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Páscoa deve movimentar R$ 640,6 milhões na economia local, aponta pesquisa do Sebrae/MT

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Expectativa dos comerciantes cresce a pouco mais de três semanas para a Páscoa. Pesquisa realizada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae/MT) aponta que 80% da população ativa planejam festejar a data religiosa, que, neste ano, será celebrada em 20 de abril. A estimativa é que a comemoração movimente R$ 640,6 milhões na economia local, influenciada pela demanda aquecida nos setores de confeitaria, supermercados e artesanato.

Um dos principais símbolos da data, o chocolate terá presença garantida nos festejos dos consumidores mato-grossenses. A intenção de compra do produto oriundo do cacau saltou 26% em comparação ao ano anterior, passando de 36% para 62%. O ticket médio de gastos é de R$ 405,70 e uma parte considerável dos entrevistados disse que deve investir cerca de R$ 250. Produtos industrializados como ovos de chocolate (69%) e caixas de bombons (48%) estão no topo das preferências dos clientes – especialmente entre aqueles que recebem entre dois e cinco salários mínimos.

Produtos da categoria “premium” também têm participação expressiva nas vendas da Páscoa, segundo a pesquisa. Isso porque entre os grupos socioeconômicos mais elevados (que ganham acima de cinco salários mínimos), as principais escolhas são itens artesanais como ovos caseiros recheados (22%), barras de chocolate (18%) e cestas personalizadas com produtos diversos (8%). Especialistas destacam que o forte apelo afetivo e comercial da data também abre oportunidades para o empreendedorismo.

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Segundo a analista técnica do Sebrae/MT, Beatriz Jardim, muitas empresas dos segmentos de confeitaria surgiram na Páscoa como uma alternativa para profissionais com vocação para o artesanato e que estavam desempregados ou em busca de renda extra. “O grande destaque da confecção caseira é o toque de customização, que torna o produto mais elaborado. Apostar em sabores sofisticados, receitas saudáveis, embalagens atrativas e edições limitadas pode atrair um público disposto a gastar mais por uma experiência diferenciada”, pontua.

Apesar do interesse em aproveitar a Páscoa, a aquisição de produtos para presentear amigos e familiares tem uma série de desafios. O levantamento do Sebrae/MT revela que a situação financeira e a disponibilidade imediata de produtos em meio à alta demanda são fatores que influenciam o consumo. Para a maioria (60%) dos entrevistados, o preço ainda é determinante na decisão de compra da mercadoria.

“Praticar valores competitivos é importante, mas não é tudo. Nos últimos anos, o perfil do consumidor mudou muito e a exigência por melhores custos-benefícios só aumentou”, comenta Beatriz. Ainda conforme a analista, a pesquisa ressalta a necessidade de se investir em um bom atendimento, qualidade dos produtos, promoções ou descontos atrativos e oferta de condições vantajosas de pagamento. “Essa combinação contribui não só para fidelizar como também para conquistar novos clientes que, eventualmente, não tenham interesse de consumir na data”.

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Apoio

Para auxiliar empreendedores em suas empreitadas durante a Páscoa, o Sebrae Mato Grosso oferece uma gama de serviços voltados ao desenvolvimento de micro e pequenos negócios. A instituição traz soluções de design de embalagens para empresas de pequeno porte, bem como consultorias para a edificação de novos produtos e precificação. “Preparar-se de forma eficaz e antecipada é o primeiro grande passo para fabricar bons produtos e ter sucesso em vendas”, finaliza a analista Beatriz Jardim.

Dados da Pesquisa

O levantamento foi realizado por meio de entrevistas telefônicas entre os dias 18 de fevereiro e 7 de março de 2025 em todo o estado de Mato Grosso. Foram entrevistados 1.089 residentes maiores de 18 anos. Para a sondagem, utilizou-se a metodologia quantitativa, com margem de erro de 5% e índice de confiança de 95%.

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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões

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Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação

O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.

A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.

O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.

Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.

Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.

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Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.

“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.

Credores aprovam novo período de proteção

Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.

A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.

O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.

Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira

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Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.

Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.

Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.

“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.

Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.

A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.

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