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Entenda por que o ritmo de expansão do metrô do Rio de Janeiro é lento
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Para quem mora longe do centro do Rio de Janeiro, a expectativa de um transporte público mais célere e eficiente é um sentimento antigo. “A gente já pede isso há mais de dez anos. O bairro cresceu muito em termos populacionais”, conta a presidente da associação de moradores do Recreio dos Bandeirantes, Simone Kopezynski.

No mês passado, o governo do estado anunciou que pretende levar o metrô até o bairro da zona oeste da capital, a cerca de 30 quilômetros do centro.
“A gente entende que transporte de massa é sobre trilhos. Vai ser muito importante para a população que vem trabalhar no bairro e para quem sai do bairro para trabalhar.”
A expectativa de Simone, no entanto, é acompanhada por desconfiança. Para ela, os planos de expansão do metrô ficam muito “ao sabor” dos políticos. “Não há continuidade administrativa”, lamenta.
“A gente fica com medo de que façam estudo, gastem uma grana, daqui a pouco não sai, e o estudo fica defasado. Acreditar mesmo, só quando começarem as obras”, disse à Agência Brasil.
Mesmo assim, persiste uma esperança: “toda obra inicia-se com estudo, então, vamos acreditar”!
Estudos para expansão
No próximo dia 19 de dezembro está marcada a licitação do governo do estado para contratar a empresa que vai elaborar os estudos sobre a ampliação do sistema metroviário. O vencedor da concorrência pública terá 12 meses para analisar a viabilidade técnica, jurídica, econômica e ambiental dos projetos.
A realização do estudo foi incluída entre os projetos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, no Rio de Janeiro. Para as obras em si, serão considerados financiamentos público e privado.
“Uma das alternativas avaliadas é a realização de uma licitação internacional, por meio de parceria público-privada”, afirmou, em outubro, o secretário estadual de Transporte e Mobilidade Urbana, Washington Reis.
A intenção do governo é fazer a extensão da rede metroviária em duas frentes. Uma delas na Linha 4, que hoje vai até a Barra da Tijuca, na zona oeste. O bairro ganharia mais uma estação, e a linha chegaria ao bairro vizinho Recreio dos Bandeirantes.
Outra frente seria na Linha 3, em um trajeto que ainda não saiu do papel. Haveria uma estação na Praça XV, no centro do Rio de Janeiro, ligando-se à cidade de Niterói, no outro lado da Baía de Guanabara, ou seja, um trecho submarino. De Niterói, a linha se estenderia até São Gonçalo, município da Região Metropolitana.
Aqui uma curiosidade: um visitante que chegue ao Rio, muito provavelmente vai estranhar o sistema metroviário ter a Linha 4 em operação, sem ter a Linha 3 sequer construída.
Projetos inacabados
Apesar de a presidente da associação de moradores do Recreio dos Bandeirantes dizer que só acreditará na expansão quando as obras começarem, perfurações de estações de metrô no Rio de Janeiro não são sinônimos de conclusão da obra.
Um exemplo é o que seria a estação Gávea, na zona sul da cidade. O projeto da Linha 4 previa a inauguração antes da Olimpíada, mas, apesar das perfurações, a obra não foi concluída. A última inauguração no sistema metroviário da cidade foi em 2016, no ano dos Jogos Olímpcos.
Outro caso ilustrativo ficou conhecido como a estação “fantasma” da Carioca, na região central da cidade. O terminal metroviário, que nunca foi concluído, está abandonado desde o fim da década de 1970. Seria uma interligação entre as Linhas 1 e 2.
Há ainda o projeto da estação Morro de São João, no bairro de Botafogo. Apesar das perfurações, o projeto da Linha 1 foi abandonado na década de 1990.
Sistema metroviário
Inaugurado em 1979, o metrô fluminense é, atualmente, uma concessão pública do governo do estado. A concessionária, MetrôRio, tem contrato vigente até 2038. Cabe à empresa operar o transporte. Já projetos e obras de expansão são de responsabilidade do governo.
Quando começou a funcionar, os trens transportavam 60 mil pessoas por dia, em média. No início da concessão, em 1998, o sistema contava com 24 estações, 28 quilômetros de extensão e uma média de embarques de 310 mil pessoas por dia.
Hoje são 41 estações, divididas nas Linhas 1, 2 e 4, percorrendo 54,5 quilômetros. A última ampliação da malha foi impulsionada pelo compromisso da cidade para sediar a Olimpíada 2016. Foram inauguradas cinco estações na Linha 4, fazendo a malha chegar à Barra da Tijuca, bairro que sediou competições olímpicas.
Uma peculiaridade é que, diferentemente de redes de metrô em outras cidades, em que as linhas são ramificações com conexões, a Linha 4 fluminense é, na verdade, uma continuação da Linha 1. Ou seja, um passageiro que entre em uma composição da Linha 1 pode, em minutos, se ver na Linha 4, sem precisar mudar de trem.
