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Um mês após atos golpistas, exposição em Brasília celebra a democracia

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Inaugurada no primeiro dia de 2023, a exposição Brasil futuro: as formas da democracia, no Museu Nacional da República (MuN), em Brasília, é um espaço para a reflexão sobre a política nacional e o regime em permanente construção, especialmente após os atentados às sedes dos Três Poderes da República, em 8 de janeiro, que nesta quarta-feira (8) completa um mês.

Brasilia 07/02/2023 - Obra da artista Aline Albuquerque, na exposição Brasil futuro - As formas da democracia, no Museu da República. Brasilia 07/02/2023 - Obra da artista Aline Albuquerque, na exposição Brasil futuro - As formas da democracia, no Museu da República.

Obra Agitprop, de Aline Albuquerque, no Museu Nacional da Republica – Joedson Alves/Agencia Brasil

A mostra planejada em 2022, no período de transição para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi efetivamente criada para marcar a retomada do setor cultural no Brasil, com a recriação do Ministério da Cultura e traz aspectos de novos direitos sociais e da pluralidade do país.

A diretora do Museu Nacional da República, Sara Seilert, conta que a importância da exposição ganhou novos contornos após os atos golpistas, atraindo um público maior e com mais repercussão:

“Estamos atentos e, ainda, em resistência. Porque não é como se a democracia estivesse garantida nesse país. A gente tem que estar o tempo todo em trabalho de luta por essa conquista”.

Sara revelou à Agência Brasil que o Museu Nacional só não foi depredado, naquele domingo, porque houve agilidade para fechar as portas, logo que perceberam a grande movimentação de extremistas a caminho da Esplanada dos Ministérios.

Para a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz, uma das curadoras da mostra, o impacto dos atentados à democracia é imenso, mas, a tornará ainda mais forte.

”Nos momentos que parecem de maior plenitude da democracia, existem sempre ameaças golpistas, autoritárias, que vêm aí mostrar como este é um regime que precisa ser cuidado, amparado e aprimorado também”.

Lilia fez a curadoria da exposição ao lado do arquiteto Rogério Carvalho; do secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares; além da contribuição do ator e comediante Paulo Vieira.

“A gente tentou trazer a potência dos trabalhos dos artistas no sentido de projetar uma sociedade mais democrática, porque é mais plural e mais inclusiva. (…) Nossa intenção foi trazer esses agentes sociais se fortalecendo, se projetando na redemocratização e que resumem essa sociedade tão diversa, plural”.

Brasilia 07/02/2023 - Conjunto de obras de 104 artistas com mais de 200 pecas em exposica denominadas de “Descolonizar”, na “Exposicao Brasil futuro - As formas da democracia”, no museu da Republica. Brasilia 07/02/2023 - Conjunto de obras de 104 artistas com mais de 200 pecas em exposica denominadas de “Descolonizar”, na “Exposicao Brasil futuro - As formas da democracia”, no museu da Republica.

Acervo em exposição traz mais de 200 peças, de 104 artistas – Joedson Alves/Agencia Brasil

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Acervo

Até 26 de fevereiro, quem for ao museu, no centro da capital, pode conferir as mais de 200 obras de 104 artistas, que buscam celebrar a democracia, transformando o museu em espaço de diálogo. O público é convidado a refletir sobre a riqueza de gênero, étnica, regional e de linguagens presentes na cultura do Brasil.

As peças estão expostas na instituição em três núcleos:

  • Retomar Símbolos: para mostrar que ícones da nação brasileira, como a bandeira nacional e suas cores – verde e amarelo –, não podem ser sequestradas por um grupo ou setor. Os símbolos são de todos;
  • Descolonizar: para questionar o passado autoritário, de colonização europeia, escravidão, exploração dos povos originários e exclusão de mulheres e orientação de gênero;
  • Somos Nós: para refletir a pluralidade da sociedade, com experiências sobre o que é ser um brasileiro, uma brasileira.

Sobre as artes visuais em exposição – como telas, esculturas, bordados e colagens –, algumas foram cedidas por artistas contemporâneos e outras compõem o acervo do próprio Museu da República e da Presidência da República.

