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Carnaval: África está presente nos enredos das escolas de samba do Rio
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O que Nilópolis, Maceió e a Etiópia têm em comum? É a Beija-Flor de Nilópolis, que, no carnaval de 2024, apresentará na avenida o enredo Um delírio de Carnaval na Maceió de Rás Gonguila. A escola vai reverenciar as realezas desses três lugares e, como costuma marcar os seus temas, falar um pouco da cultura negra.

A história para mostrar um encontro mágico começa a ser contada com Benedito dos Santos, que nasceu em Maceió e mais tarde ficou conhecido como Rás Gonguila, porque dizia ser descendente direto do último imperador da Etiópia.
João Vitor Araújo, carnavalesco da Beija-Flor, diz que o enredo surgiu depois do carnaval de 2023 com a possibilidade de uma parceria com a cidade de Maceió. Como ele precisava de um gancho para contar a história da capital de Alagoas por um outro olhar, acabou encontrando em uma pesquisa a figura do Gonguila para ser o fio condutor do enredo.
História
Para o carnavalesco, foi uma grande coincidência ser um homem negro e, por incrível que pareça, não foi proposital, mas o personagem negro se encaixa perfeitamente na característica da escola.
“A história começa na figura de um homem que viveu no início do século passado nas ruas de Maceió e um dia delirou. Escutou pelo rádio que o último imperador da Etiópia acabara de ser coroado. Ele pensou o seguinte: ‘bom, já sou descendente de Zumbi e Dandara, porque não posso ser também descendente desse príncipe lá da África? Então, a partir de hoje não me chamarei mais Gonguila, me chamarei Rás Gonguila’. Rás é o título mais alto da nobreza da Etiópia. Aí, começou a ser conhecido como Rás Gonguila”, revela em entrevista à Agência Brasil.
João Vitor conta que a vida de Rás Gonguila mudou completamente a partir desse delírio que ele teve e passou a ser uma pessoa altamente popular. Tornou-se o que hoje se chama influencer.
“Precisavam da figura do Rás para que ele pudesse alavancar campanhas políticas, para que fosse uma espécie de conselheiro e, de certa forma, formador de opinião, já que era tão popular. Li em um artigo que até Getúlio Vargas precisou que Rás subisse no palanque dele, quando fazia campanha política no Nordeste e precisava de uma figura popular. Um influencer daquela época”, relata.
“O cara não sabia ler, nem escrever, mas era extremamente inteligente e elegante. Às vezes, as pessoas confundem muito quando se fala de uma personalidade, de um homem preto no início do século, se pensa logo que o cara sofreu e apanhou. Não. É uma história diferente. Ele acreditou naquele delírio, botou aquilo na cabeça e venceu dessa forma. O que eu quero dizer com a história do Rás é que, para vencer na vida, não precisa ser rico, nem obter bens materiais. Nada disso. Na cabeça dele, a fama como príncipe da Etiópia que vivia em Maceió era suficiente para que ele fosse feliz”, analisa.
O ponto de ligação com a Etiópia é o regente e imperador daquele país, Haile Selassie. Ele foi regente da Etiópia de 1916 a 1930 e imperador de 1930 a 1974. Assim, tem-se o ponto de ligação de Gonguila, que se considerava próximo e, por isso, tinha condição de usar o mesmo título do etíope: Rás.
“Já que é um delírio, o carnaval entra na história para promover a coroação do Rás Gonguila. Nesse enredo a gente convida o príncipe, a realeza da Etiópia, para que vá até Maceió promover a coroação desse cara. A gente conta a história de dois personagens que nunca se viram. É interessante, ele dizia que era descendente do outro, mas, na verdade, os dois nunca se viram. A minha missão nesse carnaval é fazer o encontro das três realezas, porque cito também a realeza nilopolitana: a Beija-Flor de Nilópolis. Só o carnaval para promover este tipo de acontecimento”, acrescenta João Vitor.
