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Mostra reúne mais de mil obras para o Museu das Origens em SP

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Na madrugada de 8 de julho de 1978, um incêndio atingiu o Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro e consumiu quase a totalidade de seu acervo. Mais de 580 obras, principalmente de pinturas, desapareceram com as chamas. Além disso, toda a sua biblioteca foi perdida.

Foi refletindo sobre esse incêndio e o risco para outras instituições culturais brasileiras que o pesquisador, ativista, jornalista e crítico de arte Mário Pedrosa surgiu com uma proposta inusitada para a época: criar o Museu das Origens. Sua ideia era reunir cinco museus que, mesmo organizados de forma independente, funcionariam de maneira orgânica e articulada.

“Em face da destruição total pelo incêndio do MAM, é imperativo que se tire uma conclusão lógica da catástrofe: o MAM acabou. A situação mudou. Os tempos são outros, ou mesmo a ideologia que inspirou os que o fizeram mais de vinte anos atrás, mudou. Daí a necessidade de chamar outras forças e o Estado para criar outro estabelecimento congênere, com outras finalidades”, escreveu Pedrosa em artigo publicado na revista Arte Hoje, em 1978.

São Paulo SP 15/09/2023   Exposição no Itaú Cultural, “Ensaios para o Museu das Origens” faz um mergulho na proposta de Mario Pedrosa. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil São Paulo SP 15/09/2023   Exposição no Itaú Cultural, “Ensaios para o Museu das Origens” faz um mergulho na proposta de Mario Pedrosa. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

Mostra faz um mergulho na proposta de Mario Pedrosa. Foto – Paulo Pinto/Agência Brasil

A proposta de Pedrosa reuniria o Museu de Arte Moderna, o Museu de Arte Virgem (formado a partir do Museu de Imagens do Inconsciente), o Museu do Índio, o Museu do Negro e o Museu de Artes Populares. Mas sua proposta jamais se concretizou.

Inspirados na ideia, o Itaú Cultural e o Instituto Tomie Ohtake, duas instituições culturais localizadas na capital paulista, se uniram para criar uma exposição conjunta, que foi chamada de Ensaios para o Museu das Origens. A mostra está em cartaz em cinco salas das duas instituições [três delas no Itaú Cultural e duas no Tomie Ohtake] e reúne mais de mil itens, entre pinturas, esculturas, documentos, fotografias e vídeos, entre outros.

“Quando o MAM pegou fogo, Pedrosa olhou para isso como uma possibilidade de integrar as artes que ele estava pesquisando. A exposição Ensaios para o Museu das Origens traz cinco eixos, que são inspiradas nas propostas de eixos que o Mário Pedrosa fez”, explicou Juliano Ferreira, coordenador de artes visuais do Itaú Cultural, em entrevista à Agência Brasil.

Mário Pedrosa tinha recém-retornado do exílio ao Brasil quando o MAM foi consumido pelas chamas. “Quando ele voltou [do exílio] em 1978, o MAM do Rio de Janeiro pegou fogo. O incêndio havia sido causado por uma chama elétrica e grande parte do acervo do museu foi perdida. A partir daí, o jornalista e muitos outros críticos do momento se reuniram para pensar o que deveria ser feito com aquele museu e sob quais bases um museu que foi destruído poderia ser reconstruído. E aí Pedrosa fez essa proposta de reconstrução do MAM a partir de cinco museus”, disse Ana Roman, curadora adjunta da exposição.

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“Dois deles já existiam, como o Museu do Índio e o Museu do Inconsciente, e os demais seriam formados. Esses cinco museus orbitariam em torno de um centro de atividades comuns. Eles teriam seus próprios curadores, suas próprias estruturas institucionais mas, de alguma forma, tudo estaria em diálogo constante. A é uma proposta muito interessante de se pensar o museu e muito interdisciplinar e contemporânea”, acrescentou a curadora.

Integração

A exposição agora em cartaz é resultado de uma extensa pesquisa e tem curadoria geral de Izabela Pucu e Paulo Miyada, curadoria adjunta de Ana Roman e participação dos curadores convidados Daiara Tukano e Thiago de Paula Souza. Embora ocupe dois espaços expositivos, ela é uma só, podendo ser visitada em qualquer ordem. Seu objetivo é fazer um percurso pela história do Brasil, tomando a arte e a cultura como alicerces e passando pela memória de múltiplas ancestralidades.