Atualmente, a média de passageiros de todo o sistema é de 650 mil por dia. Na Olimpíada, houve um pico de 1 milhão de pessoas transportadas em um único dia.
Expansão lenta
Mesmo tendo a rede metroviária ganhado 16 estações nos últimos 25 anos, especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que o ritmo de expansão do sistema é lento. O principal motivo principal é o custo das obras.
“Construir um metrô é extremamente caro”, diz o professor Ronaldo Balassiano, colaborador de engenharia de transportes da Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
“Para construiu o metrô, precisa ter um número de passageiros bastante robusto, porque é investimento que se paga no longuíssimo prazo”.
O professor Leandro da Rocha Vaz, do Departamento de Construção Civil e Transportes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), também aponta custo das obras com um dos freios da expansão do sistema metroviário.
“A velocidade das obras de expansão é muito lenta. É uma obra muito cara. Implantar o metrô impacta de forma importante a cidade, inclui desapropriação, túnel, obras caras e pesadas de serem construídas”.
Modais concorrentes
Alternativas de transporte de massa mais baratas de serem implementadas são outro obstáculo para o aumento do ritmo de expansão do metrô.
“Tem sistemas concorrentes que são implementados, como o BRT [ônibus exclusivos para corredores expressos], você coloca para operar com muito mais velocidade, mais rapidez. Então você investe dinheiro nesses outros sistemas de transporte”, observa Vaz.
“Um corredor BRT é uma opção muito mais barata”, completa Balassiano.
Malha insuficiente
As 41 estações do metrô do Rio de Janeiro não alcançam locais relevantes da cidade, como os aeroportos Santos Dumont (Centro) e Tom Jobim/Galeão (zona norte), e a rodoviária (zona portuária).
Já na zona oeste da cidade, com exceção da estação Jardim Oceânico, a mais recente de todas na Barra da Tijuca, não há mais nenhum terminal nesta região que concentra pouco mais de 40% da população do município e que ocupa 70% do território da cidade.
Outro ponto que mostra insuficiência da malha é que dos mais de 20 municípios da região metropolitana do Rio, apenas a capital fluminense conta com estações de metrô.
“Quanto mais metrô a gente puder ter, melhor. As grandes cidades têm o metrô ou trem chegando na rodoviária, no aeroporto”, compara Balassiano.
Para Leandro da Rocha Vaz, da Uerj, uma vez que os trajetos das linhas já estão formados, seria preciso que saíssem linhas ramificadas, que fossem ligando outros pontos da cidade que não são atendidos pelo metrô.
Superfaturamento
Além do ritmo lento de obras e uma malha que não cobre todas as regiões com concentração potencial de passageiros, a expansão do metrô precisou lidar com denúncias de corrupção.
Processos no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE) concluíram que houve superfaturamento de, pelo menos, R$ 3,7 bilhões (valores de 2021) na construção da Linha 4.
Integração
Para Ronaldo Balassiano – que atuou como gerente de transportes da Empresa Olímpica Municipal, quando o Rio se preparava para receber a Olimpíada – o trilho para melhorar o transporte de massa no estado passa por gerenciamento da mobilidade, que criaria uma conexão entre os diversos modais: trem, metrô, ônibus, ônibus expressos, etc.
“Tudo operando de forma integrada. É descer do metrô, entrar no ônibus, sair do ônibus e entrar no VLT [veículo leve sobre trilhos], sair do VLT e pegar outro modal”, exemplifica. O acesso ao sistema se daria por meio de uma tarifa única. “Uma rede dessas consegue tirar carros da rua”, avalia.
“Um transporte público que funciona, no qual a gente sabe a hora que vai entrar, a hora que vai sair. Sabe quanto tempo leva a viagem. Hoje tem tecnologia que cobre toda essa integração. Então você sabe onde está o trem, onde está o ônibus, onde está o BRT. Você sai de um sistema e vai para o outro, você não perde um minuto.”
Qualidade de vida
Iuri Moura, gerente de desenvolvimento urbano da ONG Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento, acredita que a melhora da mobilidade urbana é caminho para melhorias na qualidade de vida das pessoas.
“A expansão da rede de transporte de média e alta capacidades, incluindo o metrô, é fundamental para as nossas principais capitais e regiões metropolitanas. Isso pode dar à população maior acesso a essa rede e oferecer uma qualidade de serviço melhor e, obviamente, maior oportunidade de acesso a oportunidades essenciais, como trabalho, educação, saúde, especialmente àquela população mais vulnerabilizada, mais pobre, que, em geral, predomina entre os usuários de transporte público coletivo”.
Governo do estado
Em nota enviada à Agência Brasil, a Secretaria estadual de Transporte e Mobilidade Urbana informou que, “em 18 de agosto, criou um grupo de trabalho com o objetivo de avaliar as condições para a retomada das obras da estação da Gávea”.
