MATO GROSSO
Cuiabá está entre melhores e MT tem 2 cidades na lista de piores
MATO GROSSO
Cuiabá ocupa a 7ª colocação entre as capitais brasileiras com melhor qualidade de vida. É o que aponta o levantamento do Índice de Progresso Social – Brasil 2024 (IPS Brasil), ferramenta que avalia a qualidade de vida e o desempenho socioambiental dos municípios brasileiros. O dado foi divulgado esta semana e se baseia em uma metodologia internacional, que calcula o bem-estar da população a partir de dados oficiais e foi aplicada pela primeira vez no Brasil neste ano.
A capital mato-grossense possui uma pontuação de 68,47 em um índice que varia de 0 (pior) a 100 (melhor) e corresponde à média simples dos resultados do IPS das 3 dimensões avaliadas no estudo, sendo elas Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades.
Conforme a pesquisa, em relação aos estados, Mato Grosso aparece em 12ª colocação com uma pontuação de 60,15. Dos 141 municípios que constituem Mato Grosso na época do estudo, a capital Cuiabá teve a pontuação mais alta em índice de progresso social com 68,47.
Considerando os 5.570 municípios brasileiros, Mato Grosso não possui nenhum entre os 20 com melhores pontuações. Já entre as 20 cidades com piores avaliações, em 14ª colocação está Nova Nazaré (269 km a leste de Cuiabá) e em 19ª Gaúcha do Norte (595 km ao norte de Cuiabá).
A partir dos dados filtrados dos 142 municípios de Mato Grosso o
elaborou um ranking das 10 cidades de Mato Grosso com maiores índices do Ips Brasil. São eles:
Cuiabá – 68,47
Primavera do Leste – 67,64
Rondonópolis – 64,15
Sapezal – 64,05
Alto Taquari – 63,76
Sinop – 63,15
Campo Verde – 62,56
Várzea Grande – 62,55
Ponte Branca – 62,22
Barra do Garças – 62,06
Já os 10 municípios mato-grossenses com Ips mais baixos são:
Nova Nazaré – 42,78
Gaúcha do Norte – 43,53
Santa Terezinha – 44,1
Campinápolis – 44,53
Colniza – 44,96
São Pedro da Cipa – 45
Canabrava do Norte – 45,13
Vila Bela da Santíssima Trindade – 45,54
Nova Monte Verde – 46,1
União do Sul – 47,66
Dados: Ips Brasil 2024 / Elaboração: Gazeta Digital
Confira o desempenho de algumas cidades mato-grossenses por categorias
A dimensão Necessidades Humanas Básicas avaliou a capacidade de uma população em sobreviver com alimentação adequada e cuidados médicos básicos, água de qualidade, condições de saneamento, abrigo e segurança pessoal. De modo geral, o município mato-grossense que obteve pontuação mais alta na categoria foi Denise (211 km a médio norte de Cuiabá) com 83,59.
No indicador de Nutrição e Cuidados Médicos Básicos, Ipiranga do Norte (530 km ao norte) aparece com 88,24. Em Água e Saneamento a cidade de Denise se destaca novamente, com 91,69. Em moradia, Porto dos Gaúchos (663 km a médio norte) está com 96,9. No quesito Segurança Pessoal o município de Novo Santo Antônio (1063 km a nordeste) possui 86,55.
A dimensão Fundamentos do Bem Estar avalia elementos que permitem identificar se há condições efetivas para ampliação da qualidade de vida de uma população. Ela retrata até que ponto os indivíduos podem obter uma educação básica e informação, liberdade de expressão e benefícios de um sistema de saúde que permita uma vida longa e mais saudável. Além disso, também mede a qualidade do meio ambiente do território, um componente fundamental para o bem-estar atual e futuro. A capital aparece novamente em destaque geral, com 69,63.
Nos indicadores Acesso Ao Conhecimento Básico o município de Dom Aquino (166 km ao sul) aparece com 78,25. Já em Acesso à informação e Comunicação Sinop (500 km ao norte) se destaca com 77, 41. No quesito Saúde e Bem Estar, Santa Cruz do Xingu (1230 km a nordeste) está com 72,2. Em Qualidade do Meio Ambiente, a capital aparece com 74,53.
Na dimensão Oportunidades, que mede se há condições estruturais que podem impulsionar ou impedir a busca pelo progresso social e crescimento individual de cidadãos, o IPS abrange um espectro amplo de fatores que contribuem para o verdadeiro progresso social, diferentemente de outras abordagens que se concentram apenas nas necessidades fundamentais e frequentemente esquecem ou isolam a dimensão Oportunidades, conforme consta no relatório.
Segundo o documento, esta dimensão é tradicionalmente a mais difícil de mensurar no IPS em todo o mundo, pois envolve temas que muitas vezes não podem ser plenamente medidos, como, por exemplo, aqueles ligados à liberdade pessoal e de escolha ou à inclusão social, sobretudo pela carência de indicadores a nível municipal. De modo geral, Primavera do Leste aparece com 60, 6 de pontuação.
Nos indicadores Direitos Individuais Aripuanã (1002 km a noroeste) está com 67,79. Em Liberdades Individuais e de Escolha Sorriso (420 km ao norte) aparece com 74,69. Já em Inclusão Social a cidade de Alto Boa Vista (1059 km a nordeste) apresenta uma pontuação elevada de 97,07. Em Acesso à Educação Superior, Cuiabá reaparece com 71,52.
O que é o IPS
O IPS Brasil avalia a qualidade de vida e o desempenho socioambiental dos municípios brasileiros. Trata-se de uma ferramenta de gestão territorial baseada em dados públicos, que identifica e apresenta, em uma mesma escala, se as pessoas têm o que precisam para prosperar, desde necessidades básicas como abrigo, alimentação e segurança, até se possuem acesso à informação e comunicação, e se são tratadas igualmente, independentemente de gênero, raça ou orientação.
No ano de 2024, o Brasil apresentou a pontuação 68,90 no IPS Global, ocupando a 67ª posição no ranking entre 170 países. Esta é a primeira edição do IPS Brasil. A partir de 2024, o IPS Brasil será atualizado anualmente para ser possível comparar o desempenho socioambiental dos municípios ao longo do tempo.
Para calcular o IPS Brasil 2024, foram utilizados um total de 53 indicadores públicos provenientes de fontes oficiais e de institutos de pesquisa, como Ministério da Saúde, Ministério da Cidadania, Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (SNIS), Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mapbiomas, Anatel, CadÚnico, entre outras.
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.



