MATO GROSSO
Hospital Estadual Santa Casa realizou 4,2 mil cirurgias em sete meses
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Maiores demandas foram pelas especialidades de cirurgia geral, pediatria, urologia, oncologia e otorrinolaringologia
O Hospital Estadual Santa Casa, unidade administrada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), em Cuiabá, realizou 4.298 cirurgias entre janeiro e julho de 2024. Dos procedimentos realizados, 1.276 foram de urgência e 3.022 foram eletivos e previamente agendados.
O número equivale a cerca de 4,5 vezes o valor da performance obtida no ano de 2019, em que foram realizadas 920 cirurgias pelo mesmo hospital. Naquele ano, ocorreu a requisição administrativa do Governo do Estado e o Hospital Estadual só passou a funcionar em 23 de julho.
Em 2024, as maiores demandas de cirurgias na unidade foram pelas especialidades de cirurgia geral (1.363), pediatria (1.047), urologia (562), oncologia (523) e otorrinolaringologia (460).
“O Hospital Estadual Santa Casa demonstra com muita eficiência o seu potencial e aumenta a produção ao longo dos anos. Nestes sete meses de 2024, a unidade realizou mais de três mil cirurgias eletivas, priorizando o atendimento de pacientes que aguardavam pelos procedimentos. Além disso, mais de mil crianças foram operadas neste período no hospital, que é referência em pediatria”, avaliou o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo.
Para o paciente Carlos Rogério Pereira, morador de Cuiabá internado no Hospital Estadual desde o dia 23 de julho, o atendimento prestado pela unidade é de excelência e “assemelha-se muito ao de um hospital particular”. Ele passou por uma cirurgia urológica.
“Vim de transferência de uma policlínica do município de Cuiabá e cheguei aqui com uma infecção já meio grave na bexiga. Eu conversei com a minha esposa quando eu fui recebido aqui e comentei com ela: ‘isso está parecendo mais um hospital particular’, pelo tipo de atendimento. Assim que eu cheguei, eu vim para a enfermaria e à noite eu já fui encaminhado para fazer raio X no pulmão”, disse, ao reforçar que também passou por ultrassonografia e tomografia computadorizada dentro da unidade.
A diretora do Hospital Estadual Santa Casa, Patrícia Neves, informou que foram realizadas em média 614 cirurgias por mês. Além disso, a gestora pontuou que o programa Fila Zero na Cirurgia cooperou para o resultado positivo.
“Mantivemos uma boa performance de cirurgias durante esses sete meses e a nossa média supera 600 procedimentos cirúrgicos por mês. Temos trabalhado para realizar mutirões de cirurgias eletivas por meio do programa Fila Zero. Isso só é possível graças a uma equipe que é capacitada e está alinhada para garantir a eficiência do serviço prestado aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS)”, acrescentou a gestora.
Para o secretário adjunto de Gestão Hospitalar da SES, Oberdan Lira, os indicadores demonstram que o Hospital Estadual segue um modelo de eficiência em gestão.
“O desempenho do Hospital Estadual Santa Casa expressa o comprometimento que as equipes de todas as unidades hospitalares geridas pelo Estado têm. A Rede Estadual está capacitada e trabalha para ofertar serviços cada vez mais eficientes para a população de Mato Grosso”, concluiu.
Atualização cadastral
A diretora da unidade ainda observa que o Hospital Estadual Santa Casa tem capacidade para aumentar o número de cirurgias realizadas e pontua que há dificuldade em localizar os pacientes que aguardam na fila das cirurgias eletivas. Para facilitar a localização, a gestora pede para que a população mantenha o cartão de saúde do SUS com endereço e telefone atualizados.
“É através dele que vamos encontrar esses pacientes que estão na fila das cirurgias. Muitas das vezes a pessoa é elegível para a cirurgia, mas não é localizada porque mudou de telefone ou endereço. Nós tentamos fazer uma busca ativa, mas ainda assim temos dificuldade”, observa.
Para fazer a atualização do cadastro do SUS, basta comparecer em uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.