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RJ: reclamações por falta de refrigeração em ônibus passam de 5 mil
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A situação precária do transporte coletivo do Rio de Janeiro ganha ares dramáticos no verão, com a falta de ar-condicionado na frota de ônibus urbano, quando a sensação térmica pode passar dos 40 graus Celsius (°C) na cidade.

O alto número de reclamações à prefeitura comprova o problema. Apenas no último mês, foram contabilizadas 5.241 denúncias no canal exclusivo para registros sobre ônibus sem ar-condicionado, serviço lançado no início de novembro.
Segundo a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), desde janeiro foram aplicadas 770 multas por falta de ar-condicionado em coletivos, com a fiscalização se intensificando a partir da criação do canal exclusivo de denúncias.
O problema, porém, persiste. A estudante Naomi Toribio, de 21 anos, utiliza a linha 485 (Fundão – Ipanema) para ir para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e já reconhece os veículos da frota, que é bem pequena na linha.
“Tem um ônibus com ar-condicionado bom na frota e um ônibus que finge que tem ar-condicionado, mas não adianta nada e é pior ainda porque as janelas não abrem, então fica um forno lá dentro”.
A climatização da frota é uma promessa antiga da prefeitura, vem desde 2012, e no início de 2020 um novo acordo foi feito com as empresas para garantir os equipamentos no veículos.
Durante o período mais crítico da pandemia de covid-19, em 2020 e 2021, os ônibus estavam proibidos de ligar o ar-condicionado, como medida de prevenção sanitária. Porém, a determinação foi suspensa há mais de um ano.
De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), a questão tem idas e voltas na justiça e a determinação mais recente extinguiu o processo, tendo em vista um acordo firmado pelas empresas de ônibus com a prefeitura em maio deste ano.
“A 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Ordem Urbanística da Capital interpôs um recurso em outubro de 2022 por considerar que a questão ainda não estaria superada e que a decisão judicial deveria ser anulada, de modo a que fosse dada continuidade ao programa de climatização da frota de ônibus. O recurso do Ministério Público ainda está pendente de julgamento pelo Poder Judiciário”, informou o MPRJ.
O Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus) não retornou o questionamento da reportagem sobre o avanço da climatização da frota.
Outros problemas
A universitária Naomi explica que a falta de ar-condicionado é apenas um dos problemas que ela vivencia nos ônibus. Para ela, o pior de todos é a baixa frequência e a lotação dos veículos.
“Eu acho que o pior problema do 485 é a frequência dele, que não é o suficiente para atender os alunos, principalmente de manhã cedinho. Às vezes a gente fica quase uma hora esperando o ônibus, porque demora muito para passar e quando passa está tão lotado que o motorista nem para no ponto. O 485 também não passa no final de semana e só passa de manhã e no final da tarde, no meio da tarde não passa”.
Naomi aponta, ainda, o estado de conservação dos veículos, com quase todos “literalmente caindo aos pedaços”.
“Acontece de quebrar no meio do caminho e ter que ficar no meio da Linha Vermelha [via expressa] esperando o próximo passar. Já peguei ônibus com o balaústre quebrado, com coisa solta, com acento solto, já vi barata andando dentro do ônibus. Teve uma vez que choveu dentro do ônibus, porque tinha um buraco no teto. Ônibus com buraco no chão também é bastante frequente, com janela que não fecha ou janela que não abre”.
Todos esses problemas são apontados também pelo MPRJ. O promotor Rodrigo Terra, que atua na área do consumidor, lembra que há muitos anos o órgão cobra melhorias no sistema de transporte coletivo da cidade.
De acordo com ele, já foram apontados diversos motivos para suspender os contratos de concessão, com mais de 200 ações impetradas na Justiça.
“O serviço é de má qualidade, com o sucateamento da frota, pneu furado, infestação de barata, barra de direção com rachaduras, cigarra inoperante, uma série de questões que impossibilitariam que o coletivo tivesse circulando. Outra questão é o encurtamento de trajetos. A empresa resolve parar antes do final do trecho determinado, outras [linhas] são extintas e, de repente, somem. Circular também com frota abaixo dos 80% do que é autorizado, por exemplo uma linha que circula com três ônibus quando deveria circular com dez ônibus”.
O promotor aponta também a falta de transparência na prestação de contas das concessionárias, atestada por grandes empresas de auditoria, que afirmaram não ser possível avaliar o sistema com os dados fornecidos. Segundo ele, essas questões poderiam gerar a caducidade dos contratos, mas o acordo judicial feito em maio para regular a forma de remuneração para as empresas suspendeu os demais pedidos do MPRJ.
“Os ônibus transportam 4 milhões de usuários por dia e se esse serviço fica desfalcado, causa um impacto muito grande na cidade. Então foi feita a composição no processo da caducidade para a forma de remuneração. O próprio concessionário arrecadava o valor da tarifa e apenas informava o poder concedente, com aqueles documentos que não são confiáveis. Nessa composição, a arrecadação das tarifas é feita pelo próprio município, que se encarrega de repassar ao concessionário a remuneração, de acordo com uma série de fatores que vão influenciar no valor. Isso é muito bom porque abre a caixa preta, né?”
