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POLITÍCA NACIONAL

Em discursos no Plenário, deputados cobram mais segurança na Amazônia

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POLITÍCA NACIONAL

Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados
Discussão e votação de propostas.
Sessão deliberativa do Plenário da Câmara

Durante a sessão do Plenário nesta segunda-feira, deputados de estados da Amazônia se manifestaram sobre o desaparecimento do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira. Os parlamentares cobraram ações do governo federal para combater a violência na região e também fizeram críticas sobre a resposta do governo ao caso. Deputados da oposição chegaram a culpar a gestão atual por ter retirado recursos da Funai e de outros órgãos de fiscalização.

A deputada Vivi Reis (Psol-PA) propôs a criação de uma comissão externa da Câmara dos Deputados para acompanhar as investigações. “Eu tenho conversado com a esposa do Bruno e ela precisa de respostas concretas e verdadeiras sobre o que aconteceu”, afirmou. Vivi Reis anunciou que os servidores da Funai estarão em estado de greve nesta terça-feira (14) porque querem que o presidente da fundação se retrate sobre o pronunciamento a respeito do caso. “A Amazônia não pode ser uma terra sem lei, onde as pessoas simplesmente desaparecem”, indignou-se.

A deputado Joenia Wapichana (Rede-RR) também criticou a instituição. “É preciso que a Funai reveja o seu discurso, porque o Bruno Pereira estava cumprindo um trabalho que deveria ser feito pela Funai também”, declarou. Ela lembrou que Dom Phillips e Bruno Pereira foram ameaçados de morte porque investigavam denúncias de invasões e exploração ilegal dos recursos naturais na terra indígena do Vale do Javari. “A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), pela ausência de uma política indigenista que respeite o que a Constituição determina, foi quem contratou o indigenista Bruno, que era um servidor licenciado da Funai”, explicou.

Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados
Discussão e votação de propostas. Dep. Vivi Reis PSOL - PA
Vivi Reis: “A Amazônia não pode ser uma terra sem lei, onde as pessoas simplesmente desaparecem”

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Narcotráfico
O deputado Marcelo Ramos (PSD-AM) alertou para a ação de narcotraficantes e do crime organizado na região de Atalaia do Norte e da tríplice fronteira com Colômbia e Peru. Ele acusou o governo federal de estimular ações violentas de grileiros e garimpeiros. “Que este episódio sirva para que o Brasil enxergue os indígenas, ribeirinhos e populações tradicionais completamente desamparadas da presença do Estado.”

O deputado Sidney Leite (PSD-AM) também cobrou do Ministério da Justiça maior controle sobre as fronteiras da Amazônia. “A rota Solimões-Rio Negro é uma das maiores do narcotráfico brasileiro, e 75% da violência no Brasil é oriunda do narcotráfico. É hora de o Brasil olhar efetivamente para a Amazônia, não só com o discurso fácil de que precisamos proteger a floresta, mas também com tecnologia, com infraestrutura, comunicação e a possibilidade de melhoria de vida da população.”

Desencontro
O deputado Camilo Capiberibe (PSB-AP) reclamou da forma como o governo federal tem lidado com a crise e da informação, depois desmentida, de que os corpos dos desaparecidos haviam sido encontrados. “A maneira como isso está sendo conduzido é tão cruel quanto o que foi feito. O embaixador falou uma coisa, a polícia falou outra. Essa confusão é metodologia de um governo que não quer ver terra indígena demarcada, que não quer ver participação da sociedade civil, que demitiu o indigenista”, afirmou. “Queremos investigação e punição dos envolvidos.”

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O deputado Leo de Brito (PT-AC) lembrou que o assassinato de Chico Mendes, em seu estado, fez o mundo começar a olhar para Amazônia. Ele acusou o governo de abandonar a região. “Existe uma verdadeira política de desmonte. As fronteiras brasileiras estão entregues à própria sorte. Os órgãos ambientais e de fiscalização estão sendo sucateados”, lamentou.

Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados
Discussão e votação de propostas. Dep. Joenia Wapichana REDE - RR
Joenia Wapichana: Bruno Pereira estava cumprindo um trabalho que deveria ser feito pela Funai

Segurança
O deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) reconheceu as dificuldades das forças de segurança para patrulhar a região da fronteira da Amazônia, especialmente por causa da extensão da área. “Se colocar todos os exércitos da América Latina, ainda não tem condições de atender aquela fronteira. Isso tem que ser levado em consideração. Não basta querer culpar o governo. Nasci na floresta, próximo de onde isso aconteceu. Ali é o mundo. Tenho certeza de que as forças de segurança fazem o que podem”, defendeu.

Apesar de elogiar a presença das Forças Armadas na região, o deputado Silas Câmara (Republicanos-AM) pediu uma atuação mais efetiva da Polícia Federal. “Conheço o sofrimento e a logística da região, sei que tudo é muito complexo. Parece um drama dizer isto, mas a forma como os dois se locomoveram naquela região foi, no mínimo, imprudente. Porém, deve-se adotar, de fato, uma estratégia na região para a segurança das pessoas que lá se locomovem”, cobrou.

Reportagem – Francisco Brandão
Edição – Geórgia Moraes

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GERAL

Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.

A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.

O que é essa tarifa e como funciona?

A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.

Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.

Exemplo simples: 

Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:

  • Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.

  • Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.

  • Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.

  • Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.

  • Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.

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Como isso afeta o Brasil?

A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:

  • Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

  • Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.

  • Perda de mercado para concorrentes de outros países.

  • Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).

  • Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.

 

Quais produtos serão mais afetados?

A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:

  • Carnes bovina, suína e de frango

  • Café

  • Suco de laranja

  • Soja e derivados

  • Minério de ferro e aço

  • Aeronaves e peças da Embraer

  • Cosméticos e produtos farmacêuticos

  • Celulose, madeira e papel

Brasil pode retaliar?

O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.

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E o consumidor brasileiro, será afetado?

Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.

O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).

A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.

O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.

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