MATO GROSSO
Governo apresenta ações e políticas da produção sustentável mato-grossense a empresários franceses
MATO GROSSO
O Governo de Mato Grosso apresentou as principais políticas e os investimentos adotados pela gestão atual para o avanço no desenvolvimento econômico e o fortalecimento da produção sustentável em Mato Grosso a uma delegação de 16 empresários franceses nesta quarta-feira (23.11), em encontro realizado no auditório da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). A agenda foi intermediada pelo secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), César Miranda.
“Mostramos porquê Mato Grosso é considerado o celeiro do Brasil e como temos ensinado outros países a produzir com sustentabilidade. Temos 62% no nosso território preservado. O Estado vem investindo em ações que nos colocam hoje como o maior produtor de alimentos do país e que nos levam a outros patamares. Um exemplo disso é a Zona de Processamento de Exportação (ZPE), na qual concedemos benefícios para que as empresas se instalem. Assim, movimentamos o mercado e geramos emprego”, pontuou o secretário.
A vinda da delegação francesa a Mato Grosso faz parte da “Missão Bpifrance no Brasil”, projeto organizado pelo Ministério da Agricultura da França e o banco francês de investimento público Bpifrance, que selecionou oito empresas para uma imersão na agricultura e sustentabilidade do agro brasileiro. O projeto ocorre entre os dias 21 e 25 de novembro e passa por Cuiabá, Campo Verde (MT), Brasília (DF) e encerra em Piracicaba (SP).
O engenheiro agrônomo francês e mestre em proteção das plantas, Yoan Raynard, que já morou no Brasil, relatou que ainda não havia tido a oportunidade de conhecer Mato Grosso, e que ficou surpreso ao verificar que este é um Estado que investe e preserva o seu ecossistema.
“Viemos de longe sem saber o que está acontecendo em Mato Grosso e quando chegamos aqui vimos uma outra a realidade. Uma surpresa boa, porque vimos que o Estado tem vários incentivos para produzir de forma sustentável. A nossa missão é importante porque não estamos aqui somente para trazer os nossos conhecimentos, mas também é um momento para se inspirar. O Brasil possui uma agricultura super avançada, principalmente na relação de proteção com o meio ambiente. Existem muitas tecnologias se desenvolvendo no mundo, no Brasil e na França, e isso é importante pois permite a produção de energias mais sustentáveis”, observou.
No encontro, a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar apresentou, também, os aspectos da agricultura e pecuária mato-grossense aos visitantes estrangeiros, enquanto o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) destacou os principais desafios na prevenção e controle das pragas de importância econômica para o Estado, e evidenciou os avanços em tecnologia e na fiscalização na pecuária.
Missão BpiFrance Brasil
O BPIfrance é um banco público da França que atua na parte na parte de desenvolvimento – com crédito, garantias e capital próprio – que apoia empresas em projetos de inovação de projeções internacionais. Já a delegação francesa é formada por representantes de empresas que atuam no mercado de bioestimulantes, biocontroles, regeneração de solos degradados, biotecnologias, bioestimulantes.
Fonte: GOV MT
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.