MATO GROSSO
Duplo Homicídio em Barra do Bugres: Dois Homens São Alvejados em Frente à Unemat
MATO GROSSO
Na tarde deste sábado, 8 de junho de 2024, a cidade de Barra do Bugres, no estado de Mato Grosso, foi abalada por um duplo homicídio que resultou na morte de dois homens. O crime ocorreu nas proximidades da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e deixou a comunidade local em estado de choque. A Polícia Militar foi acionada via 190 após relatos de disparos de arma de fogo na região, mobilizando rapidamente as autoridades para a cena do crime.
Ao chegarem ao local, os policiais militares encontraram dois homens caídos ao solo, ambos sem sinais vitais. A Polícia Judiciária Civil (PJC) e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foram prontamente acionadas para realizar os procedimentos cabíveis. Durante a perícia, foram encontrados estojos de munição calibre .380, indicando o tipo de arma utilizada no ato brutal. As vítimas, cujas identidades ainda não foram divulgadas, apresentavam múltiplas perfurações de bala, sugerindo que foram alvejadas várias vezes.
Informações preliminares indicam que as vítimas haviam chegado em Barra do Bugres na noite anterior, vindas de uma obra no estado de São Paulo. Eles estavam na região para trabalhar na empresa Alpha, em um projeto localizado em Mirassol. A motivação para o crime ainda é desconhecida, mas as autoridades estão investigando todas as possibilidades, incluindo a hipótese de envolvimento em atividades ilícitas ou disputas pessoais. Testemunhas relataram ter visto um veículo suspeito deixando o local rapidamente após os disparos, informação que está sendo utilizada nas investigações.
A Polícia Civil de Mato Grosso já iniciou as investigações para apurar as motivações do crime e identificar os responsáveis. A delegada responsável pelo caso, Dra. Ana Paula Menezes, afirmou que todas as informações recebidas serão minuciosamente analisadas e que o apoio da comunidade é crucial. “Qualquer informação, por menor que seja, pode ser a chave para solucionar este caso. Pedimos que a população colabore e denuncie anonimamente através dos canais oficiais”, disse a delegada.
Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso, os casos de homicídio no estado registraram um aumento nos primeiros meses de 2024. Entre janeiro e maio deste ano, foram contabilizados 412 homicídios, um aumento de 8% em relação ao mesmo período de 2023. Barra do Bugres, que antes era considerada uma cidade relativamente tranquila, também tem visto um aumento na criminalidade, refletindo a necessidade de medidas mais rigorosas de segurança e policiamento na região.
Este duplo homicídio reforça a urgência de estratégias eficazes para combater a violência e garantir a segurança da população. A administração municipal, em conjunto com as forças de segurança, promete intensificar as ações de patrulhamento e investigações para prevenir novos crimes e garantir a paz na comunidade. As famílias das vítimas estão sendo acompanhadas por assistentes sociais e receberão o apoio necessário durante este período de luto.
O crime brutal em frente à Unemat não apenas chocou a comunidade de Barra do Bugres, mas também destacou a importância da segurança pública e da colaboração entre a população e as autoridades. A Polícia Civil continuará trabalhando incansavelmente para desvendar o caso e trazer justiça às vítimas e suas famílias. Enquanto isso, a comunidade é encorajada a permanecer vigilante e a denunciar qualquer atividade suspeita, contribuindo assim para um ambiente mais seguro e protegido para todos.
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.