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Conselho de Ética abre processo por quebra de decoro contra Glauber Braga

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Elaine Menke/Câmara do Deputados
Apreciação de Parecer Preliminar. Dep. Paulo Azi UNIÃO - BA
Paulo Azi quer rejeitar representações motivadas por polarização política

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados abriu processo nesta terça-feira (14) contra o deputado Glauber Braga (Psol-RJ). A Representação 24/22, encaminhada pelo PL, considerou o comportamento do deputado, durante sessão de votações no dia 31 de maio, “desrespeitoso e agressivo” contra o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

O deputado Ivan Valente (Psol-SP) e o próprio Glauber Braga afirmaram estranhar a rapidez incomum da tramitação do processo, que, aprovado em 1º de junho pela Mesa Diretora, foi logo encaminhado ao Conselho de Ética.

Ivan Valente afirmou que o partido protocolou representação contra o presidente Arthur Lira, mas que a tramitação não teve igual rapidez. O presidente do Conselho de Ética, Paulo Azi (União-BA), informou, entretanto, que recebeu nesta terça a Representação 25/22, contra Arthur Lira, que seguirá a mesma tramitação dos demais processos. O Psol acusa o presidente da Câmara de extrapolar, na mesma sessão de 31 de maio, as prerrogativas do cargo ao ameaçar acionar a Polícia Legislativa com o objetivo de retirar o deputado Glauber Braga do Plenário.

Glauber Braga afirmou que apresentará sua defesa e continuará lutando por uma Petrobras pública. “Está acontecendo um grande absurdo: o senhor Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, anunciou em uma reunião com líderes partidários que colocaria em votação no Plenário da Câmara um projeto de entrega do controle acionário da Petrobras por maioria simples, e eu fiz uma fala no Plenário da Câmara perguntando se ele não tinha vergonha de fazê-lo. Isso foi suficiente para que ele se articulasse com o partido do presidente da República, o PL, e desse entrada em uma representação pedindo a cassação da minha atividade como deputado federal”, relatou.

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Durante a reunião, já foi definida a lista tríplice de deputados que poderão relatar o processo contra Glauber Braga. Todos eles são do Republicanos: Márcio Marinho (Republicanos-BA), Marcelo Nilo (Republicanos-BA) e Gilberto Abramo (Republicanos-MG).  Um deles será escolhido e anunciado relator pelo presidente do Conselho de Ética na próxima reunião do colegiado.

Polarização
Paulo Azi também anunciou a decisão de não acatar mais representações que chamou de “descabidas”, pois expressam questões banais da polarização política. “Estamos vivendo um momento de polarização política no País e este conselho não pode ser palco dessa polarização. Este conselho tem como missão zelar pela boa conduta e pela imagem deste Parlamento”, disse.

Ele informou que pode rejeitar, por exemplo, a Representação 23/22, que acusa a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) de crime de ameaça, previsto no Código Penal. O deputado Marcelo Nilo (Republicanos-BA) contestou a decisão e prometeu recorrer à Presidência da Câmara. Nilo afirmou que o argumento de Paulo Azi é justo, mas que o regimento do órgão, de 2001, prevê que compete ao presidente do conselho acolher e instaurar o processo.

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Arquivamento
Ainda na reunião, o colegiado decidiu pelo arquivamento de processos contra os deputados Carlos Jordy (PL-RJ) (Representação 11/22) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) (Representação 10/22), seguindo a recomendação dos relatores.

O presidente do conselho nomeou ainda os deputados Igor Timo (Pode-MG), Gilberto Abramo e Hiran Gonçalves (PP-RR) como relatores em representações contra os deputados Eduardo Bolsonaro (Representação 8/22 e 20/22) e Bia Kicis (PL-DF) (Representação 17/22).

Reportagem – Eduardo Tramarim
Edição – Geórgia Moraes

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GERAL

Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.

A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.

O que é essa tarifa e como funciona?

A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.

Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.

Exemplo simples: 

Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:

  • Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.

  • Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.

  • Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.

  • Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.

  • Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.

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Como isso afeta o Brasil?

A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:

  • Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

  • Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.

  • Perda de mercado para concorrentes de outros países.

  • Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).

  • Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.

 

Quais produtos serão mais afetados?

A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:

  • Carnes bovina, suína e de frango

  • Café

  • Suco de laranja

  • Soja e derivados

  • Minério de ferro e aço

  • Aeronaves e peças da Embraer

  • Cosméticos e produtos farmacêuticos

  • Celulose, madeira e papel

Brasil pode retaliar?

O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.

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E o consumidor brasileiro, será afetado?

Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.

O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).

A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.

O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.

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