MATO GROSSO
Cinco desembargadores votam pela intervenção; decisão é adiada
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Cinco desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso votaram a favor da retomada da intervenção do Estado na Saúde de Cuiabá.
O julgamento, no entanto, foi adiado após pedido de vista compartilhado feito pelos desembargadores Rubens de Oliveira Santos Filho e Juvenal Pereira.
Os magistrados Paulo da Cunha, Rui Ramos, Carlos Alberto Alves da Rocha e Maria Erotides Kneip acompanharam o voto do relator, Orlando Perri, pela intervenção.
Decidiram esperar a presidente do TJ, Clarice Claudino, João Ferreira Filho, Serly Marcondes, Márcio Vidal, Antônia Siqueira e Guiomar Teodoro Borges.
A ação foi protocolada pelo Ministério Público Estadual (MPE) em setembro do ano passado com base em uma representação formulada pelo Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed).
Em dezembro de 2022, Perri chegou a determinar, de forma liminar, a intervenção. A decisão, porém, foi derrubada pela presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministra Maria Thereza Moura, até que a ação fosse submetida e decidida pelo Órgão Especial.
Segundo a ação, a Prefeitura de Cuiabá tem, reiteradamente, desrespeitado decisões judiciais que a obrigam a realizar concurso público, dando preferência a formalização de contratos com prestadoras de serviço.
A ação cita ainda que a Saúde da Capital vive um caos, com falta de medicamentos e médicos.
Assista à sessão:
Procurador-geral de Justiça defende intervenção ( atualizada às 16h)
A sessão teve início às 15h40. O primeiro a falar foi o novo procurador-geral de Justiça, Deosdete Cruz, que defendeu a retomada da intervenção citando, entre outras coisas, o descumprimento de várias decisões judiciais por parte da Prefeitura de Cuiabá.
Deosdete ainda citou depoimentos de médicos da rede municipal que denunciaram o “caos” no setor, com mortes de pacientes e imputações por conta de falta de medicamentos.
O novo procurador-geral ainda apontou inspeções que encontraram mais de 5,5 milhões de medicamentos vencidos na Saúde da Capital e rombo de mais de R$ 300 milhões na Secretaria.
“Está provado que o princípio da proteção da saúde está sendo inobservado pela falta de medicamento, profissionais, reiterados descumprimentos de decisões judiciais, sem contar o não recolhimento de encargos trabalhistas, falta de pagamento de contas como água e energia. Tudo vai contribuir para o colapso”, disse.
“Espero sinceramente que este Órgão Especial reafirme no mérito a corajosa decisão do desembargador Orlando Perri e requisite ao Governo do Estado a intervenção na Saúde de Cuiabá”, acrescentou.
Prefeitura culpa Estado e sugere mesa de negociação ( atualizada às 16h20)
O procurador-geral-adjunto do Município, Allison Akerley da Silva, pediu que o Órgão Especial rejeite o pedido de intervenção.
Ele culpou a falta de repasse por parte do Governo do Estado pelos problemas na Saúde de Cuiabá.
O caos que abate a Saúde não é reflexo da falta de repasse da União e Estado, especialmente no período pandêmico, quando houve um derrame em recursos públicos nunca visto no País
Alegou que, apesar das dificuldades, o Muncípio “zela” pelo atendimento de toda população de Mato Grosso.
“Existem problemas a serem resolvidos, somos cientes disso, mas a intervenção não é a soluação para isso. Existem outros meios mais eficazes para resolvermos essa solução”, afirmou.
Por fim, disse que a Prefeitura de Cuiabá está aberta a uma mesa de negociação para resolver os problemas da Saúde.
Perri diz que Cuiabá viola princípio de garantia à saúde (atualizada às 16h45)
Relator da ação, o desembargador Orlando Perri iniciou seu voto afirmando que determinou intervenção no final do ano passado diante da “situação desastrosa” da Saúde de Cuiabá.
Segundo ele, apesar da inércia do Município em relação as ações judiciais referentes à realização de concurso para médicos, esses fatos são de longe os problemas menos graves da área.
