MATO GROSSO
“Existe muita conversa ainda”, diz Botelho sobre saída do União Brasil
MATO GROSSO
O deputado Eduardo Botelho (União Brasil), afirmou nesta sexta-feira (11), que aguarda um aval do presidente do União Brasil no Estado, o governador Mauro Mendes, para poder deixar a legenda e buscar um novo partido. As especulações ao longo da semana, apontavam que Botelho voltaria de sua viagem à Brasília, onde passou a semana, já filiado a uma nova legenda.
No entanto, o parlamentar esclareceu a polêmica declaração dada por ele no início da semana, de que já se via fora da legenda, porém, pontuou que ainda depende de uma liberação formal por parte de Mauro Mendes, caso a desfiliação seja de fato o seu caminho.
Em conversa com jornalistas nesta sexta-feira, Botelho explicou que a principal rusga que ainda paira sobre sua saída do União Brasil, é com relação à falta de deliberação sobre o critério que será adotado para a escolha do candidato do partido para disputar as eleições à Prefeitura de Cuiabá.
Entretanto, o parlamentar afirmou que sua permanência no União Brasil ainda é incerta. Na última segunda-feira (7), Botelho faltou a uma reunião da legenda e justificou que já trabalhava com a hipótese de estar fora do partido.
“Existe muita conversa ainda. O que eu disse é que o que me parece é que o caminho será esse mesmo. Mas eu não posso dizer que estou de saída, eu preciso da liberação do partido. Conseguir essa liberação ainda envolve muita conversa. Eu vou conversar ainda com o governador e a cúpula do partido, discutir lá dentro, de repente as coisas podem mudar. Eu defendo que seja criado um critério claro, isso é o que realmente incomoda, porque me impede de fazer construções. Esse é que é o problema”, declarou Botelho.
A saída de Botelho do União Brasil, se dá pela disputa interna com o atual secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia, pela candidatura à Prefeitura de Cuiabá nas eleições de 2024. Desde que Garcia declarou seu interesse ao Alencastro, passou a ser especulado o risco de debandada de parlamentares, que podem deixar o partido para seguir Botelho em uma nova agremiação política.
Em meio ao cenário de disputa no União Brasil pela candidatura à Prefeitura de Cuiabá, o Mauro Mendes, chegou a assumir o comando da sigla no Estado, para tentar acalmar os ânimos. No entanto, Mendes já admitiu que vai apoiar Garcia nas eleições 2024. A declaração de Mauro, levou Botelho a buscar novos caminhos para pleitear sua candidatura ao Alencastro.
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.
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