MATO GROSSO
Custando até R$ 115 mil, pacotes para Copa encalham em Cuiabá
MATO GROSSO
Realizada em um País do Golfo Pérsico cuja renda per capita é 10 vezes maior que a brasileira, a Copa do Mundo do Qatar não atraiu o turista cuiabano.
O preço com passagem, hospedagem e translado inclusos, os pacotes para o Mundial estavam saindo por até R$ 115 mil em uma agência do Centro de Cuiabá, quando ainda havia disponibilidade.
Várias lojas da rede CVC na Capital relataram à reportagem não ter vendido nenhum pacote neste ano. Em alguns casos até houve procura, porém o cliente não chegava a fechar o negócio, muitas vezes em razão do preço.
Segundo o departamento comercial da CVC, em 2022 até foram vendidos pacotes em Mato Grosso, mas em número muito menor do que na última edição, na Rússia, em 2018.
O produtor rural e advogado Aécio Rodrigues vai viajar com seu irmão para o Qatar. Os dois estiveram na Rússia e adoraram a experiência. Há algum tempo planejando, eles adquiriam suas entradas logo no sorteio de ingressos, que é a primeira fase de vendas para o evento.
Os dois mato-grossenses planejaram a viagem por conta própria e Aécio diz não lembrar se o valor está acima do pago em 2018. Eles assistirão a duas partidas da fase de grupos e uma das oitavas de final.
No geral, menos brasileiros devem ir assistir à Copa do Mundo desta vez. Segundo ranking divulgado em outubro pelo Comitê Organizador do evento, o Brasil é o nono país que mais reservou ingressos para o Mundial, com 39.546 bilhetes. Para se ter uma ideia, na Copa de 2018 na Rússia, o Brasil foi o 3° no ranking, com mais de 72.500 reservas.
Segundo Carlos Alberto Júnior, gerente comercial da CVC, alguns fatores acabaram afetando para que o preço para esta Copa ficasse maior do que a última. Ele cita a época do ano diferente, questões internacionais, oferta de hotéis menor e câmbio.
FONTE/ REPOST: GIORDANO TOMASELLI – MÍDIA NEWS
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.