Para Perri, o Município viola a Constituição ao não garantir a universialização da Saúde Pública, diante da falta de médicos, medicamentos e exames.
“A intervenção tem como objetivo restabelecer a ordem que afetou o direito ao cidadão de [ter] Saúde Pública”, diisse.
Saúde está na UTI (atualizada às 16h45)
Ainda no voto, Perri refutou a alegação da Prefeitura de Cuiabá de que o caos na Saúde se dá por falta de repasse dos governos Federal e Estadual.
Ele citou que somente no ano passado, o Estado repassou mais de R$ 130 milhões para a Prefeitura da Capital.
“O caos que abate a Saúde não é reflexo da falta de repasse da União e Estado, especialmente no período pandêmico, quando houve um derrame em recursos públicos nunca visto no País”.
“A Saúde do Município está em leito de UTI, não só por falta de médicos, mas por falta de medicamentos básicos que qualquer farmácia de bairro carente possui, como Dipirona e etc”, acrescentou.
Perri cita mais de nove milhões de medicamentos e insumos vencidos (atualizada às 17h10)
O desembargador também relatou em seu voto que a gestão do prefeito Emanuel Pinheiro deixou vencer 9,8 milhões de medicamentos e insumos.
Ele considerou a situação “incontroversa”, uma vez que as unidades de saúde da Capital sofrem com falta de medicamentos e insumos.
“A justificativa apresentada para o descarte dos medicamentos e insumos vencidos não apaga o pecado de tê-los deixados vencer”, afirmou.
“Aqui, para se dizer o mínimo, houve improbidade administrativa. Agentes públicos haverão de ser responsabilizados”, disse.
“Tivesse havido boa gestão, os insumos e medicamentos poderiam ter sido usados pelos pacientes. Pessoas morreram por falta de medicamentos para pressão alta, para diabetes…”, acrescentou.
Falta de médicos “agoniza” população (atualizada às 17h30)
Ainda no voto, Perri citou a falta de médicos nas unidades públicas de saúde, fato que, segundo ele, “agoniza” a população.
O desembargador afirmou que profissionais que trabalham por contratos vivem com os salários atrasados.
Também citou como “grave problema” na Saúde o elevado número de pessoas que aguardam por cirurgias na Capital.
“Tem pessoas aguardando desde 2016”, afirmou. “São mais de 28 mil de cirurgias pendentes”.
“Intervenção é imprescindível”, diz Perri (atualizada às 17h45)
Perri afirmou que, diante da falta de médicos e medicamentos na Saúde de Cuiabá, é “imprescindível” a retomada da intervenção na Saúde.
“Por mais que o Município insista em afirmar que vem sendo zeloso na medida do possível com a Saúde Pública, entendo que a medida drástica de intervenção se mostra razoável, adequada e imprescindível diante da situação apresentada”, disse.
O desembargador afirmou que a Prefeitura já mostrou que é incapaz de resolver os problemas da área.
“Não basta a intenção, até porque de bem intencionados o inferno está cheio”, disse.
“É preciso que o interventor coloque a Pasta nos seus carris e para que a Saúde do nosso povo não volte a padecer com falta de medicamentos e médicos”, declarou.
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MATO GROSSO
Jovem cuiabano cria empresa de otimização de PCs e mira expansão para São Paulo
Aos 19 anos, Dherick Abreu já acumula uma trajetória que começou cedo e hoje inspira outros jovens de Mato Grosso a empreender. Criado no bairro Dom Aquino, em Cuiabá, ele iniciou a vida profissional aos 12 anos e, atualmente, é fundador da UpBoost, empresa especializada em otimização de computadores com foco em desempenho e economia.
Filho de Liveni, ex-contadora de 61 anos, Dherick foi criado pela mãe, que assumiu sozinha sua formação pessoal e educacional. Segundo ele, foi dela que vieram os principais valores que carrega até hoje. “Minha mãe é a pessoa mais guerreira que eu conheço. Tudo que eu sou hoje vem da base que ela me deu”, afirma.
