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Número de mulheres donas do próprio negócio aumenta em MT; 45% das empresas são comandadas por elas
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O estado tem 215.729 empresas sob o comando de mulheres, o que representa 45,35% do total de 475.607 empreendimentos abertos em Mato Grosso. Uma dessas empresárias é Mônica Lesiuk, que no ano passado pegou um crédito com a Agência de Fomento Estadual, a Desenvolve MT, para comprar um equipamento e custear um curso profissional de estética para melhorar o atendimento na clínica dela, em Lucas do Rio Verde. “É importante esse apoio que recebemos para fortalecer nossos negócios”, destaca.
Somente em 2022, houve um crescimento de 3,22% de empresas gerenciadas por mulheres em Mato Grosso, passando de 29.538 abertas em 2021 para 30.489, abertas em 2022 e que seguem em atividade.
O percentual cresce a cada ano. Em 2019, o número de empresas abertas em nome de mulheres aumentou 21,52% em relação a 2018. Já em 2020, mesmo com a pandemia, saltou para 16,15%. No ano de 2021 subiu mais 33,9% em relação ao ano anterior.
No caso dos registros de Microempreendoras Individuais (MEI), elas são 106.498, que significa 45% de um total de 266.017 MEIs cadastradas em Mato Grosso, até 28 de fevereiro.![]()
Um exemplo é a ceramista Julia Rodrigues da Conceição, 58 anos. Ela abriu a Pote Cheio Artes em setembro de 2022, mas há 43 anos atua como artesã. Com o aumento de pedidos de restauração de imagens de santos e pedidos de obras e artefatos de concreto, cimento, fibrocimento, gesso e materiais semelhantes, ela se viu obrigada a formalizar para emitir notas fiscais e participar de cartas convites junto ao poder público.
“Nós mulheres temos quebrado tabus, somos tão inteligentes quanto os homens e estamos avançando. Antes a mulher era tratada como alguém atrás dos homens, mas estamos nos qualificado e empreendendo”, declarou a ceramista.
As mulheres são as que mais acessam as linhas de créditos da Desenvolve-MT. De 2019 até agora, 51,53% dos créditos liberados na agência são destinados a mulheres empreendedoras em todas as modalidades: capital de giro, turismo, empresarial, empreendedor, transporte, entre outras. Os dados incluem os do programa Banco da Mulher Empreendedora.
De 1º de janeiro a 28 de fevereiro deste ano já foram liberados R$ 2,3 milhões em créditos para mulheres. No ano passado, R$ 11,8 milhões foram destinados para projetos para o público feminino e em 2021 foram R$ 10,7 milhões.
A primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, que é madrinha do projeto Banco da Mulher, destaca a importância dos incentivos e também da qualificação profissional.
“Os números mostram por si que a mulher está empenhada e cada vez mais independente. Incentivar e dar oportunidade às mulheres é fundamental, bem como proporcionar a qualificação profissional. A mulher financeiramente e emocionalmente forte é uma mulher confiante e ninguém segura”.
Para a secretária adjunta de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, Eulália Oliveira, os dados são reflexo do empreendedorismo feminino, que despontou mais ainda durante a pandemia, como mostram os dados da Jucemat. No período de restrições, muitas montaram o próprio negócio, se tornaram MEI, buscando também regularizar a situação e legalizando a atividade junto ao Governo.
“Muitas mulheres começaram o próprio negócio apenas para complementar a renda e deu tão certo, que a atividade passou a ser a principal. Com isso, buscaram formalizar a empresa e acessar financiamentos e linhas de crédito”, comentou Eulália.
Fonte: GOV MT
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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.