MUNDO
Embaixador do Japão no Brasil espera que G7 seja um passo para a paz
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Após 15 anos, o Brasil voltou a ser convidado a participar da cúpula do G7, grupo que reúne as sete maiores economias mundiais, formadas pelos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá. A cúpula está sendo realizada em Hiroshima, no Japão, e ocorre até o domingo (21).
Segurança alimentar, enfrentamento das mudanças climáticas, inflação, transição energética, saúde e combate às armas nucleares são alguns dos assuntos em discussão nas reuniões. E um dos temas centrais que deverá nortear essas reuniões está a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que teve início em fevereiro do ano passado após os russos terem invadido o território ucraniano. A guerra já provocou mortes, transformou milhares de pessoas em refugiadas e trouxe também impactos para a produção e distribuição de alimentos e energia no mundo.
Em entrevista à Agência Brasil na sexta-feira (19), o embaixador do Japão no Brasil, Hayashi Teiji, disse esperar que a reunião do G7 se recorde do simbolismo de Hiroshima – cidade que foi bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial – e possa dar passos importantes em busca da paz. “Minha esperança é que muitos brasileiros reconheçam essa importância do G7 em Hiroshima, nesse momento em que muitas pessoas buscam a paz e estão preocupadas sobre o uso de armas nucleares”, disse.
Durante o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá sete reuniões bilaterais. Em uma delas, que ocorreu na noite desta sexta-feira (19), horário de Brasília, o presidente se encontrou com o primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida. Nessa reunião, os dois líderes manifestaram interesse mútuo em ampliar a cooperação entre os países em várias áreas. Lula deseja uma relação mais produtiva no comércio, cultura, ciência e tecnologia. Já Kishida quer discutir com o Brasil temas como clima, educação e paz, além de manifestar disposição em cooperar com o país sul-americano. “O Japão está disposto a apoiar a reindustrialização do Brasil por meio de nossa cooperação técnica, com capacitação de pessoas e outorgando tecnologia de inovação”, acrescentou Hayashi Teiji.
Confira a entrevista que o embaixador concedeu à Agência Brasil:
Agência Brasil: A reunião da cúpula do G7 está ocorrendo em Hiroshima. Qual a simbologia disso? Qual a importância desse evento ser realizado em uma cidade que sofreu tanto com as consequências de uma guerra?
Hayashi Teiji: Como você disse, Hiroshima é uma cidade icônica sobre a paz e também sobre [os efeitos das] armas nucleares. Nesse sentido, acho que estamos em um ponto de virada histórica. Estamos em meio a efeitos negativos provocados pelo coronavírus e por uma crise internacional pela invasão Rússia na Ucrânia e, por isso, nosso primeiro-ministro [ Fumio Kishida] decidiu presidir a cúpula do G7 em Hiroshima para falar sobre os problemas e desafios internacionais que estamos enfrentando hoje. Obviamente, entre outras coisas, o uso de armas nucleares na guerra da Ucrânia e o desarmamento nuclear são também temas principais que os líderes devem discutir [na cúpula].
Agência Brasil: Esse foi o primeiro convite feito ao Brasil para participar do G7 em 15 anos. Por que esse convite é feito agora? Por que é importante a presença do Brasil nesse evento?
Teiji: Agora estamos enfrentando esses problemas e desafios internacionais e o Brasil é um parceiro muito importante como líder da América Latina, também como um país emergente e porque desempenha papel importante em vários temas como mudanças climáticas, segurança alimentar, etc. O Japão considera que a participação do Brasil na Cúpula do G7 é fundamental. E também as relações bilaterais entre Japão e Brasil são antigas, nos reconhecemos mutuamente como parceiros estratégicos globais.
Agência Brasil: O que se espera sobre a participação do Brasil nesse evento? O que o Japão espera do Brasil nesse encontro? Com o que o Brasil pode contribuir para a cúpula?
Teiji: A Cúpula do G7 não é um lugar para tomar decisões. Mas o intercâmbio de opiniões e de perspectivas entre os líderes é muito importante e também produtivo. E, nesse sentido, o Brasil tem sua própria perspectiva e papéis na América Latina para contribuir para as discussões com os líderes. O Brasil foi o único país convidado da América Latina. Então, acredito que pode dar vários pontos de consideração e também posições com líderes do G7 e outros países convidados.
Agência Brasil: Que temas devem permear as reuniões do G7? Quais temas terão mais relevância nessa reunião?
Teiji: Tem vários temas. Com os países convidados, mais concretamente vamos falar sobre segurança energética e alimentar, mudanças climáticas, saúde, desenvolvimento, paz e estabilidade internacional. Acho que o Brasil tem um papel principal em quase todos os temas que acabo de mencionar, mas sobretudo, por exemplo, o Brasil é um grande e importante exportador de alimentos, que pode garantir a segurança alimentar. E a respeito da mudança climática, do desmatamento e da proteção da Amazônia, isso é de interesse de vários países da comunidade internacional. Há vários temas em que o Brasil poderá contribuir.
