MATO GROSSO
Fechada há 4 anos, Casa do Artesão segue abandonada e com destino incerto
MATO GROSSO
A Casa do Artesão, que está fechada desde 2018, não voltará a funcionar – pelo menos não para abrigar o espaço cultural que funcionava no local desde 1983. O prédio, que faz parte da história de Cuiabá há mais de um século, deve ser devolvido ao Governo do Estado e ainda está com o destino incerto.
A construção, tombada em 1984 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), é um prédio histórico de 112 anos, onde inicialmente funcionava a Escola Senador Azeredo. O colégio mudou de local em 1975.
Atualmente, o acervo exposto e comercializado desde a criação do local foi remanejado para o Espaço do Artesanato, no Sesc Arsenal, nacapital. Com a mudança, o prédio fica sem utilização e aguardando uma recisão do contrato com o governo ou uma ‘nova direção’.
A Casa do Artesão, há quase 40 anos, abrigava um acervo que ia de madeira esculpidas, trabalho com cipós, cerâmica a trabalhos de tecelagem, como as redes mato-grossenses, xales, tinha ainda um museu que ficava no porão do prédio. No local também eram vendidos doces, compotas e outras delícias regionais. Havia uma sala separada também para trabalhos indígenas e confecção de biojoias, feitas com sementes locais.
Geovanna A. Torquato/RDNews

Funcionária pública aposentada, Celina Alves Correa, comprava biojoias e doces no local
Biojoias essas que a funcionária pública aposentada, Celina Alves Correa, de 70 anos, conhece de perto e tem guardadas até hoje. A cuiabana relata que a Casa do Artesão faz parte da sua história.
“Adorava comprar os colares que eram feitos, tenho eles até hoje. Vinha toda semana aqui, comprava bolo de arroz, doce, artesanato”, conta enquanto olha para o prédio, hoje abandonado.
Indentidade cultural
A aposentada estudou na sua infância e adolescência na Escola Senador Azeredo. Por isso, o pátio da Casa do Artesão já tinha um valor sentimental para ela desde cedo. Ela defende que o local faz parte da identidade cultural de Cuiabá. “É triste, um prédio grande, bonito e tão antigo. Não podem deixar muito tempo abandonado assim, se não ser destruído”, fala.
Celina conta também que, com a mudança da Casa do Artesão para o Sesc, acabou não indo mais ao local.
Geovanna A. Torquato/RDNews

Turista em Cuiabá, empresário João Lian se assustou ao encontrar espaço fechado
O turista João Lian, empresário que veio passar uns dias em Cuiabá, foi com a esposa até a Casa do Artesão. Mas, ao descer do carro, deu de cara com as portas fechadas.
“Eu não sabia que estava fechado. Sempre que venho a Cuiabá, visito a Casa do Artesão. Gosto de levar os artesanatos daqui, principalmente o trabalho das redeiras [de Campo Limpo], de presente para a família e amigos.
No prédio, não havia nenhum aviso explicando a mudança de local, mas, segundo a assessoria do Sesc, no período da mudança foram feitos alguns avisos para os frequentadores.
O aposentado Cândido Otávio mora na região há 20 anos e diz que é uma pena a atual situação, pois “o prédio vai se acabar”.
Identidade cultural
O prédio ainda conserva todas as suas características originais da construção.
Maria Lígia Garcia, primeira-dama do estado em 1983, foi responsável pela criação da Casa do Artesão em Cuiabá. Hoje, aos 95 anos, relembra a importância do local.
“Foi criado em favor da cultura, em favor do artesão, para valorizar os nossos artesãos e as nossas famílias mato-grossenses. Eu amava aquela casa com toda a minha alma. Ela faz parte da história”, declara.
Geovanna A. Torquato/RDNews

Peregrinação por um novo local
Em 2018, a Casa do Artesão mudou de endereço para a reforma do prédio e passou a ficar em um anexo do Programa Mesa Brasil, próximo ao Shopping Popular. No entanto, a casa cultural acabou não voltando para o espaço que ocupava há mais de 30 anos e foi para o Salão Social do Sesc Arsenal. O Sesc administra a Casa do Artesão desde 2005.
Em uma entrevista à imprensa em março de 2019, o diretor regional do Sesc Mato Grosso, Carlos Alberto Rissato, afirmou que o prédio precisaria passar por uma grande reforma e que o objetivo do Sesc era transformá-lo em um ‘Centro Cultural de Mato Grosso’, mas o projeto nunca saiu do papel.
“Está bom como está”
Representantes dos artesãos mato-grossenses veem a mudança com bons olhos. A ceramista Cleide Rodrigues declara que a mudança não os prejudicou, todos os artesãos foram cadastrados para o Sesc arsenal.
“Só mudou de endereço, mas continua a mesma vitrine para todos”, afirma.
Da Assessoria