O bloco Cavaleiro dos Montes, criado por Gonguila, não existe mais, porém, está presente na memória afetiva de Maceió. “Esse bloco não existe mais, mas ainda hoje, quando se pergunta para as pessoas de Maceió qual o bloco que elas mais sentem falta, todo mundo cita o Cavaleiro dos Montes, fundado pelo Gonguila. Esse bloco, que já era popular, se torna mais popular a partir do momento em que ele se transforma na figura do príncipe etíope das Alagoas”, diz.
João Vitor adianta que muitos compositores já entregaram os sambas que passarão por uma seleção até a escolha do que será levado para a avenida em 2024. O carnavalesco está animado com o nível das composições. Segundo ele, o barracão também está em fase avançada com metade dos protótipos de fantasias e alegorias concluídos. Além disso, já começou a confecção de alegorias a partir das ferragens.
“Eu digo que o fim do ano é sempre um termômetro positivo ou negativo para o carnaval. Se você está com tudo atrasado é uma previsão um pouco desastrosa, mas quando termina o ano com o barracão bem encaminhado é sinal de que vai dar tudo certo”, ensina.
João Vítor comemora ainda estar sozinho à frente do carnaval da Beija-Flor. Em 2023, ele dividiu a função com a carnavalesca supercampeã, Rosa Magalhães, na Paraíso do Tuiuti.
Ao ser lembrando que já houve um João que fez desfiles ganhadores de campeonatos, o carnavalesco sorri. “Opa, que eu seja o próximo. Digo o próximo, mas acho que ninguém substitui Joãosinho Trinta. Aquele cara merece todas as reverências, mas se eu conseguir um título nessa estreia vou ficar muito feliz”, antecipa. O carnaval de 2024 será nos dias 10, 11, 12 e 13 de fevereiro.
Vila Isabel
A Unidos de Vila Isabel resolveu reeditar, em 2024, o enredo Gbala: uma viagem ao Templo da Criação”, criado em 1993 pelo então carnavalesco Oswaldo Jardim, já falecido. Agora, o tema será desenvolvido por Paulo Barros.
Baseado na cultura Yorubá para trazer o enredo a partir de uma narrativa fictícia, ao mesmo tempo a Vila homenageia Oswaldo Jardim e propõe uma reflexão sobre o planeta, as mazelas produzidas pelos humanos e a possibilidade de salvação por meio das crianças.
“Há 30 anos, Oswaldo Jardim, um dos grandes artesãos do carnaval carioca, embarcou na própria imaginação rumo a uma viagem fantástica. Partindo de uma narrativa fictícia, desfilamos no carnaval de 1993 a criatividade e a sensibilidade deste saudoso carnavalesco que propôs uma reflexão muito atual sobre o nosso planeta: as mazelas que os humanos fazem à terra e a possibilidade de nos salvarmos por meio das crianças e sua candura”, afirmou a Unidos de Vila Isabel em um texto de apresentação do enredo no seu perfil do Instagram.
No enredo, o criador Oxalá adoece diante da humanidade corrompida nos seus propósitos iniciais. “A única alternativa para salvá-lo era levar as crianças da terra para o Templo da Criação, para que, conhecendo o mundo tal qual foi concebido curassem Oxalá dos males e salvassem a humanidade. Nessa jornada, elas descobririam como o mundo e o homem foram criados e os valores da vida humana no sentido de bondade, paz e amor”, completa.
Samba
Não haverá disputas entre compositores porque a azul e branco do bairro de Noel Rosa vai para a avenida com o samba-enredo de autoria de Martinho da Vila, o mesmo daquele ano. Até hoje, o samba é considerado como um dos mais bonitos produzidos por Martinho. Em 1993, a escola teve que enfrentar um temporal na hora do desfile e na classificação ficou em oitavo lugar, mas se depender de Martinho a história agora será outra.
“Eu estou felizão. Até disse que não estava mais a fim de desfilar e ia dar um tempo, mas a Vila Isabel vai reeditar o enredo Gbala: uma viagem ao templo da criação, que é um que mais gosto. Aí, vou ter que estar na avenida. Vai ser impressionante e tem mais uma: a Vila Isabel vai ganhar”, disse Martinho à Agência Brasil.
