MATO GROSSO
“Não admitimos perder nada do que conquistamos”, diz Carvalho
MATO GROSSO
O secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, afirmou que Mato Grosso não vai admitir perder arrecadação com a implementação da Reforma Tributária.
A mudança na forma de tributação de impostos é estuda pela gestão do presidente Lula (PT).
“O Estado de Mato Grosso não quer ganhar mais em detrimento de outros estados perderem. Queremos permanecer da forma que estamos. Não admitimos perder nada em cima do que conquistamos até o momento”, afirmou nesta quinta-feira (25).
A mudança na tributação do País tem preocupado o Governo do Estado, já que, nas projeções, Mato Grosso aparece entre os estados que menos vão arrecadar nos próximos anos.
Entre os pontos questionados, estão as mudanças na política de incentivos fiscais, que é um eixo importante para a economia do Estado, e a forma de tributação do ICMS, que deixaria de ocorrer no local da produção e passaria a ser no consumo. Este também impacta o Estado, já que a produção é maior que o consumo interno.
“Vamos trabalhar para manter as nossas arrecadações da forma que estão hoje. Não queremos o efeito Robin Hood, tirar de quem tem para dar a quem não tem. Queremos o equilíbrio que temos hoje”, disse.
Reforma é inevitável
Carvalho ainda afirmou que não é contra a Reforma Tributária, pois acredita que a mudança é “inevitável” e todos os governadores são favoráveis. No entanto, disse ver problema no texto, já que o projeto final ninguém teve acesso.
O secretário de Fazenda, Rogério Gallo, deve se juntar a um grupo de trabalho para estudar a proposta da reforma. Segundo Carvalho, o objetivo de Gallo será trazer o equilíbrio que a reforma precisa.
“Somos um Estado em pleno desenvolvimento agroindustrial. Precisamos incentivar esses empresários a vir para Mato Grosso. Então, nossa preocupação é Mato Grosso”, completou.
MATO GROSSO
Reforma tributária deve mudar custos e exigir revisão de contratos na saúde
Empresas de saúde terão de olhar além das alíquotas para avaliar os efeitos da reforma tributária sobre seus resultados. O perfil dos fornecedores, o aproveitamento de créditos e as condições dos contratos estão entre os fatores que podem influenciar os custos e o planejamento financeiro de hospitais, clínicas e outros estabelecimentos do setor.
Esses impactos foram discutidos em Cuiabá durante o Saúde à Mesa, promovido pelo Sindicato das Empresas de Saúde de Mato Grosso (Sindessmat), em parceria com a FCS Advogados e patrocínio da Huma. A palestra dos advogados Alex Ferreira e Thayelle Vendramini abordou as mudanças na tributação do consumo e da renda e seus reflexos para empresas, sócios e profissionais da saúde.
Uma simulação apresentada por Ferreira ilustrou o peso dos créditos tributários no resultado financeiro. Ao comparar dois hospitais com a mesma receita, mas diferentes níveis de aproveitamento de créditos, o exemplo mostrou uma diferença no tributo a recolher equivalente a 3% do faturamento. O exercício evidenciou como a composição das compras e a organização dos controles podem influenciar o valor a pagar.
Segundo o advogado, os efeitos para cada estabelecimento dependem também do perfil de seus contratantes e das condições negociadas com fornecedores. A preparação passa pela revisão de preços, organização dos documentos fiscais, identificação do regime tributário dos parceiros comerciais e adequação dos sistemas de gestão.
A análise incluiu o funcionamento da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a transição para o novo modelo e as particularidades das relações entre prestadores, operadoras de planos de saúde, entidades filantrópicas e poder público.
Os contratos de longa duração também exigem atenção. A orientação apresentada foi integrar as áreas jurídica, contábil, financeira e de compras para avaliar os efeitos das mudanças sobre os compromissos assumidos e planejar a adaptação dos negócios.
Além dos custos das empresas, o encontro discutiu os reflexos sobre a renda de sócios e profissionais da saúde. Thayelle Vendramini abordou a tributação de dividendos, a retenção na fonte e a apuração do Imposto de Renda mínimo sobre rendimentos elevados. Os exemplos relacionaram a distribuição de lucros, os valores recebidos ao longo do ano e o ajuste anual.
Para a diretora executiva do Sindessmat, Patrícia West, o acesso à informação é fundamental para preparar os estabelecimentos para esse cenário.
“A reforma tributária exige atenção e planejamento das empresas do setor da saúde. Com o Saúde à Mesa, o Sindessmat busca aproximar os gestores de especialistas e oferecer informações que apoiem decisões mais seguras. Nosso compromisso é fortalecer as instituições que representamos, promovendo diálogo e conhecimento para que possam se preparar para as mudanças e seguir oferecendo uma assistência de qualidade à população”, destaca.
O presidente do Sindessmat, Dr. Altino José de Souza, afirmou que a iniciativa abre uma série de encontros voltados aos associados, com temas que afetam a gestão dos estabelecimentos.
“Foi uma experiência para avaliarmos a adesão e o interesse de nossos associados, e a avaliação é positiva. Nossa parceria com a FCS Advogados sempre rende bons frutos, com conteúdo atualizado e que impacta na gestão dos estabelecimentos. Agradecemos também o apoio da Huma – Cotações e Compras Eletrônicas LTDA, que apresentou uma ferramenta que pode ser utilizada pelos estabelecimentos e nos ajudou a realizar esse encontro.”