MATO GROSSO
Peritos criminais participam de capacitação para operação de drones
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Cerca de 40 peritos oficiais criminais da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) participam do Curso de Imageamento Aéreo com Aeronave Remotamente Pilotada, popularmente conhecida como drone. O treinamento, realizado na unidade do Plantão Metropolitano de Cuiabá, teve início na segunda-feira (28.03) e segue até a próxima quarta-feira (06.04). A capacitação foi dividida em três turmas, totalizando 24 horas de carga horária total por equipe.
A Coordenadoria de Perícias Externas, localizada em Cuiabá, já utiliza os equipamentos em levantamentos periciais, proporcionando maior celeridade nos levantamentos e robustez aos laudos. Isso porque os drones possibilitam os registros e obtenção de imagens simultâneas dos voos, permitindo ao perito oficial criminal acesso aos cenários com fidelidade no momento do levantamento de vestígios do local de crime.
A ferramenta permite, ainda, a criação de croquis com imagem do local de crime; obtenção de imagem ampla de toda a área relacionada com o evento; segurança à equipe executora – por fotografar locais de difícil acesso, como, em rodovias e precipícios, locais com risco de desabamento.
No curso, composto por aulas teóricas e práticas, estão sendo ensinadas as técnicas fundamentais para a utilização dos equipamentos no levantamento de locais de crimes, técnicas de fotografia e filmagem aérea, bem como o processamento e análise dessas imagens. Além disso, as legislações vigentes que regulamentam a utilização do equipamento também fazem parte do conteúdo programático.
Segundo o instrutor Luiz Antônio Borges de Souza Júnior, o curso no primeiro dia foi voltado para segurança dos equipamentos e da operação em geral. “Já o curso de aerofotogrametria, que é um dos métodos utilizados para o mapeamento da superfície terrestre, ensinou os servidores a captar as imagens de forma manual e automática, e depois, processar estas imagens para poder extrair essas informações que serão fundamentais para o laudo de cada perito”, citou.
Conforme o Diretor de Interiorização da Politec, Mairo Fábio Camargo, a capacitação é resultado de um projeto elaborado com o objetivo de atender à necessidade de treinamento contínuo para a utilização de novas tecnologias nas perícias. Em 2022, a Politec prevê em seu planejamento estratégico a aquisição de 15 drones que serão destinados às gerências regionais do interior.
Para o perito criminal lotado na Gerência de Criminalística de Alta Floresta, Mario Waechter, a utilização do equipamento contribui consideravelmente para a qualidade do laudo pericial. “Esse curso vem ao encontro aos nossos anseios. Muitos locais são melhores compreendidos quando possuímos uma imagem ampla dos vestígios de local de crime, uma vez que poderá esboçar com maior precisão e qualidade os eventos periciados”, disse.
Participarão do treinamento peritos integrantes da Diretoria Metropolitana de Criminalística de Cuiabá e das gerências regionais de Criminalística de Sinop, Alta Floresta, Guarantã do Norte, Barra do Garças, Rondonópolis, Primavera do Leste, Confresa, Alto Araguaia, Sorriso, Tangará da Serra, Cáceres e Juína.
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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.