MATO GROSSO
Avaliação diagnóstica feita pela FGV irá subsidiar ações da Secretaria de Educação
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A Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) apresentou, nesta quarta-feira, em Cuiabá, o resultado da Avaliação Diagnóstica da Educação Básica realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os dados irão subsidiar as decisões pedagógicas a serem adotadas em ações que trabalham o reforço escolar e a recomposição da aprendizagem.
Segundo a FGV, os resultados das avaliações educacionais diagnósticas de 2022 indicam a manutenção das proficiências e percentuais por nível de desempenho obtidos nas avaliações nacionais de 2019 para os anos iniciais do ensino fundamental, mas com queda do rendimento escolar nos anos finais do ensino fundamental e, mais acentuadamente, no ensino médio, onde observou-se que 75% dos alunos avaliados em Matemática encontram-se no nível de desempenho abaixo do básico.
A análise do resultado objetiva esclarecer o desempenho do rendimento escolar dos alunos nas respectivas competências e habilidades avaliadas segundo as Matrizes de Referência da Avaliação. Também, visa fornecer instrumentos para o desenvolvimento de atividades didáticas que promovam a melhoria da aprendizagem, uma vez que os resultados fornecidos serão utilizados na elaboração de um plano de estudo personalizado para cada escola, cada turma e cada grupo de aluno.
“Para cada situação é preciso uma estratégia e uma intervenção diferente no fortalecimento da aprendizagem. A Avaliação Diagnóstica mostra a realidade e indica as tomadas de decisões nesse sentido”, analisa o ex-ministro da Educação e diretor do Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas, José Henrique Paim Fernandes.
A análise faz parte do programa Avalia MT, política de educação implementada pela Seduc-MT com foco em melhorar a aprendizagem dos estudantes. Desde o início da gestão, em 2019, já foram implementadas 120 ações e 30 políticas públicas de impacto voltadas à Educação.
Em busca de inovação e evolução na educação pública, em 2022 a Seduc-MT contratou o consórcio formado pela FGV e Dian & Silva e está implementando o Sistema Estruturado de Ensino. A proposta abarca a gestão para a aprendizagem, formação, avaliação e plataforma digital que atende mais de 350 mil estudantes em 700 escolas da rede estadual.
O processo teve início com a avaliação educacional diagnóstica e formativa, realizada no período de 28 de abril a 12 de maio, para todos os alunos do 2º ano do ensino fundamental a 3ª série do ensino médio das escolas públicas estaduais, nos eixos de conhecimento de Linguagens (em 2022 avaliando leitura e escrita em Língua Portuguesa) e Matemática. Nessa fase, o plano amostral envolveu 47.263 alunos de 80 escolas localizadas nas 15 Diretorias Regionais de Educação (DREs).
Segundo o secretário de Estado de Educação, Alan Porto, o processo da FGV é inovador e utiliza testes padronizados na escala da Prova Brasil, fornecendo dados e análise de resultados com metodologia técnica-científica por aluno, turma, escola, diretoria de ensino e rede. “Dessa forma, a ação avaliativa propõe mensurar as dimensões de eficiência e eficácia da educação pública estadual. Sabemos qual o nível de deficiência de cada aluno, escola e DRE, além de formatar específicamente cada plano de intervenção”, completou o secretário.
Ele observa que a Seduc adotou uma política com início, meio e fim. “Por intermédio de um circuito de aprendizagem, cada escola terá a sua meta e o seu plano de ação, além de um plano de intervenção da Seduc para cada caso. “Adotamos em Mato Grosso o que há de melhor e dando resultados práticos à Educação. Nos tornamos ponta de lança e logo seremos modelo para outros estados, figurando entre as 10 melhores educações do Brasil até 2032”.
As ações desenvolvidas estão em andamento em todo o estado, que hoje é dividido em 15 Diretorias Regionais de Ensino (DREs): Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Primavera do Leste, Barra do Garças, Querência, Cáceres, Juína, Diamantino, Sinop, Matupá, Alta Floresta, Confresa, Tangará da Serra e Pontes e Lacerda.
A equipe técnica já percorreu todas as DREs para fazer o diagnóstico inicial da rede pública de ensino mato-grossense, e agora realiza a etapa de reuniões de esclarecimento e monitoramento dos resultados obtidos para que o Sistema Estruturado de Ensino possa ser implementado em sua totalidade ao longo de 2022, indo até 2026, quando já estará avaliando todos os eixos de conhecimento, envolvendo Ciências Humanas e Ciências da Natureza.
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Acrismat e Agrihub apresentam relatório que identifica principais desafios da suinocultura em MT
O AgriHub apresentou, durante o 5º Simpósio de Suinocultura, realizado nesta sexta-feira (10), em Cuiabá, a edição 2026 do relatório Sementes da Inovação – Suinocultura, que consolida os resultados do programa voltado à conexão entre produtores rurais, startups e especialistas para acelerar a inovação na cadeia suinícola de Mato Grosso. A publicação traz um diagnóstico do setor, identifica os principais desafios enfrentados pelos produtores e apresenta soluções tecnológicas desenvolvidas para aumentar a eficiência, reduzir custos e fortalecer a competitividade da atividade.
De acordo com a gerente do AgriHub, Érika Segóvia, a escolha da suinocultura para esta edição do projeto acompanha a importância crescente da atividade no estado. Atualmente, Mato Grosso ocupa a sexta posição entre os maiores produtores de suínos do país, respondendo por 4,78% da produção nacional.