Fonte: EBC GERAL
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AACCMT contribui para diagnóstico nacional da atenção ao câncer infantojuvenil
A Associação de Amigos da Criança com Câncer (AACCMT) recebeu, no dia 11, a visita técnica do Mapeamento Nacional do Câncer Infantojuvenil, iniciativa que integra o projeto OncoBrasil – Transformando a Jornada Oncológica e tem como objetivo levantar informações sobre a estrutura, os fluxos de atendimento e os principais desafios enfrentados por hospitais e instituições de apoio que atuam no cuidado de crianças e adolescentes com câncer em diferentes regiões do país.
Idealizado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) e pela Confederação Nacional das Instituições de Apoio e Assistência (CONIACC), o Mapeamento é conduzido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Departamento de Atenção ao Câncer (DECAN/SAES), o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Coordenação Geral de Projetos (CGPROJ) da SAES, por meio do Proadi-SUS. O Einstein Hospital Israelita atua como instituição executora.
A iniciativa busca construir um diagnóstico situacional da atenção oncológica infantojuvenil no Brasil, reunindo dados quantitativos e qualitativos que possam apoiar a formulação e o aprimoramento de políticas públicas, fortalecer a rede de atenção no Sistema Único de Saúde e contribuir para a redução das desigualdades regionais no acesso ao cuidado.
Durante a visita, foram abordados aspectos relacionados à infraestrutura disponível, à composição das equipes, à organização dos serviços, aos fluxos assistenciais e à articulação com a rede de atenção. A proposta é compreender a realidade local a partir da escuta e da observação dos contextos de atendimento, ao mesmo tempo em que se reconhecem experiências, desafios e estratégias já desenvolvidas pelas instituições participantes.
O Mapeamento contempla visitas e entrevistas com hospitais habilitados e não habilitados para o tratamento oncológico infantojuvenil, além de instituições de apoio, em diferentes estados brasileiros. Ao ampliar a compreensão sobre a jornada do cuidado, a iniciativa pretende gerar insumos que fortaleçam a tomada de decisão estratégica e contribuam para o aperfeiçoamento da atenção ao câncer infantojuvenil no país.
Para o vice-presidente da AACCMT, Benildes Firmo, a participação no Mapeamento representa uma oportunidade de contribuir para a construção de um panorama nacional mais consistente sobre a atenção oncológica infantojuvenil, dando visibilidade à realidade vivida nos territórios e colaborando com esforços voltados ao fortalecimento da rede de cuidado.
“Participar deste mapeamento é uma oportunidade importante para contribuir com a construção de um diagnóstico nacional mais amplo e consistente sobre a atenção oncológica infantojuvenil. Ao compartilhar a realidade vivenciada em nosso estado, ajudamos a dar visibilidade e a colaborar para o fortalecimento das políticas públicas e da rede de cuidado destinada às crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer”, destaca o vice-presidente da AACCMT”, Benildes Firmo.
O OncoBrasil – Transformando a Jornada Oncológica atua em pontos estratégicos da jornada oncológica adulta e infantojuvenil no Brasil, com foco em conscientização e prevenção do tabagismo, formação e capacitação de profissionais e diagnóstico situacional da rede de atenção ao câncer. A proposta é contribuir para o fortalecimento das políticas públicas e da atenção oncológica no SUS por meio de ações integradas voltadas à prevenção, à qualificação profissional e à geração de evidências para subsidiar decisões estratégicas.
Sobre a AACCMT
A AACMT é uma instituição sem fins lucrativos que oferece hospedagem gratuita para crianças com câncer e um acompanhante. Ao longo desses 27 anos, a instituição já acompanhou cerca de 900 crianças e adolescentes e realizou mais de 25.638 mil atendimentos.
Os assistidos vêm do interior de Mato Grosso, de outros estados, de áreas indígenas e até de outros países, em busca de tratamento em centros especializados de oncologia pediátrica em Cuiabá.
A associação disponibiliza também alimentação, transporte, atendimento psicossocial e acompanhamento multiprofissional, iniciativas que fazem a diferença na jornada de quem enfrenta a doença. Tudo isso é realizado de forma gratuita.
Quem desejar colaborar pode entrar em contato em horário comercial pelos telefones (65) 3025-0800 ou (65) 99213-8300.
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