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Trabalhadores do Shopping Popular chegam a acordo para recebimento de salários

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Em audiências realizadas pela Justiça do Trabalho de Mato Grosso, 27 acordos foram firmados em reclamações pré-processuais de funcionários do Shopping Popular, em Cuiabá. As tratativas trataram do pagamento parcelado de salários pendentes e verbas rescisórias. Os encontros ocorreram entre os dias 9 e 13 de dezembro, sob a organização do Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejusc) de 1º grau de Cuiabá.

A tragédia que destruiu o Shopping Popular na madrugada de 15 de julho de 2024 motivou a iniciativa. O incêndio devastou cerca de 600 boxes, gerando grandes prejuízos para os proprietários e impactando centenas de trabalhadores, incluindo os empregados da Associação dos Camelôs do Shopping Popular. O local abrigava lojas de roupas, assistência técnica, eletrônicos e uma praça de alimentação.

Após o ocorrido, a Associação dos Camelôs buscou orientações junto ao Cejusc para tratar dos contratos de trabalho afetados. Como solução, foram sugeridas reclamações pré-processuais, possibilitando a negociação individual com os trabalhadores.

No total, foram ajuizadas 28 reclamações, e 27 audiências foram conduzidas ao longo da última semana pelo juiz Kleberton Cracco, coordenador do Cejusc de 1º grau, que destacou a importância do trabalho conciliatório realizado.

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“Ficamos muito felizes em intermediar esses acordos. O incêndio foi uma grande tragédia e, certamente, desestabilizou o planejamento da associação e dos empregados”.

O magistrado também enfatizou o papel essencial do Cejusc nesse processo:

“Acredito que o principal papel do Cejusc é, sem qualquer pressa ou imposição, aproximar, ouvir e tentar ajudar as partes a solucionar os problemas jurídicos delas, a fim de que encerrem os processos judiciais por meio de um acordo”.

Os acordos firmados garantem o pagamento parcelado de salários e verbas rescisórias, além da liberação de guias para saque do FGTS e do seguro-desemprego. As negociações representam um avanço na minimização dos impactos da tragédia, trazendo um desfecho menos traumático para os empregados da Associação do Shopping Popular.

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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões

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Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação

O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.

A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.

O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.

Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.

Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.

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Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.

“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.

Credores aprovam novo período de proteção

Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.

A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.

O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.

Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira

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Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.

Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.

Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.

“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.

Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.

A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.

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