A presidente da Tece Arte, Associação das Redeiras de Limpo Grande, Jilaine Maria da Silva Brito, também avalia positivamente a mudança.
“Hoje o Sesc compra as nossas redes para revender, o retorno é imediato. Antigamente não, deixávamos as nossas redes na Casa do Artesão em consignação e não sabíamos quando iríamos vender. Se for para voltar para a Casa do Artesão, eles devem adotar essa mesma forma feita hoje, em que são compradas nossas redes em lotes e, dessa forma, conseguimos beneficiar a todas que fazem parte de nossa associação”, defende.
Destino incerto
A Casa do Artesão não voltará mais a funcionar e se manterá apenas o Espaço do Artesanato, no Sesc Arsenal. Já o prédio, patrimônio histórico e cultural, segue com destino incerto.
Desde 2005, o edifício funciona em Comodato entre o governo e o Sesc. Esse contrato tem vigência até 2029. No entanto, a Fecomércio informou que o termo será rescindido e o prédio será devolvido à gestão pública. Segundo a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), o espaço será disponibilizado para uso de outro órgão que tenha interesse em ocupá-lo.
Ainda não há informações de quando será essa rescisão e como se dará a nova ocupação do prédio – ou mesmo se isso vai acontecer logo. Também não há informações se o local passará por reforma.
Segundo a Fecomércio, a mudança da Casa do Artesão para o ‘Espaço do Artesanato’, na sede do Sesc Arsenal, aconteceu por causa da sua estrutura, que a entidade afirma ser mais adequada para receber turistas e visitantes, com restaurante e espaços para atividades de lazer e cultura.
Conforme a federação, atualmente, o volume de vendas é muito maior do que o registrado nos últimos anos, por isso consideram a medida foi benéfica tanto para os artesãos quanto para os consumidores dos produtos.
A loja no Sesc Arsenal possui 315,03 m² para a exposição dos produtos de aproximadamente 200 artesãos de todo o estado.
Da Assessoria

Seleção dos artesãos
A seleção dos artesãos é realizada por meio de uma entrevista individual, onde o artista apresenta seu trabalho, processo de produção das peças e a matéria-prima utilizada na fabricação, além da contextualização de sua história, a tradição e detalhes específicos sobre o fazer artesanal. Anteriormente, os artesãos precisavam ter a Carteira do Artesão fornecida pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), entretanto, de acordo com nova legislação, os profissionais necessitam da abertura de CNPJ como micro-empreendedor individual.
FONTE/ REPOST: KETHLYN MORAES – RD NEWS
MATO GROSSO
Vereador Alex Rodrigues defende criação de comissão permanente para enfrentar aumento da população em situação de rua em Cuiabá
O vereador Alex Rodrigues participou nesta quarta-feira (03), na Câmara Municipal de Cuiabá, de uma audiência pública destinada a discutir as causas do crescimento da população em situação de rua na capital e cobrar a elaboração de um plano de ação efetivo para enfrentar o problema.
O debate reuniu representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de integrantes do Ministério Público, Defensoria Pública e entidades da sociedade civil organizada. O objetivo foi promover uma ampla discussão sobre o tema e buscar alternativas para reduzir o número de pessoas vivendo nas ruas da cidade.
Durante a audiência, foram apresentados dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), que revelam um aumento expressivo da população em situação de rua em Cuiabá nos últimos anos.
Segundo o levantamento, em 2025 a capital contabilizou 1.783 pessoas vivendo nas ruas. O número representa um crescimento superior a 2.775% em comparação com 2013, quando apenas 62 pessoas estavam registradas nessa condição.
Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas integradas envolvendo assistência social, saúde, segurança pública, qualificação profissional e reinserção social.
Alex Rodrigues propõe comissão permanente
Durante sua participação, o vereador Alex Rodrigues defendeu a criação de uma comissão permanente de enfrentamento à população em situação de rua, com a missão de reunir diferentes órgãos públicos e entidades para construir soluções práticas e duradouras.
Para o parlamentar, é necessário que o debate avance além das discussões institucionais e resulte em medidas efetivas que impactem diretamente a vida das pessoas em situação de vulnerabilidade.
“Essa discussão não pode ficar apenas no plenário. Precisamos transformar o debate em resultados reais nas ruas de Cuiabá, oferecendo dignidade, oportunidades e atendimento adequado para quem mais precisa”, afirmou.
Curitiba é citada como exemplo
Alex Rodrigues também destacou experiências bem-sucedidas desenvolvidas em outras cidades brasileiras. Entre os exemplos mencionados está Curitiba, que vem apresentando resultados positivos por meio de políticas públicas avançadas e ações integradas entre diferentes órgãos governamentais.
Segundo o vereador, Cuiabá pode adaptar iniciativas que já demonstraram eficiência em outras regiões do país, fortalecendo o acolhimento social e ampliando as oportunidades de reinserção para pessoas em situação de rua.
Ao final da audiência, os participantes defenderam a continuidade do diálogo entre os poderes públicos e a sociedade civil para a construção de estratégias permanentes que contribuam para reduzir o problema e garantir mais dignidade à população vulnerável da capital.
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