A SMTR informou que fiscaliza de forma rotineira o estado de conservação dos ônibus e que, em caso de irregularidades, “o consórcio responsável é autuado e os veículos, dependendo do estado, podem ser lacrados”.
A secretaria informou também que monitora a operação dos ônibus e atesta a quilometragem rodada por meio de GPS. “As linhas que não cumprem a quilometragem mínima exigida não recebem o pagamento de subsídio, conforme disposto em cláusula do acordo judicial firmado entre Prefeitura, consórcios e Ministério Público Estadual”.
O Rio Ônibus não retornou o contado.
Edição: Denise Griesinger
Fonte: EBC Geral
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AACCMT contribui para diagnóstico nacional da atenção ao câncer infantojuvenil
A Associação de Amigos da Criança com Câncer (AACCMT) recebeu, no dia 11, a visita técnica do Mapeamento Nacional do Câncer Infantojuvenil, iniciativa que integra o projeto OncoBrasil – Transformando a Jornada Oncológica e tem como objetivo levantar informações sobre a estrutura, os fluxos de atendimento e os principais desafios enfrentados por hospitais e instituições de apoio que atuam no cuidado de crianças e adolescentes com câncer em diferentes regiões do país.
Idealizado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) e pela Confederação Nacional das Instituições de Apoio e Assistência (CONIACC), o Mapeamento é conduzido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Departamento de Atenção ao Câncer (DECAN/SAES), o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Coordenação Geral de Projetos (CGPROJ) da SAES, por meio do Proadi-SUS. O Einstein Hospital Israelita atua como instituição executora.
A iniciativa busca construir um diagnóstico situacional da atenção oncológica infantojuvenil no Brasil, reunindo dados quantitativos e qualitativos que possam apoiar a formulação e o aprimoramento de políticas públicas, fortalecer a rede de atenção no Sistema Único de Saúde e contribuir para a redução das desigualdades regionais no acesso ao cuidado.
Durante a visita, foram abordados aspectos relacionados à infraestrutura disponível, à composição das equipes, à organização dos serviços, aos fluxos assistenciais e à articulação com a rede de atenção. A proposta é compreender a realidade local a partir da escuta e da observação dos contextos de atendimento, ao mesmo tempo em que se reconhecem experiências, desafios e estratégias já desenvolvidas pelas instituições participantes.
O Mapeamento contempla visitas e entrevistas com hospitais habilitados e não habilitados para o tratamento oncológico infantojuvenil, além de instituições de apoio, em diferentes estados brasileiros. Ao ampliar a compreensão sobre a jornada do cuidado, a iniciativa pretende gerar insumos que fortaleçam a tomada de decisão estratégica e contribuam para o aperfeiçoamento da atenção ao câncer infantojuvenil no país.
Para o vice-presidente da AACCMT, Benildes Firmo, a participação no Mapeamento representa uma oportunidade de contribuir para a construção de um panorama nacional mais consistente sobre a atenção oncológica infantojuvenil, dando visibilidade à realidade vivida nos territórios e colaborando com esforços voltados ao fortalecimento da rede de cuidado.
“Participar deste mapeamento é uma oportunidade importante para contribuir com a construção de um diagnóstico nacional mais amplo e consistente sobre a atenção oncológica infantojuvenil. Ao compartilhar a realidade vivenciada em nosso estado, ajudamos a dar visibilidade e a colaborar para o fortalecimento das políticas públicas e da rede de cuidado destinada às crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer”, destaca o vice-presidente da AACCMT”, Benildes Firmo.
O OncoBrasil – Transformando a Jornada Oncológica atua em pontos estratégicos da jornada oncológica adulta e infantojuvenil no Brasil, com foco em conscientização e prevenção do tabagismo, formação e capacitação de profissionais e diagnóstico situacional da rede de atenção ao câncer. A proposta é contribuir para o fortalecimento das políticas públicas e da atenção oncológica no SUS por meio de ações integradas voltadas à prevenção, à qualificação profissional e à geração de evidências para subsidiar decisões estratégicas.
Sobre a AACCMT
A AACMT é uma instituição sem fins lucrativos que oferece hospedagem gratuita para crianças com câncer e um acompanhante. Ao longo desses 27 anos, a instituição já acompanhou cerca de 900 crianças e adolescentes e realizou mais de 25.638 mil atendimentos.
Os assistidos vêm do interior de Mato Grosso, de outros estados, de áreas indígenas e até de outros países, em busca de tratamento em centros especializados de oncologia pediátrica em Cuiabá.
A associação disponibiliza também alimentação, transporte, atendimento psicossocial e acompanhamento multiprofissional, iniciativas que fazem a diferença na jornada de quem enfrenta a doença. Tudo isso é realizado de forma gratuita.
Quem desejar colaborar pode entrar em contato em horário comercial pelos telefones (65) 3025-0800 ou (65) 99213-8300.
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