Segundo o texto, técnicos da secretaria, de outros órgãos estaduais e da concessionária MetrôRio analisam “a viabilidade jurídica, econômica e de engenharia da solução proposta”.
A secretaria informou ainda que, além dos estudos para as Linhas 3 e 4, a ampliação da Linha 2, no trecho entre Praça XV e Estácio – duas estações no centro da cidade – também é uma prioridade.
“A obra já tem traçado desenhado e está no planejamento de execução do governo do estado, com projeto conceitual avançado e pré-orçamento estimado”.
Sobre a constatação do TCE de que houve superfaturamento na expansão da Linha 4, a Agência Brasil procurou o governo do estado, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto.
Fonte: EBC GERAL
BRASIL
AACCMT contribui para diagnóstico nacional da atenção ao câncer infantojuvenil
A Associação de Amigos da Criança com Câncer (AACCMT) recebeu, no dia 11, a visita técnica do Mapeamento Nacional do Câncer Infantojuvenil, iniciativa que integra o projeto OncoBrasil – Transformando a Jornada Oncológica e tem como objetivo levantar informações sobre a estrutura, os fluxos de atendimento e os principais desafios enfrentados por hospitais e instituições de apoio que atuam no cuidado de crianças e adolescentes com câncer em diferentes regiões do país.
Idealizado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) e pela Confederação Nacional das Instituições de Apoio e Assistência (CONIACC), o Mapeamento é conduzido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Departamento de Atenção ao Câncer (DECAN/SAES), o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Coordenação Geral de Projetos (CGPROJ) da SAES, por meio do Proadi-SUS. O Einstein Hospital Israelita atua como instituição executora.
A iniciativa busca construir um diagnóstico situacional da atenção oncológica infantojuvenil no Brasil, reunindo dados quantitativos e qualitativos que possam apoiar a formulação e o aprimoramento de políticas públicas, fortalecer a rede de atenção no Sistema Único de Saúde e contribuir para a redução das desigualdades regionais no acesso ao cuidado.
Durante a visita, foram abordados aspectos relacionados à infraestrutura disponível, à composição das equipes, à organização dos serviços, aos fluxos assistenciais e à articulação com a rede de atenção. A proposta é compreender a realidade local a partir da escuta e da observação dos contextos de atendimento, ao mesmo tempo em que se reconhecem experiências, desafios e estratégias já desenvolvidas pelas instituições participantes.
O Mapeamento contempla visitas e entrevistas com hospitais habilitados e não habilitados para o tratamento oncológico infantojuvenil, além de instituições de apoio, em diferentes estados brasileiros. Ao ampliar a compreensão sobre a jornada do cuidado, a iniciativa pretende gerar insumos que fortaleçam a tomada de decisão estratégica e contribuam para o aperfeiçoamento da atenção ao câncer infantojuvenil no país.
Para o vice-presidente da AACCMT, Benildes Firmo, a participação no Mapeamento representa uma oportunidade de contribuir para a construção de um panorama nacional mais consistente sobre a atenção oncológica infantojuvenil, dando visibilidade à realidade vivida nos territórios e colaborando com esforços voltados ao fortalecimento da rede de cuidado.
“Participar deste mapeamento é uma oportunidade importante para contribuir com a construção de um diagnóstico nacional mais amplo e consistente sobre a atenção oncológica infantojuvenil. Ao compartilhar a realidade vivenciada em nosso estado, ajudamos a dar visibilidade e a colaborar para o fortalecimento das políticas públicas e da rede de cuidado destinada às crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer”, destaca o vice-presidente da AACCMT”, Benildes Firmo.
O OncoBrasil – Transformando a Jornada Oncológica atua em pontos estratégicos da jornada oncológica adulta e infantojuvenil no Brasil, com foco em conscientização e prevenção do tabagismo, formação e capacitação de profissionais e diagnóstico situacional da rede de atenção ao câncer. A proposta é contribuir para o fortalecimento das políticas públicas e da atenção oncológica no SUS por meio de ações integradas voltadas à prevenção, à qualificação profissional e à geração de evidências para subsidiar decisões estratégicas.
Sobre a AACCMT
A AACMT é uma instituição sem fins lucrativos que oferece hospedagem gratuita para crianças com câncer e um acompanhante. Ao longo desses 27 anos, a instituição já acompanhou cerca de 900 crianças e adolescentes e realizou mais de 25.638 mil atendimentos.
Os assistidos vêm do interior de Mato Grosso, de outros estados, de áreas indígenas e até de outros países, em busca de tratamento em centros especializados de oncologia pediátrica em Cuiabá.
A associação disponibiliza também alimentação, transporte, atendimento psicossocial e acompanhamento multiprofissional, iniciativas que fazem a diferença na jornada de quem enfrenta a doença. Tudo isso é realizado de forma gratuita.
Quem desejar colaborar pode entrar em contato em horário comercial pelos telefones (65) 3025-0800 ou (65) 99213-8300.
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