Brasilia 07/02/2023 - Uma mulher é vista em silhueta observando a obra sobre drywall e quatro monitores de TV da série Teatro Nagô Cartesiano. A cruz que penetra Pindorama, do artista, Thiago Martins de Melo, na Exposição Brasil futuro Brasilia 07/02/2023 - Uma mulher é vista em silhueta observando a obra sobre drywall e quatro monitores de TV da série Teatro Nagô Cartesiano. A cruz que penetra Pindorama, do artista, Thiago Martins de Melo, na Exposição Brasil futuro

Obra sobre drywall e monitores de TV do artista Thiago Martins de Melo: A cruz que penetra pindoramaJoedson Alves/Agencia Brasil

Um dos quadros destacados no centro da exposição, no núcleo Somos Nós, tem o título A Queda do Céu e a Mãe de Todas as Lutas, da ativista Daiara Tukano. Nascida em São Paulo e residente em Brasília, a artista e educadora pintou a tela de 4 metros (m) por 2m no próprio espaço, especialmente para o evento. No site da artista, ela afirma que “honrar a verdade e a memória de nosso povo é seguir nossa luta e celebrar nossa identidade”.

Clique aqui e confira a programação completa do Museu Nacional da República.

Público

Brasília 07/02/2023 - Stefanie Lima Nascimento observa obra acrílico e pastel oleoso sobre tela do artista Elian Almeida na exposição Brasil futuro - As formas da democracia, no Museu da República. Brasília 07/02/2023 - Stefanie Lima Nascimento observa obra acrílico e pastel oleoso sobre tela do artista Elian Almeida na exposição Brasil futuro - As formas da democracia, no Museu da República.

A estudante Stefanie Lima Nascimento, de São Paulo observa obra em acrílico e pastel oleoso sobre tela, do artista Elian Almeida – Joedson Alves/Agencia Brasil

Um mês após os ataques à democracia, a estudante de Relações Internacionais, em São Paulo, Stefanie do Nascimento, teve a oportunidade de conferir as obras da exposição e se impressionou com a pluralidade retratada. “Como militante, eu acho incríveis as manifestações em prol da democracia. Eu acho importante, principalmente, para as futuras gerações.”

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Já o professor do ensino fundamental da rede pública em Brasília, Amauri Barbosa de Amorim, tirou fotos das obras e defendeu a liberdade de expressão.

“A arte sem questionar, sem refletir, não é arte. A arte em si é o que é porque questiona, porque reflete. Ela faz com que as pessoas reflitam sobre os temas da atualidade, no caso a democracia. A política nos tempos de hoje é muito importante e fundamental para nossa sociedade.”

A designer Vitória Giácomo se disse impactada com o que viu. “Achei simbólico já começar o ano falando de tudo o que tem que falar, mexendo em tudo que precisa ser mexido e retomar todos esses temas que não estavam sendo falados”.  Para ela, os vândalos que invadiram e depredaram o centro de Brasília, no último dia 8, deveriam visitar a exposição e estudar sobre o que os artistas produzem e trazem para a discussão”.

Brasília 07/02/2023 - Catarina Antunes observa um conjunto de obras de 104 artistas com mais de 200 pecas em exposição denominada Descolonizar, na exposição Brasil futuro - As formas da democracia”, no Museu da República. Brasília 07/02/2023 - Catarina Antunes observa um conjunto de obras de 104 artistas com mais de 200 pecas em exposição denominada Descolonizar, na exposição Brasil futuro - As formas da democracia”, no Museu da República.

Estudante brasiliense Catarina Antunes na exposição gratuita que vai até o próximo dia 26- Joedson Alves/Agencia Brasil

A estudante Catarina Antunes Outra estudante, que cursa Teoria Crítica e História da Arte, em Brasília, visitou o espaço e conta que enxergou lições para o futuro do país, a partir da tentativa de golpe.

“A gente tem essa esperança de que não aconteça mais porque as pessoas entenderem que não é assim que é feita a democracia. A democracia é livre arbítrio, todo mundo em conjunto fazendo uma escolha. E se foi feita essa escolha [eleger o presidente Lula], tem que ser respeitada assim, como foi respeitada antes. O respeito tem que prevalecer no país”, finaliza Catarina.

Brasília 07/02/2023 - Obra óleo sobre tela Pro futuro do artista Marlon Amaro, na exposição Brasil futuro - As formas da democracia,  no Museu da República. Brasília 07/02/2023 - Obra óleo sobre tela Pro futuro do artista Marlon Amaro, na exposição Brasil futuro - As formas da democracia,  no Museu da República.