O início da trajetória profissional aconteceu ainda na pré-adolescência. Estudante dedicado em uma escola de efeitos visuais na capital, Dherick passou a desenvolver artes para redes sociais de pessoas próximas, conciliando os estudos com os primeiros trabalhos. O interesse por tecnologia e, principalmente, por jogos eletrônicos, foi determinante para a escolha do caminho profissional.
Sem acesso a equipamentos de alto desempenho, ele começou a buscar alternativas para melhorar o próprio computador. A partir de estudos e testes, desenvolveu técnicas de otimização de sistemas, identificando recursos desnecessários dentro do sistema operacional e ajustando o funcionamento da máquina para obter melhor performance, sem a necessidade de troca de peças.
A experiência adquirida ao longo dos anos resultou na criação da UpBoost, em dezembro de 2024. A empresa oferece serviços de otimização que prometem melhorar o desempenho de computadores de forma significativa, com custo reduzido em comparação à compra de novos equipamentos.
De acordo com o empreendedor, a proposta atende tanto usuários comuns quanto empresas. “Hoje, muitas pessoas não conseguem investir em um computador novo. A gente entra como uma alternativa viável, com um custo até dez vezes menor, melhorando a performance para jogos, trabalho e produtividade”, explica.
O serviço é realizado de forma remota e já atende clientes em diferentes regiões, inclusive fora do Brasil. A proposta também tem impacto direto no ambiente corporativo, ao permitir que equipes utilizem melhor os equipamentos já disponíveis, reduzindo custos operacionais e aumentando a eficiência.
Em um cenário de alta nos preços de componentes eletrônicos e aumento de taxas sobre produtos importados, soluções como a desenvolvida por Dherick ganham espaço no mercado. A otimização de sistemas se apresenta como alternativa econômica e estratégica para quem busca desempenho sem grandes investimentos.
A trajetória do jovem também reforça um movimento importante no estado: Mato Grosso vai além do agronegócio. Histórias como a de Dherick evidenciam o crescimento de áreas como tecnologia, cultura e entretenimento, mostrando que o estado também é espaço para inovação e novos modelos de negócio. Nesse contexto, a experiência do empreendedor demonstra que determinação, aliada à curiosidade e à busca por qualificação, pode abrir portas e transformar realidades.
“Quando a gente fala de Mato Grosso, muita gente pensa só no agronegócio, que é extremamente importante, mas o estado também tem espaço para tecnologia, inovação, cultura e entretenimento. Eu sou prova de que dá para empreender nessa área aqui, começar do zero e alcançar outros mercados sem sair da nossa base”, pontua.
Apesar do crescimento e da expansão do negócio, o jovem mantém planos ambiciosos. Entre eles, está a abertura de um espaço físico na Avenida Faria Lima, um dos principais centros financeiros e tecnológicos do país, conhecido por concentrar empresas, startups e investimentos de grande porte.
Mesmo com o objetivo de expandir a atuação para outros polos, Dherick reforça a ligação com suas origens. “Cuiabá é minha base. O Dom Aquino é minha casa e sempre vai ser”, destaca.
Para ele, a própria trajetória representa mais do que crescimento profissional. O jovem afirma que busca ser exemplo para outros jovens que enfrentam dificuldades semelhantes. “Se eu puder mostrar para alguém que é possível começar do zero e construir algo, já valeu a pena”, diz.
Com pouco tempo de atuação formal no mercado e resultados em expansão, Dherick Abreu consolida uma história marcada por iniciativa, adaptação e visão de negócio, aliando tecnologia e custo-benefício em um modelo que acompanha as demandas atuais do mercado.
“Se a minha história puder incentivar outros jovens a não desistirem, já valeu a pena. Eu comecei com um computador simples, sem muitos recursos, mas com curiosidade e vontade de aprender. Acho que é isso que faz a diferença: acreditar que é possível, buscar conhecimento e dar o primeiro passo”, finaliza o jovem empreendedor.
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