MATO GROSSO
Polícia Civil prende diarista que roubou idosa e a manteve em cárcere privado em Cuiabá
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Uma jovem de 21 anos foi presa pela Polícia Civil, em Pontes e Lacerda (448 km a oeste de Cuiabá), por envolvimento em um roubo a uma idosa, na quarta-feira (10.09). O crime ocorrido em Cuiabá causou comoção pela violência em que a vítima foi tratada.
A suspeita estava com a prisão preventiva decretada, após ação integrada da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos Automotores de Cuiabá (DERFVA) e da Delegacia de Pontes e Lacerda.
O crime ocorreu em fevereiro deste, em uma residência no bairro Coophema, na capital. A vítima de 68 anos foi rendida por duas mulheres armadas, amordaçada e mantida em cárcere privado, enquanto as suspeitas reviravam o imóvel.
Foram roubados diversos objetos e o veículo da idosa. As criminosas também realizaram transferências bancárias fraudulentas com o aparelho celular da vítima.
Em diligências, a DERFVA descobriu que a jovem de 21 anos havia começado a trabalhar como diarista na casa da idosa dias antes do roubo, o que facilitou a entrada da dupla, pois elas usaram o cartão de acesso obtido com a confiança da vítima.
Com base nos indícios e provas de autoria, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva das investigadas, que foi decretada pela Justiça.
Após deferimento das ordens judiciais, e, diante do fato da suspeita residir em Pontes e Lacerda, foi solicitado apoio à Delegacia de Polícia da cidade, que localizou e prendeu a procurada em uma residência no bairro Jardim Morada da Serra.
Em seguida a investigada foi conduzida para as providências cabíveis, sendo apresentada e colocada à disposição do Poder Judiciário.
Conforme o delegado titular da DERFVA, Diego Alex Martimiano da Silva, a prisão da suspeita é um passo importante no desmantelamento dessa quadrilha especializada em roubo a residências.
“A Polícia Civil segue empenhada na identificação e prisão dos demais integrantes do grupo criminoso. Qualquer informação que possa auxiliar nas investigações pode ser repassada de forma anônima através do Disque Denúncia 197’, destacou o delegado.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.