Agência Brasil: O presidente Lula tem dito que pretende levar ao G7 a discussão sobre a guerra da Ucrânia. Como o Japão avalia essa questão? A reunião da cúpula pode ajudar a pôr um fim nessa guerra?Teiji: Entre os temas que eu já mencionei, a reunião com os países convidados, inclusive o Brasil, inclui a paz e a estabilidade internacional. Com esse tema, os participantes e os líderes vão falar sobre a paz e o final da guerra na Ucrânia. E hoje [sexta-feira, quando a entrevista foi realizada], o governo japonês anunciou a participação do presidente ucraniano [Volodymyr] Zelensky no G7, em Hiroshima. Ele deve participar no domingo, na reunião do G7, e obviamente nessas agendas programadas, a paz na Ucrânia será um tema principal em Hiroshima.
Agência Brasil: Quais as perspectivas do Japão sobre a economia brasileira? O Brasil está prestes a votar a reforma tributária. Como o Japão avalia esse momento no Brasil? Isso pode atrair mais investimentos?
Teiji: Acho que a economia brasileira tem muito potencial. Nesse sentido, temos muita possibilidade de desenvolver nossas relações econômicas em possíveis relações comerciais. E para avançar e para promover esse desenvolvimento econômico, as reformas do Brasil serão necessárias. E, sobretudo, essa reforma tributária, que é uma chave de desenvolvimento para o Brasil. Em uma reunião do ministro [das Relações Exteriores do Brasil, Mauro] Vieira com seu parceiro, nosso ministro de Relações Exteriores, Yoshimasa Hayashi, eles falaram sobre o apoio do governo japonês para essas reformas necessárias para o Brasil e também sobre a adesão do Brasil à OCDE [Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico], que é algo simbólico das reformas ou intenção de reformas no Brasil.
Agência Brasil: O Brasil vai voltar a exigir visto dos cidadãos japoneses para que eles possam entrar no país. Mas há uma negociação em curso. Os governos brasileiro e japonês dialogam para retomar a isenção de visto para turistas dos dois países de forma recíproca. Como estão essas discussões? Há a possibilidade de que o visto não seja mais exigido pelos dois países?
Teiji: O governo brasileiro anunciou o fim da isenção de visto para os turistas ou para quem vem do Japão a negócio. Foi uma decisão lamentável. A isenção do visto é importante para promover esse intercâmbio pessoal, para o turismo e para os negócios. Mas depois dessa decisão do governo brasileiro, estou fazendo esforços para buscar uma solução beneficiária para ambas as partes, o que significa a isenção mútua do visto entre o Japão e o Brasil. Mas esse procedimento demora um pouco de tempo. Como embaixador, fico um pouco otimista para esse resultado, que será favorável para ambas as partes.
Agência Brasil: Neste ano, a imigração japonesa completa 115 anos no Brasil. O Brasil tem a maior comunidade japonesa fora do Japão. Já a comunidade brasileira no Japão também é grande, a quinta maior do Brasil no mundo. O que podemos falar sobre esses laços, essa integração Brasil-Japão?
Teiji: Essa é uma parte muito importante para as relações bilaterais entre o Japão e Brasil. Aqui no Brasil temos a maior comunidade japonesa fora do Japão e o Brasil tem no Japão a sua quinta maior comunidade do Brasil fora do Brasil. Acho que não existem outros países que têm esse tipo de intercâmbio de pessoas, com essa história. Por isso, estamos desenvolvendo nossas relações em várias áreas possíveis, como a cultural e também a econômica. Por exemplo, 13 de junho é um dia comemorativo da imigração japonesa aqui no Brasil e estamos planejando realizar uma sessão solene no Congresso Nacional. Vamos também iluminar vários prédios de Brasília, como a Catedral e a Biblioteca Nacional, com iluminação vermelha, símbolo da bandeira japonesa [essa ação deve ocorrer no dia 18 de junho]. Na semana passada, por exemplo, celebramos em Brasília o Festival do Japão e tivemos 60 mil visitantes em dois dias de evento. Isso simboliza como a cultura e a culinária japonesa foram recebidos e aceitos pela comunidade brasileira.
Agência Brasil: Agradeço pela entrevista perguntando se ainda há alguma coisa que o senhor considera importante abordarmos.
Teiji: Minha esperança é que muitos brasileiros reconheçam essa importância do G7 em Hiroshima, nesse momento em que muitas pessoas buscam a paz e estão preocupadas sobre o uso de armas nucleares. Acho que essa Cúpula do G7 em Hiroshima é algo muito simbólico sobre essa situação e preocupação do mundo. Minha esperança é que essa Cúpula do G7, com essa participação do presidente Lula, seja um passo de avanço para a paz e para resolvermos vários problemas que acontecem e estamos enfrentando agora mesmo.
Fonte: EBC Internacional
GERAL
Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.
O que é essa tarifa e como funciona?
A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.
Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.
Exemplo simples:
Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:
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Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.
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Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.
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Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.
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Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.
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Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.
Como isso afeta o Brasil?
A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:
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Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
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Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.
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Perda de mercado para concorrentes de outros países.
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Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).
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Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.
Quais produtos serão mais afetados?
A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:
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Carnes bovina, suína e de frango
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Café
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Suco de laranja
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Soja e derivados
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Minério de ferro e aço
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Aeronaves e peças da Embraer
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Cosméticos e produtos farmacêuticos
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Celulose, madeira e papel
Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.
E o consumidor brasileiro, será afetado?
Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.
O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).
A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.
O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.
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