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Especialistas e pacientes defendem a regulamentação da profissão de musicoterapeuta

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POLITÍCA NACIONAL

A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados reuniu profissionais multidisciplinares e pacientes de tratamentos médicos para mostrar a eficácia da música na qualidade de vida e na reabilitação da saúde humana. Durante a reunião, eles defenderam a aprovação do Projeto de Lei 6379/19, da deputada Marília Arraes (Solidariedade-PE), que regulamenta a profissão de musicoterapeuta, em fase final de análise pelos deputados.

Especialistas apontam que efeitos benéficos da música podem ser sentidos no dia a dia. Instrumentos modernos de ultrassonografia também já constatam, em tempo real, o poder terapêutico das harmonias sonoras no corpo e na mente dos doentes.

Vinícius Loures/Câmara dos Deeputados
A importância da musicoterapia como forma de tratamento. Angela Fajardo - ESPECIALISTA EM MUSICOTERAPIA, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE MUSICOTERAPIA DO DISTRITO FEDERAL - AMTDF
Erika Kokay defendeu a aprovação do projeto na comissão

A presidente da Associação de Musicoterapia do Distrito Federal (AMTDF) e integrante da equipe de reabilitação do Hospital da Criança de Brasília, Ângela Fajardo, apresentou casos bem-sucedidos do uso da música com fins terapêuticos em consultórios médicos, ambulatórios e unidades de tratamento intensivo.

“A música pode abrir um canal ou uma janela de comunicação com o mundo para uma criança, por exemplo, com transtorno do neurodesenvolvimento”, explicou.

Maria Selma Rodrigues contou sobre os avanços no tratamento dos filhos Kaleb e Arthur, de 6 e 10 anos de idade, diagnosticados com uma doença rara (Opitz-Frias) marcada por malformação corporal, dificuldade intelectual, irritabilidade e desatenção. 

“O Arthur teve o desenvolvimento melhorado e a atenção melhorada segundo os professores. Nós somos a prova viva de que a musicoterapia faz parte da saúde”, disse.

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Histórico
Pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, Marco Antônio Santos lembrou que a musicoterapia começou a ser sistematizada no mundo durante a Segunda Guerra Mundial, por meio de músicos que tentavam oferecer solidariedade e conforto em hospitais europeus repletos de pacientes psicologicamente abalados.

Os Estados Unidos foram pioneiros na profissionalização, ao criar um curso de graduação em 1944. Já o Brasil registrou as primeiras associações de musicoterapia na década de 60 e os primeiros cursos nos anos 70. Hoje, há disciplinas de graduação e pós-graduação em várias universidades, inclusive públicas, como UFRJ, UFMG, UFG (Goiás) e Unespar (Paraná).

A profissão de musicoterapeuta está reconhecida na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e no Sistema Único de Assistência Social (Suas). Desde 2017, também faz parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). No entanto, falta a regulamentação profissional.

Coordenadora adjunta de graduação da UFRJ, a pianista Beatriz Salles ressaltou a importância de a legislação deixar claro que o musicoterapeuta é um profissional de saúde, com atividade que vai muito além de shows artísticos e performáticos.

“Quando se fala de musicoterapeuta, a gente está falando da música que se produz em diversos níveis de transformação no humano. Para a formação do musicoterapeuta, a gente utiliza reabilitação em saúde, o eixo do corpo humano, a formação musical, o eixo específico da musicoterapia e o eixo formação da prática sonoro-corporal. O musicoterapeuta atua como facilitador, promovendo por meio da musicalidade nata que existe no outro [paciente] uma forma de comunicação não verbal que viabiliza promoção de saúde e potência de vida”, afirmou.

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A coordenadora de pós-graduação em musicoterapia da Faculdade Teológica Batista de Brasília, Sarah Costa, acrescentou que “a música sozinha não faz milagre: é necessária a atuação de um profissional habilitado”.

Regulamentação
As comissões de Trabalho e de Seguridade Social da Câmara já aprovaram o projeto de lei (PL 6379/19) que regulamenta a profissão de musicoterapeuta. Para exercer a atividade, o texto exige diploma de graduação ou de especialização em musicoterapia. Também são descritas as ações privativas da profissão e uma série de direitos.

Organizadora do debate na Câmara, a deputada Erika Kokay (PT-DF) defendeu a aprovação da proposta. 

“A musicoterapia se faz necessária neste momento em que há muito sofrimento psíquico. Há necessidade de a gente aprovar a regulamentação e levá-la de forma regular, constante e permanente para todas as áreas de atuação da política de saúde.”

Em princípio, a regulamentação da profissão de musicoterapeuta não precisa passar pela análise do Plenário da Câmara. Basta apenas a aprovação da Comissão de Constituição e Justiça para que seja enviada para votação no Senado.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados Federais

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GERAL

Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.

A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.

O que é essa tarifa e como funciona?

A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.

Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.

Exemplo simples: 

Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:

  • Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.

  • Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.

  • Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.

  • Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.

  • Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.

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Como isso afeta o Brasil?

A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:

  • Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

  • Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.

  • Perda de mercado para concorrentes de outros países.

  • Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).

  • Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.

 

Quais produtos serão mais afetados?

A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:

  • Carnes bovina, suína e de frango

  • Café

  • Suco de laranja

  • Soja e derivados

  • Minério de ferro e aço

  • Aeronaves e peças da Embraer

  • Cosméticos e produtos farmacêuticos

  • Celulose, madeira e papel

Brasil pode retaliar?

O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.

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E o consumidor brasileiro, será afetado?

Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.

O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).

A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.

O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.

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