MATO GROSSO
Mapeamento de aves em terras indígenas vai fomentar etnoturismo em MT
MATO GROSSO
O biólogo e consultor ambiental Dalci Oliveira, também professor aposentado da UFMT, realiza o inventário faunístico em algumas terras indígenas em Mato Grosso para subsidiar a elaboração dos planos de visitação junto a Fundação Nacional do Índio (Funai). Para explorar a atividade econômica do turismo nas aldeias, é necessário passar pelo crivo do órgão federal conforme a Instrução Normativa 03/2015. Ele apresentou as informações na 17ª Avistar, maior evento de promoção de aves do Brasil, realizada de 17 a 19 de maio, no campus da USP.
Mato Grosso é conhecido como um dos principais hotspost, ou seja, áreas em que o observador de aves vai encontrar uma diversidade maior de espécies. O Cristalino Lodge, em Alta Floresta, e a Pousada Jardim da Amazônia, em São José do Rio Claro, estão entre os cinco do país nesta modalidade do turismo. Contudo, as áreas indígenas na Amazônia, Cerrado e Pantanal tem potencial de atrair esse público.
“Esta é mais uma saída para dar sustentabilidade para os povos indígenas. Hoje eu trabalho no Xingu e com os xavantes e os kura-bakairi. Além disso, faço o treinamento com os indígenas para que eles se tornem futuros condutores de visitação, porque quando um guia chega na região, ele tem que contratar obrigatoriamente um condutor indígena”, destacou o professor.
O secretário adjunto de Turismo, Felipe Wellaton, destacou no evento que Mato Grosso é um importante destino de ecoturismo porque consegue aliar a conservação de 62% das florestas e áreas de mata com a produção de alimentos. O turismo desenvolvido pelo Governo do Estado tem buscado desenvolver o etnoturismo para que os indígenas também possam ser beneficiados com essa cadeia econômica.
“Quando a gente fala do ecoturismo, a gente fala de diversas atividades, da observação de aves, da observação de animais silvestres, pesca esportiva, atividades nas corredeiras, cachoeiras e lazer. Tudo isso pode ser integrado tanto no território indígena. O etnoturismo está em evidência, é uma grande tendência do mercado internacional em busca de experiências, de vivência e a gente quer trazer essas experiências que são únicas dentro do nosso estado”, disse Wellaton.
Um mapeamento realizado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, por meio da adjunta de Turismo, junto a Funai aponta que das 43 etnias, 19 praticam atividades dentro dos seus territórios, com ou sem plano de visitação aprovado.
“Hoje nós temos nove territórios autorizados com plano de visitação e quatro em análise, isso sem contar os que a gente já tiveram licença do plano de visitação, mas que estão vencidos, que são oito. No total, teríamos mais de 20 aldeias preparadas com plano de visitação nessa atualização. A nossa missão é desenvolver mais planos de visitação de territórios e, consequentemente, também estruturação e qualificação. Não basta apenas ter o plano de visitação, mas temos que estruturar essas aldeias também junto com os operadores para fazer o passeio. Estamos em diálogo com o Sebrae e com outras associações para a gente desenvolver e consultorias para estruturar e qualificar, pois no turismo é preciso responder três perguntas: o que fazer, onde comer, em onde se hospedar, tudo isso com segurança e planejamento”, destacou.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.
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