MATO GROSSO
Empaer utiliza plataforma digital para mapeamento agrícola e atendimento a produtores rurais
MATO GROSSO
A Empaer (Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural) cadastrou 77.473 agricultores pelo Sistema de Acompanhamento e Gerenciamento das Atividades (Sagae), uma plataforma digital elaborada pela equipe de Tecnologia da Informação (TI) da empresa, para armazenar dados dos agricultores familiares e acompanhar as ações da assistência técnica, pesquisa e fomento. Em apenas dois anos de funcionamento do sistema, foram feitos aproximadamente 179 mil atendimentos a produtores rurais.
Neste ano, já foram atendidos 72.746 agricultores familiares nas cadeias produtivas de bovinocultura, piscicultura, apicultura, fruticultura e olericultura, entre outras O Sagae, além de monitorar, assessorar e controlar os resultados da empresa, permite maior eficiência no atendimento ao produtor rural. O mundo online também vem se tornando cada vez mais presente no universo da agricultura familiar e no serviço de extensão rural, agilizando e tornando mais acessível o atendimento ao produtor rural.
Coleta de informações – O técnico de Administração Sistêmica da Empaer, Eder Antônio da Silva, explica que a ferramenta está sendo utilizada via web e aplicada para coletar as informações dos serviços prestados, além de avaliar o ganho social dos produtores rurais e o trabalho executado pelos funcionários da empresa. Em junho de 2019, os técnicos começaram a coletar as informações no campo e enviar para o sistema. O banco de dados está disponível no site da Empaer (www.empaer.mt.gov.br), mostrando os números em tempo real.
“O sistema em operação possibilita ao técnico, ao extensionista e ao pesquisador armazenar dados dos produtores atendidos e analisar os resultados da assistência técnica quanto à melhoria produtiva e rentabilidade, além de registrar informações de eventos promovidos para capacitação e fomento junto ao produtor rural”, enfatiza.
Com a inserção de informações pelos técnicos, o Governo do Estado já possui um banco de dados de todas as cadeias produtivas. Ele explica que o técnico está inserindo dados pessoais dos produtores, cadastro das famílias, unidades produtivas, mapeamento com coordenadas geográficas, atividade produtiva, infraestrutura e equipamentos, entre outros.
São informadas área plantada, previsão de produção, número de produtores, tipos de equipamentos utilizados, condições da propriedade (se possui água, energia, esgoto, internet e outros), acesso as linhas de crédito, comercialização da produção, etc.
Diagnóstico integrado – Eder comenta que está sendo possível, com a ferramenta, fazer um diagnóstico integrado e mais preciso da área do produtor e da atuação do técnico da Empaer junto as propriedades atendidas. Para trabalhar com esse sistema, todos os técnicos receberam treinamento e a plataforma agiliza a coleta de dados, mensuração dos resultados e geração de relatórios.
Paralelamente ao sistema em operação, foi desenvolvido um aplicativo para atender o produtor rural de forma mais interativa e eficiente. O aplicativo está inserido na plataforma de Governo MT Cidadão e atende o público rural e urbano. A ferramenta facilitar a rotina dos agricultores e simplifica a vida no campo, por meio de uma interação de fácil manuseio.
O novo aplicativo está interligado ao Sagae. A plataforma está sendo utilizada para coletar as informações dos serviços prestados ao público alvo, além de avaliar o serviço prestados pela Empaer. Quando o produtor cadastrado no sistema solicitar um atendimento pelo aplicativo, o técnico da Empaer já contará com os dados relacionados à sua propriedade, produção, localização e área total, entre outros. Esses dados vão auxiliar a equipe a prestar um atendimento de qualidade de forma remota e, caso o produtor solicite, de forma presencial.
De acordo com Eder, por meio do aplicativo, o produtor poderá acessar as informações da sua propriedade e tirar dúvidas sobre assuntos diversos, como crédito rural e administração da propriedade, obter informações técnicas sobre culturas e criações e solicitar visitas para atendimento in loco na propriedade rural.
Além dos produtores, moradores urbanos, feirantes, diretores de escolas, ou qualquer outra pessoa, com alguma dúvida relacionada ao trabalho rural, poderá entrar em contato para obter orientação. Tudo isso diretamente pelo celular.
Fonte: GOV MT
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.