MATO GROSSO
Encontro do Café reúne agricultores e empresários em Tangará da Serra
MATO GROSSO
O Encontro Técnico do Café reuniu cerca de 90 agricultores de Mato Grosso, empresários dos estados de São Paulo e Minas Gerais, técnicos e outras autoridades nesta terça-feira (08.02), em Tangará da Serra.
O evento foi promovido pela Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Prefeitura Municipal e a empresa Bello Campo Agro, com a proposta de orientar os agricultores que receberão as mudas do café em desenvolvimento no Campo Experimental da Empaer.
“Foi um dia importante para evidenciar que a partir de políticas públicas do Governo Estado é possível trazer inovações e com isso estimular o aumento da produção da cultura do café. O interesse de empresários de São Paulo e Minas Gerais mostra que estamos no caminho certo”, pontou Renaldo Loffi, presidente da Empaer.
Ele destacou a importância da parceria com a Prefeitura na produção das mudas de café para os produtores da cidade, bem como a validação de tecnologia e novos clones de café adaptados para o clima tropical do Estado como uma opção viável de negócio.
O prefeito Vander Masson diz estar trabalhando para que Tangará da Serra seja referência em produção de café, como já foi na década de 70. “Esse é o nosso objetivo, levar o nosso município Brasil afora, mostrando dedicação e qualidade no produto oferecido”.
O secretário adjunto de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural do Estado, Clovis Figueiredo Cardoso, explica que historicamente o município plantava café arábica, qualidade que não existe mais.
“O Campo Experimental da cidade é um exemplo da produção de mudas de qualidade. O espaço é um dos mais avançados do Estado, muito semelhante com o de Brasília que visitei recentemente. É fundamental destacar que a agricultura familiar fomenta empregos, gera renda e riqueza para a população”.
Já o secretário de Agricultura do município, Rogério Rio, disse que a implantação do viveiro para a produção de mudas colocou a região em destaque. “A nossa meta é ter o próprio jardim clonal para ter independência nas estacas que ainda buscamos em outros estados”.
Durante o evento, foi apresentada pela equipe da Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf), para a safra 2023, a disponibilidade de validação de clones de café Conilon aos produtores interessados.

Presidente da Empaer, Renaldo Loffi, junto com o secretário municipal Clovis Cardoso e autoridades – Foto Empaer
As palestras levaram aos agricultores informações sobre preparo, adubação e correção do solo, técnicas de plantio e podas. Dentre as explanações inseridas no cronograma, a coordenadora de Pesquisa e Fomento da Empaer, Dra Danielle Helena Muller, pontuou sobre os trabalhos da equipe e aproveitou a ocasião para apresentar aos agricultores as pesquisas que a Empaer, em parceria com a Embrapa de Rondônia, está conduzindo sobre a cultura do café.
Ela também destacou o Programa Estadual MT-Produtivo Café, que fomenta o desenvolvimento da cafeicultura em Mato Grosso. “O programa tem a responsabilidade técnica de incentivar os cultivos dos materiais genéticos de café mais adaptados e produtivos sob as condições de clima e solo mato-grossense, informação que só é obtida por meio de pesquisa científica”.
Na ocasião, ela proferiu a palestra sobre pesquisa com base em materiais genéticos do café e estava acompanhada da pesquisadora da Empaer, Dra Dalilhia Santos, e do Dr. Wininton Mendes da Silva.
Ainda houve a explanação do supervisor do Campo Experimental, engenheiro agrônomo Welington Procópio, que destacou sobre o processo de produção das mudas; o extensionista Rural da Empaer, mestre Leonardo Diogo Ehle Dias, e o técnico da Secretaria de Agricultura, André Ferreira do Nascimento, que falaram sobre o preparo do solo, demonstração de plantio e manejo inicial da cultura.

Equipe técnica da Empaer
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.
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