Nas últimas três décadas, o estado passou por uma expressiva expansão no número de matrizes, saltando de aproximadamente 5 mil para 135 mil animais, consolidando-se como um dos principais polos de crescimento da cadeia suinícola brasileira.
O estudo do projeto Sementes da Inovação foi desenvolvido nos principais polos produtores de Mato Grosso, envolvendo suinocultores das regiões de Sorriso, incluindo Lucas do Rio Verde, Sinop, Vera e Tapurah, e de Campo Verde, contemplando também Primavera do Leste e Nova Brasilândia.
Ao todo, 123 produtores participaram do levantamento, contribuindo com 66 apontamentos que resultaram na identificação de 32 desafios estratégicos para a cadeia produtiva.
Entre os participantes, predominam propriedades de Ciclo Completo (45,4%), seguidas pelas Unidades Produtoras de Leitões (36,6%) e pelas Unidades de Terminação (18,18%). O levantamento mostra ainda que 40% das granjas possuem entre 1,5 mil e 3 mil animais, enquanto outros 40% operam com plantéis superiores a 12 mil cabeças.
O estudo do projeto Sementes da Inovação foi desenvolvido nos principais polos produtores de MT
Segundo Érika Segóvia, o relatório mostra que os produtores demonstram elevada abertura para a inovação, mas ainda enfrentam gargalos importantes relacionados à infraestrutura.
“Enquanto metade das propriedades da região de Campo Verde possui conectividade em toda a área produtiva, nenhuma das propriedades avaliadas em Sorriso conta com cobertura total de internet e parte delas ainda opera sem qualquer tipo de conexão”.
Apesar desse cenário, o interesse pela inovação é elevado. Em Sorriso, por exemplo, todos os produtores entrevistados afirmaram ter interesse em testar novas soluções tecnológicas, reforçando o potencial para expansão da inovação na atividade.
Após o diagnóstico realizado junto aos produtores, o AgriHub priorizou os temas considerados mais críticos para o desenvolvimento da suinocultura em Mato Grosso. Entre eles estão a qualidade da matéria-prima utilizada nas rações; a comercialização dos animais; a capacitação e tecnologia para mão de obra rural; o acesso a linhas de crédito específicas para a atividade; a gestão operacional das propriedades, envolvendo pessoas, governança e resíduos; e a assistência técnica especializada e independente.
Esses desafios serviram de base para o edital de inovação lançado pelo AgriHub. Ao todo, 36 startups se inscreveram para apresentar tecnologias voltadas à cadeia suinícola. Após o processo de avaliação, seis empresas foram selecionadas por apresentarem maior aderência às demandas levantadas pelos produtores.
As soluções contemplam áreas estratégicas como capacitação profissional, acesso ao crédito, inteligência artificial, visão computacional, rastreabilidade animal, automação de processos produtivos e avaliação zootécnica por sensores tridimensionais.
Além de apresentar o diagnóstico da cadeia, o relatório traz recomendações para ampliar a inovação no setor, entre elas o fortalecimento das parcerias com sindicatos rurais, programas de validação das tecnologias diretamente nas propriedades, capacitações contínuas para produtores e startups, expansão do projeto para novos polos produtivos e criação de redes regionais de inovação.
O lançamento do relatório também recebeu o apoio do setor produtivo. Para o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho, o estudo representa um instrumento importante para orientar decisões e aproximar os produtores das tecnologias que realmente atendem às necessidades do setor.
Segundo ele, o trabalho surpreendeu positivamente pela abrangência e pela qualidade das informações levantadas junto aos produtores.
“Nós ficamos muito entusiasmados com esse trabalho. Agora, recebendo a conclusão de tudo isso, percebemos a dimensão do projeto. É um trabalho muito importante, que vai trazer muita informação e esclarecer dúvidas que muitas vezes o produtor tem sobre as reais necessidades da cadeia. No início, não tínhamos noção do tamanho do projeto e fomos surpreendidos positivamente. Estamos muito felizes porque esse material vai ajudar muito o setor como um todo”.
Para Tannure, a iniciativa deve servir de referência para outras cadeias produtivas do estado.”Esse é um projeto que todas as atividades produtivas de Mato Grosso precisam aproveitar. Temos muito a aprender. Novas tecnologias surgem o tempo todo e, muitas vezes, elas ainda não chegam até o produtor. O trabalho desenvolvido pelo AgriHub é fundamental para estreitar essa relação entre o campo e a inovação”.
Panorama da suinocultura em MT
O avanço da inovação ocorre em um momento de recuperação da suinocultura mato-grossense. De acordo com o superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e do AgriHub, Cleiton Gauer, a atividade vive um cenário de consolidação do crescimento do rebanho e de fortalecimento da produção.
Segundo ele, a criação de suínos em Mato Grosso cresceu 17,1% em 2026, em comparação com o ano anterior. O estado também registra a terceira alta consecutiva no número de matrizes, que atualmente está 31,94% acima da média histórica, refletindo os investimentos realizados pelos produtores e o processo de profissionalização da cadeia.
Apesar do bom desempenho produtivo, o setor acompanha com atenção a pressão sobre os preços, o que exige estratégias voltadas ao aumento da eficiência e da competitividade.
“Nos últimos anos, a suinocultura de Mato Grosso passou por um processo de recuperação, com aumento do rebanho, dos abates e da produção. Agora, o desafio é equilibrar esse crescimento da oferta com a rentabilidade do produtor. O setor é profissionalizado, investe em tecnologia e segue trabalhando para fortalecer a atividade e garantir sua sustentabilidade no longo prazo”, destacou Gauer.
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