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“Agora a gente vai conseguir produzir o ano todo”, afirma produtor familiar que recebeu kit de irrigação do Governo de MT

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Produtores familiares de Tapurah poderão produzir o ano inteiro com os kits de irrigação que receberam da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), numa parceria com a Prefeitura Municipal. O uso dos equipamentos entregues em março deste ano garantirá renda e manterá as famílias no campo.

Um dos 28 beneficiados com os kits é o produtor familiar Denivaldo Sette, que está animado com a oportunidade de trabalhar somente em sua propriedade neste ano, já que, no período de estiagem, poderá continuar produzindo.

“Através da irrigação, a gente vai conseguir ter uma escala de produção para o ano todo e atender o mercado”, declarou.

Com o kit de irrigação, ele poderá assumir contratos mais longos de fornecimento – Foto: Marcos Oliveira/Prefeitura de Tapurah

Em 2023, Denivaldo restringiu a produção durante o período de estiagem e enfrentou dificuldades para assumir contrato mais longo, como o da merenda escolar.

“No ano passado, não conseguimos atender a demanda por causa do intervalo de produção. Seria um contrato para 12 meses e a escala de produção nossa era muito pequena. Agora, com os kits de irrigação, podemos produzir o necessário para a merenda escolar e até aumentar nossa produção geral,” explicou Denivaldo.

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Ele também teve que arrumar outro trabalho em um período em que não era possível manter a família somente com a renda da propriedade rural.

Junto com a mulher e o filho, Denivaldo produz banana, abacaxi, mandioca, além de derivados de leite, como doces e queijos.

Reinaldo Kenede, do Departamento de Agricultura de Tapurah, disse que apoio é importante já que custo de equipamentos para irrigação é alto – Foto: Empaer/MT

Reinaldo Kenede Alves, médico veterinário do Departamento de Agricultura de Tapurah, enfatizou a importância do suporte para a agricultura familiar.

“A irrigação tem um custo elevado e nem todos os pequenos produtores conseguem suportar. Portanto, esse apoio da Seaf é fundamental para nos ajudar a atender 100% do comércio local em legumes e verduras, e ainda expandir para outros municípios”, declarou.

O secretário estadual de Agricultura Familiar, Luluca Ribeiro, afirmou que o sistema de irrigação trouxe novo ânimo para os produtores familiares.

“A produção constante ao longo do ano está se tornando uma realidade com os investimentos que o Governo do Estado tem feito. São ações práticas que não apenas aumentam os rendimentos, mas também promovem a estabilidade econômica das famílias”, pontuou.

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Desde 2019, o Governo do Estado entregou mais de 500 kits de sistema de irrigação aos produtores familiares mato-grossenses.

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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões

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Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação

O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.

A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.

O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.

Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.

Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.

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Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.

“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.

Credores aprovam novo período de proteção

Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.

A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.

O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.

Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira

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Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.

Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.

Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.

“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.

Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.

A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.

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