Para a mostra, não houve divisões por temas ou por museus. Tudo se mistura e tudo se integra. “O Mário tinha essa proposta de borrar essas fronteiras das artes, de trazer as grandes artes para o mesmo nível, sem divisão do que era popular ou erudito. Mais do que uma proposta, ele quis nos fazer pensar quais são os limites, o que é arte, o que é essa produção”, disse Ferreira.

Somando os espaços expositivos, a exibição se estende por 1,5 mil metros, com obras de artistas, coletivos e mais de 20 instituições culturais e museus dedicadas à preservação e difusão da memória brasileira.

“Revisitamos essa história do Mário Pedrosa, temos como um ponto de partida para olharmos para as instituições e gestos que temos na atualidade para contar um pouco dessas histórias. Elas são instituições que, apesar do descaso das políticas públicas e das dificuldades muitas vezes encontradas, resistem, sobrevivem, trazem e contam parte da história do Brasil e de nós brasileiros”,  disse a curadora adjunta Ana Roman.

“Temos esses cinco museus como ponto de partida, mas eles vão se desdobrando em outras coisas. Por exemplo, a gente olha para essa pluralidade dos museus trazidas pelo Pedrosa, mas a gente sentia falta de falar de um mundo da natureza. Então, para essa exposição, trouxemos também instituições como a Serra da Capivara, o Museu Goeldi [Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém] e o Museu do Marajó.”

São Paulo SP 15/09/2023   Exposição no Itaú Cultural, “Ensaios para o Museu das Origens” faz um mergulho na proposta de Mario Pedrosa. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil São Paulo SP 15/09/2023   Exposição no Itaú Cultural, “Ensaios para o Museu das Origens” faz um mergulho na proposta de Mario Pedrosa. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

Participam da mostra artistas, coletivos e mais de 20 instituições culturais e museus Foto Paulo Pinto/Agência Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil

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O público que for visitar a exposição vai se deparar com estrutura comum para cada uma das salas. No centro delas há uma roda ou uma antessala, onde são apresentadas as histórias institucionais. Cada sala também apresenta obras de um artista convidado, que dialogam com o que está sendo apresentado. “Levamos artistas para as instituições e para os espaços institucionais e os artistas trouxeram trabalhos que dialogassem com aqueles espaços”, disse a curadora.

Outro destaque é a instalação de uma mesa documental, com pastas e documentos complementares para consultas.

Memórias e resistência

A mostra Ensaios sobre o Museu das Origens pode fazer o público refletir sobre a importância da memória, dos legados e institucionalização cultural, disse o coordenador de artes visuais do Itaú Cultural. “Mais do que do apagamento, a mostra fala sobre a questão do acervo e a importância da institucionalização da arte e desses acervos que resistem, apesar do Brasil.”

“A exposição é quase um chamamento para a gente olhar para essas instituições, para esse legado e esse acervo e olhar também para a importância dessa memória. Ela trata sobre resistência e sobre essa questão da preservação do acervo, com a precariedade e o desafio que são postos a esses museus”, acrescentou.

Segundo a resistência institucional, reforçou Ana, é uma das bases da mostra. “A exposição traz casos que falam sobre uma resistência institucional. Não só do MAM, que se reconstruiu e se reconstituiu, mas o museu é um exemplo interessante. Continua mudando e se transformando. Aqui, nessa exposição, estamos diante de instituições que, apesar das dificuldades e dos processos – e apesar do Brasil – resistem e constituem lugares de memória”, ressaltou. “A exposição é sobre esse atualizar, sobre instituições que se dobram em si mesma e viram outra coisa. A atualidade da exposição está muito nesse lugar.”

Para Ana, a mostra apresenta um olhar de esperança sobre o que vem sendo preservado e produzido no país. “É uma exposição que traz um pouco desse lugar de esperança e de olhar para o que tem sido feito. Muitas vezes a gente esquece que as coisas acontecem e estão acontecendo agora. E isso ocorre a partir de uma resistência popular, de movimentos sociais não institucionalizados, mas que estão colocando práticas instituintes constantemente e tomando frente desses processos de ressignificação e de pensar sobre sua própria memória”, destacou.

A exposição Ensaios para o Museu das Origens é gratuita e acontece até o dia 28 de janeiro de 2024. A curadoria das duas instituições também pensa em promover rodas de conversa, visitas virtuais, o lançamento de um catálogo e outras atividades para além da exposição. Mais informações podem ser obtidas nos sites do Itaú Cultural e do Instituto Tomie Ohtake.

