MATO GROSSO
Polícia Civil prende dois envolvidos em homicídios de jovens em Mirassol d’Oeste
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Policiais civis de Mirassol d’Oeste prenderam em flagrante, nesta quarta-feira (17.07), dois suspeitos de envolvimento em dois homicídios ocorridos na região, nesta semana. Foram presos um jovem de 18 e um suspeito de 38 anos.
A equipe policial iniciou as diligências para esclarecer o homicídio de um jovem, ocorrido na terça-feira, e o desaparecimento do adolescente Carlos Alexandre Almeida da Cruz, de 17 anos. A mãe do jovem relatou à Polícia Civil que o filho saiu de casa na noite da última segunda-feira (15), no Jardim São Paulo, e depois foi visto em um bar da cidade, de onde saiu em companhia de duas pessoas.
Nas primeiras diligências logo após o registro do desaparecimento, a equipe da Delegacia de Mirassol d’Oeste localizou um dos suspeitos que esteve com o adolescente. O rapaz de 18 anos assumiu que levou a vítima a uma residência na cidade e foi encaminhado à delegacia. Com o suspeito estavam uma corrente e pulseira, ambas prateadas, semelhantes às que o adolescente usava quando desapareceu.
Nesta quarta-feira, continuando as investigações para esclarecer o sumiço de Carlos Alexandre, a equipe policial obteve novas informações sobre os envolvidos no desaparecimento do adolescente e seguiram ao município de Curvelândia, onde foi localizado mais um dos suspeitos. J.F.S., de 38 anos, foi localizado em um sítio, tentou fugir da abordagem e resistiu à prisão, se escondendo em um barraco.
Em entrevista com os policiais civis, ele declarou que estava com outro comparsa e após deixarem as motocicletas em uma residência, colocaram a vítima em um Fiat Uno e depois seguiram para um canavial em Curvelândia, onde Carlos Alexandre foi asfixiado com uma corda e depois enterrado.
Os policiais receberam informações de onde estaria o corpo do adolescente, que foi localizado e encaminhado para perícia em Mirassol d’Oeste.
Outro homicídio e apreensões
O suspeito de 38 anos admitiu ainda a execução do homicídio de Hitallo César Gonçalves dos Santos, de 23 anos, morto na terça-feira (16), em Mirassol d’Oeste. Ele informou ainda que após cometer o crime contra Hitallo escondeu a arma e a motocicleta em dois locais distintos.
Os policiais continuaram as buscas e localizaram, na cidade de Mirassol, a arma e uma motocicleta usadas no homicídio. Em um endereço estava escondida a moto Honda XRE e em outra casa foi apreendida a pistola Glock 17, de calibre 9mm, com duas munições intactas.
O delegado Gustavo Ataíde explica que as investigações continuam para prisão dos demais envolvidos nos homicídios de Hitallo e Carlos Alexandre.
Fonte: Governo MT – MT
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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.