Obra em óleo sobre tela Pro futuro, do artista Marlon Amaro – Joedson Alves/Agencia Brasil

Serviço

Data: até 26 de fevereiro
Horário: das 9h às 18h30, de terça-feira a domingo
Visitação gratuita
Local: Museu Nacional da República – Setor Cultural Sul, Lote 2. Ao lado da Catedral e próximo à Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília (DF)

Edição: Denise Griesinger

Fonte: EBC Geral

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AACCMT contribui para diagnóstico nacional da atenção ao câncer infantojuvenil

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A Associação de Amigos da Criança com Câncer (AACCMT) recebeu, no dia 11, a visita técnica do Mapeamento Nacional do Câncer Infantojuvenil, iniciativa que integra o projeto OncoBrasil – Transformando a Jornada Oncológica e tem como objetivo levantar informações sobre a estrutura, os fluxos de atendimento e os principais desafios enfrentados por hospitais e instituições de apoio que atuam no cuidado de crianças e adolescentes com câncer em diferentes regiões do país.

Idealizado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) e pela Confederação Nacional das Instituições de Apoio e Assistência (CONIACC), o Mapeamento é conduzido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Departamento de Atenção ao Câncer (DECAN/SAES), o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Coordenação Geral de Projetos (CGPROJ) da SAES, por meio do Proadi-SUS. O Einstein Hospital Israelita atua como instituição executora.

A iniciativa busca construir um diagnóstico situacional da atenção oncológica infantojuvenil no Brasil, reunindo dados quantitativos e qualitativos que possam apoiar a formulação e o aprimoramento de políticas públicas, fortalecer a rede de atenção no Sistema Único de Saúde e contribuir para a redução das desigualdades regionais no acesso ao cuidado.

Durante a visita, foram abordados aspectos relacionados à infraestrutura disponível, à composição das equipes, à organização dos serviços, aos fluxos assistenciais e à articulação com a rede de atenção. A proposta é compreender a realidade local a partir da escuta e da observação dos contextos de atendimento, ao mesmo tempo em que se reconhecem experiências, desafios e estratégias já desenvolvidas pelas instituições participantes.

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O Mapeamento contempla visitas e entrevistas com hospitais habilitados e não habilitados para o tratamento oncológico infantojuvenil, além de instituições de apoio, em diferentes estados brasileiros. Ao ampliar a compreensão sobre a jornada do cuidado, a iniciativa pretende gerar insumos que fortaleçam a tomada de decisão estratégica e contribuam para o aperfeiçoamento da atenção ao câncer infantojuvenil no país.

Para o vice-presidente da AACCMT, Benildes Firmo, a participação no Mapeamento representa uma oportunidade de contribuir para a construção de um panorama nacional mais consistente sobre a atenção oncológica infantojuvenil, dando visibilidade à realidade vivida nos territórios e colaborando com esforços voltados ao fortalecimento da rede de cuidado.

“Participar deste mapeamento é uma oportunidade importante para contribuir com a construção de um diagnóstico nacional mais amplo e consistente sobre a atenção oncológica infantojuvenil. Ao compartilhar a realidade vivenciada em nosso estado, ajudamos a dar visibilidade e a colaborar para o fortalecimento das políticas públicas e da rede de cuidado destinada às crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer”, destaca o vice-presidente da AACCMT”, Benildes Firmo.

O OncoBrasil – Transformando a Jornada Oncológica atua em pontos estratégicos da jornada oncológica adulta e infantojuvenil no Brasil, com foco em conscientização e prevenção do tabagismo, formação e capacitação de profissionais e diagnóstico situacional da rede de atenção ao câncer. A proposta é contribuir para o fortalecimento das políticas públicas e da atenção oncológica no SUS por meio de ações integradas voltadas à prevenção, à qualificação profissional e à geração de evidências para subsidiar decisões estratégicas.

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Sobre a AACCMT
A AACMT é uma instituição sem fins lucrativos que oferece hospedagem gratuita para crianças com câncer e um acompanhante. Ao longo desses 27 anos, a instituição já acompanhou cerca de 900 crianças e adolescentes e realizou mais de 25.638 mil atendimentos.

Os assistidos vêm do interior de Mato Grosso, de outros estados, de áreas indígenas e até de outros países, em busca de tratamento em centros especializados de oncologia pediátrica em Cuiabá.

A associação disponibiliza também alimentação, transporte, atendimento psicossocial e acompanhamento multiprofissional, iniciativas que fazem a diferença na jornada de quem enfrenta a doença. Tudo isso é realizado de forma gratuita.

Quem desejar colaborar pode entrar em contato em horário comercial pelos telefones (65) 3025-0800 ou (65) 99213-8300.

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