MATO GROSSO
Novos vídeos mostram “rotina” de raposa no Parque das Águas
MATO GROSSO
Novos vídeos gravados na noite de quinta-feira (24), no Parque das Águas, em Cuiabá, mostram a interação entre a raposa-do-campo que passou a frequentar o local recentemente e uma capivara adulta.
Em uma das filmagens, que dura 1min44s, a capivara aparece correndo atrás da raposa, que rapidamente se afasta e não deixa o outro animal se aproximar. A mesma situação acontece várias vezes, inclusive em outros vídeos.
Não é possível afirmar qual seria o intuito dos animais nessa interação, mas uma das possibilidades é que a capivara estivesse tentando afugentar a raposa para proteger seus filhotes.
Outra suspeita é que a raposinha, que vivia em par com outra que morreu atropelada na região do Paiaguás, estivesse apenas interagindo com a capivara.
Já em outros vídeos, a raposa aparece atravessando a pista de ciclismo e indo para próximo dos banheiros, enquanto a capivara fica do outro lado, observando-a. A raposa passeia por várias áreas do parque, e parece não se intimidar com a presença da pessoa filmando.
Espécie vulneráve
A raposa-do-campo é um canídeo que vive somente no Cerrado brasileiro, e atualmente é tida como uma espécie vulnerável, segundo o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e considerada pela IUCN (International Union for Conservation o Nature) como uma espécie quase ameaçada.
Essa espécie é monogâmica, ou seja, tem apenas um parceiro durante a vida toda. A alimentação deles é onívora, o que significa que se alimentam de insetos e pequenos vertebrados, sendo a maior parte da dieta composta por cupins e também frutos.
Sem proteção
A reportagem entrou em contato com a Limpurb (Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos), que faz a gestão do local para saber quais ações o órgão tem planejado para preservar a vida do animal, porém não houve retorno até a publicação da matéria.
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Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.