Fonte: EBC GERAL

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AACCMT contribui para diagnóstico nacional da atenção ao câncer infantojuvenil

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A Associação de Amigos da Criança com Câncer (AACCMT) recebeu, no dia 11, a visita técnica do Mapeamento Nacional do Câncer Infantojuvenil, iniciativa que integra o projeto OncoBrasil – Transformando a Jornada Oncológica e tem como objetivo levantar informações sobre a estrutura, os fluxos de atendimento e os principais desafios enfrentados por hospitais e instituições de apoio que atuam no cuidado de crianças e adolescentes com câncer em diferentes regiões do país.

Idealizado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) e pela Confederação Nacional das Instituições de Apoio e Assistência (CONIACC), o Mapeamento é conduzido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Departamento de Atenção ao Câncer (DECAN/SAES), o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Coordenação Geral de Projetos (CGPROJ) da SAES, por meio do Proadi-SUS. O Einstein Hospital Israelita atua como instituição executora.

A iniciativa busca construir um diagnóstico situacional da atenção oncológica infantojuvenil no Brasil, reunindo dados quantitativos e qualitativos que possam apoiar a formulação e o aprimoramento de políticas públicas, fortalecer a rede de atenção no Sistema Único de Saúde e contribuir para a redução das desigualdades regionais no acesso ao cuidado.

Durante a visita, foram abordados aspectos relacionados à infraestrutura disponível, à composição das equipes, à organização dos serviços, aos fluxos assistenciais e à articulação com a rede de atenção. A proposta é compreender a realidade local a partir da escuta e da observação dos contextos de atendimento, ao mesmo tempo em que se reconhecem experiências, desafios e estratégias já desenvolvidas pelas instituições participantes.

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O Mapeamento contempla visitas e entrevistas com hospitais habilitados e não habilitados para o tratamento oncológico infantojuvenil, além de instituições de apoio, em diferentes estados brasileiros. Ao ampliar a compreensão sobre a jornada do cuidado, a iniciativa pretende gerar insumos que fortaleçam a tomada de decisão estratégica e contribuam para o aperfeiçoamento da atenção ao câncer infantojuvenil no país.

Para o vice-presidente da AACCMT, Benildes Firmo, a participação no Mapeamento representa uma oportunidade de contribuir para a construção de um panorama nacional mais consistente sobre a atenção oncológica infantojuvenil, dando visibilidade à realidade vivida nos territórios e colaborando com esforços voltados ao fortalecimento da rede de cuidado.

“Participar deste mapeamento é uma oportunidade importante para contribuir com a construção de um diagnóstico nacional mais amplo e consistente sobre a atenção oncológica infantojuvenil. Ao compartilhar a realidade vivenciada em nosso estado, ajudamos a dar visibilidade e a colaborar para o fortalecimento das políticas públicas e da rede de cuidado destinada às crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer”, destaca o vice-presidente da AACCMT”, Benildes Firmo.

O OncoBrasil – Transformando a Jornada Oncológica atua em pontos estratégicos da jornada oncológica adulta e infantojuvenil no Brasil, com foco em conscientização e prevenção do tabagismo, formação e capacitação de profissionais e diagnóstico situacional da rede de atenção ao câncer. A proposta é contribuir para o fortalecimento das políticas públicas e da atenção oncológica no SUS por meio de ações integradas voltadas à prevenção, à qualificação profissional e à geração de evidências para subsidiar decisões estratégicas.

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Sobre a AACCMT
A AACMT é uma instituição sem fins lucrativos que oferece hospedagem gratuita para crianças com câncer e um acompanhante. Ao longo desses 27 anos, a instituição já acompanhou cerca de 900 crianças e adolescentes e realizou mais de 25.638 mil atendimentos.

Os assistidos vêm do interior de Mato Grosso, de outros estados, de áreas indígenas e até de outros países, em busca de tratamento em centros especializados de oncologia pediátrica em Cuiabá.

A associação disponibiliza também alimentação, transporte, atendimento psicossocial e acompanhamento multiprofissional, iniciativas que fazem a diferença na jornada de quem enfrenta a doença. Tudo isso é realizado de forma gratuita.

Quem desejar colaborar pode entrar em contato em horário comercial pelos telefones (65) 3025-0800 ou (65) 99213-8300.

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