MATO GROSSO
Centro Cultural Casa das Pretas recebe evento que apresenta e debate cultura e luta do povo negro
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O evento é realizado pelo Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (Imune) e Centro Cultural Casa das Pretas, em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) e outras instituições.
“Este é um projeto que resgata a autoestima da população negra, especialmente das mulheres, e promove o acesso gratuito a bens culturais e atividades formativas, além de valorizar os espaços de expressão artístico-cultural do povo negro”, destaca o secretário-adjunto de Cultura, Jan Moura.
A programação começa com uma mostra audiovisual do cinema negro, realizada em parceria com o Aquilombamento Audiovisual Quariterê, que ocorrerá de forma gratuita. Os filmes ficarão disponíveis online, com exibições até o dia 24. Além das sessões, ocorrerá bate-papo, às 19h, com realizadores uma convidada pelo canal do Youtube do Quariterê.
As rodas de conversa começam nesta terça-feira (23) e seguem até sexta (26), com debate sobre temas importantes para o público, como políticas públicas, legislação, mulheres negras na política e no audiovisual, resistência, saúde, enfretamento do racismo, identidade, empreendedorismo, povos tradicionais e religiões, entre outros assuntos. Além dos debates, o evento oferece oficinas de escrita criativa, samba, dança afro, percussão e tambor.
A maior parte da programação ocorre presencialmente no Centro Cultural Casa das Pretas, localizado na Praça da Mandioca, e algumas atividades serão realizadas no Hotel Mato Grosso Palace, ambos em Cuiabá.
Na programação desta terça-feira ainda tem abertura, às 19h, da exposição ‘Mulheres no Samba’, em homenagem a sambistas cuiabanas. A mostra ficará disponível ao público no Centro Cultural Casa das Pretas.
Na quinta-feira (25), ocorre a entrega do Prêmio Geraldo Henrique Costa, às 20h, no Teatro Zulmira Canavarros. A premiação é um reconhecimento ao trabalho de pessoas que atuam pela defesa da igualdade racial, políticas públicas, ações afirmativas e inclusão do povo negro na sociedade. Estão confirmadas presenças de representantes nacionais do movimento negro e de organizações, além de contar com atrações culturais.
O Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (Imune) é uma organização social sem fins lucrativos, que tem o objetivo de empoderar jovens e mulheres negras para lutar contra o racismo e pela defesa de seus direitos. O trabalho do instituto é feito com ações afirmativas nas áreas de educação, cultura, saúde, direitos humanos e empreendedorismo, realizados com parceiros do Poder Público e Sociedade Civil.
Para outras informações sobre entrada e programação: https://www.instagram.com/casadaspretasmt/ ou entre em contato pelo whatsApp (65 9255-6863).
Fonte: Governo MT – MT
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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.