
O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.
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