MATO GROSSO
Estudo sobre mobilidade na região Metropolitana será apresentado em audiência pública
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Duas a cada três viagens realizadas na região metropolitana de Cuiabá são feitas em veículos motorizados particulares, sejam carros ou motos. Apenas um terço dos deslocamentos realizados pela população é feito ou em transporte público, ou de bicicleta, ou então a pé.
Esse é um dos dados que foram obtidos durante as pesquisas para a elaboração do Plano Metropolitano de Logística e Mobilidade Sustentável do Vale do Rio Cuiabá (PlanMob VRC). O Plano será apresentado na próxima segunda-feira (29.05), às 14h, durante audiência pública promovida pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT).
A audiência será realizada de forma híbrida, sendo presencialmente no auditório da Seduc, no Centro Político Administrativo, em Cuiabá, e de forma remota, pelo canal do Youtube da Secretaria Adjunta de Gestão e Planejamento Metropolitano da Sinfra-MT.
Segundo o secretário adjunto de Gestão e Planejamento Metropolitano, Rafael Detoni, os dados obtidos durante a pesquisa ajudam a entender a situação do trânsito nas cidades que fazem parte da Região Metropolitana, além de pensar em políticas públicas para a mobilidade.
O secretário explica que foi realizada uma pesquisa domiciliar de Origem e Destino que não era realizada há 15 anos. Além disso, foi feito um inventário da malha rodoviária, percorrendo 1.400 quilômetros de rodovia da região e outros 170 km de vias urbanas de Cuiabá e Várzea Grande.
“Os dados de deslocamento ajudam a entender de onde as pessoas saem e para onde elas vão nessas cidades, quais são as verdadeiras demandas. A pesquisa mostra que, por exemplo, 85% da população ou trabalha ou estuda de forma presencial, apenas 15% fazem isso de forma remota. Então, a maioria da população sai de casa todos os dias e faz isso de carro ou de moto”, explica.
A pesquisa ainda mostra outras perspectivas, como rotas ciclísticas utilizadas para o lazer, por exemplo, além de como é feito o transporte de mercadorias na Região Metropolitana. Na audiência pública serão apresentados os diagnósticos e prognósticos obtidos durante a elaboração do PlanMob, sendo que relatórios já estão disponíveis para consulta no site da Sinfra-MT.
Entre os documentos que podem ser consultados pela população, além do inventário da malha rodoviária, estão a pesquisa domiciliar sobre a mobilidade da população, diagnósticos rodoviário, cicloviário, de transporte coletivo e logístico de carga, e análise de viagens, entre outros.
O PlanMob VRC é voltado para a logística de toda a região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá, composta por Cuiabá, Várzea Grande, Santo Antônio do Leverger, Nossa Senhora do Livramento, Acorizal e Chapada dos Guimarães. O objetivo é estabelecer diretrizes, propostas de ação, programas e investimentos para a política de mobilidade na região metropolitana.
Fonte: Governo MT – MT
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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.