MATO GROSSO
Áudios mostram empresários de Mato Grosso discutindo fraude em licitação em São Paulo
MATO GROSSO
Áudios obtidos pela Polícia Federal na Operação Hermes mostram uma conversa entre empresários mato-grossenses sobre possível fraude a licitação de uma prefeitura de São Paulo. O diálogo estava no celular empresário e ex-vereador Arnoldo Silva Veggi, o Dodo Veggi, e foi travado com um dos supostos comparsas, Alberto Veggi Atala, primo dele.
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 10 pessoas ligadas ao Grupo Veggi por crimes relacionados ao contrabando e venda ilegal de mercúrio. A Justiça Federal recebeu a ação penal e tornou réus Arnoldo Silva Veggi, Alberto Veggi Atala, Edgar dos Santos Veggi, Ali Veggi Atala, Ali Veggi Atala Júnior, Patrike Noro de Castro, Wagner Fernando Gonçalves, Felix Lopez Bress e Edilson Rodrigues de Campos.
O Midiajur obteve acesso ao material da investigação que embasou a denúncia do MPF. O celular de Dodo Veggi passou por perícia e a Polícia Federal apontou diversas condutas que revelam o uso das empresas para “cometimento de inúmeros ilícitos possuindo Alberto Veggi primo de Arnoldo Veggi como um dos mentores do esquema criminoso”.
A dupla teria atuado para fraudar a licitação da Superintendência de Água, Esgoto e Meio Ambiente de Olímpia, no interior de São Paulo. O órgão público fez pregão presencial para contratar a compra de cloreto de sódio granulado grosso, destinado ao tratamento de água para consumo humano.
Empresas do grupo como Quimar Comércio de Produtos Químicos, Hiposal Comércio de Produtos Químicos e Tratamento de Água, e BDV Trading Comércio Atacadista seriam controladas por Dodo e Alberto para diversas operações suspeitas.
No caso da Prefeitura de Olímpia, e do pregão nº 24/2021, uma empresa do Grupo Veggi teria recebido R$ 2 mil da Belgiquimica Produtos Químicos Ltda, que acabou vencendo a licitação.
O valor do contrato fechado pela Belgiquimica é de 242,5 mil e foi assinado em 9 de agosto de 2021 com a prefeitura.
A conversa no celular de Dodo Veggi mostra parte da negociação para que a empresa não apresentasse proposta.
“Então, colocaram o preço aqui. Mandei 2 mil e o Pix, estou esperando ele responder agora”, diz Alberto.
Ele orienta Dodo, e afirma que o concorrente estava demorando a responder porque estaria “vendo até onde vai lá para ver se desclassifica ‘nóis'”.
Dodo Veggi responde dizendo que “eu coloquei preço alto, às vezes ele vai tentar desclassificar por isso”.
Alberto dá a entender que o concorrente teria achado o valor cobrado alto.
“Ele falou assim: ‘ô loco, patrão. Veio da Europa’. Falei: não, irmão, eu sou aqui de Mato Grosso, é o preço que eu gasto para ir aí, cara”, relata.
Mídia JUR
MATO GROSSO
Acrismat solicita à Sefaz renovação de incentivo do ICMS para a suinocultura até 2032
A Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) se reuniu nesta semana com a equipe da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT) para entregar um ofício solicitando a renovação, até 2032, da concessão de cumulatividade do crédito presumido do ICMS, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural (Proder). O pedido abrange as operações próprias de saídas interestaduais de suínos vivos, em todas as finalidades. A vigência atual do benefício se encerra em 31 de dezembro de 2026.
A solicitação busca assegurar condições de competitividade à suinocultura mato-grossense, especialmente aos produtores independentes. No ofício, a Acrismat aponta que Mato Grosso registrou uma redução de aproximadamente 20 mil matrizes suínas nos últimos anos, cenário que reforça a necessidade de medidas voltadas à sustentabilidade econômica das propriedades e à permanência dos suinocultores na atividade.
Para subsidiar a demanda, a entidade encaminhou o estudo “Desenvolvimento da suinocultura em Mato Grosso: impactos da queda produtiva e alternativas de incentivo”, elaborado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
“O crédito presumido favorece a comercialização de suínos vivos em outros estados e representa uma alternativa importante para o escoamento da produção que não é integralmente absorvida pelos frigoríficos instalados em Mato Grosso. A continuidade do instrumento contribui para a viabilidade da atividade e a preservação da capacidade produtiva estadual”, pontuou o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho.
O documento também destaca que as oscilações cíclicas do mercado afetam os custos de produção, a rentabilidade e a capacidade de investimento dos suinocultores. Nesse contexto, a renovação é defendida como uma medida para proporcionar maior segurança ao setor e manter condições de competitividade em relação aos produtores de outras unidades da Federação.
Além dos efeitos nas propriedades, a associação ressalta os reflexos da atividade na manutenção de empregos, na geração de renda e na movimentação da economia dos municípios. O pedido considera toda a cadeia produtiva e os serviços vinculados à criação de suínos.
Articulação institucional
O ofício informa que a mesma solicitação foi formalizada junto à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT). A entidade também pediu apoio à Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt) para a demanda no Conselho Deliberativo dos Programas de Desenvolvimento de Mato Grosso (Condeprodemat).
A demanda conta com apoio do deputado estadual Dilmar Dal Bosco, do Fórum Agro MT e do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo-MT).
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