MATO GROSSO
Polícia Civil prende mandante de três homicídios ocorridos em Rondonópolis
MATO GROSSO
A Polícia Civil identificou o mandante de três homicídios ocorridos entre a noite de quarta-feira e a madrugada deste quinta-feira (1º.12), em Rondonópolis. Duas pessoas foram assassinadas e uma sofreu uma tentativa de homicídio.
As investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa apontaram que E.S.B., de 27 anos, preso na Penitenciária Major Eldo de Sá Corrêa, ordenou, de dentro da unidade prisional, os crimes cometidos contra sua companheira, Bruna Andriele de Souza e outras duas pessoas.
Conforme a apuração, ele teria descoberto que a companheira teve um relacionamento extraconjugal com as outras vítimas e, por não aceitar a suposta traição, ordenou os assassinatos.
O mandante foi autuado em flagrante por homicídio qualificado, por duas vezes, um homicídio tentado qualificado e associação criminosa. Em relação à mulher, ele responderá pelo homicídio com a qualificadora de feminicídio.
O criminoso está preso na penitenciária de Rondonópolis pelos crimes de tráfico de drogas e roubo.
A investigação da DHPP de Rondonópolis prossegue para chegar aos executores dos homicídios.
Crimes
Bruna Andriele, de 24 anos, foi encontrada em sua residência, no Residencial São José, na noite de quarta-feira, atingida com disparo de arma de fogo na cabeça. Ela foi socorrida ainda com vida pelo Serviço de Atendimento de Urgência (Samu) ao Hospital Regional, mas foi a óbito.
Conforme as informações coletadas no local, um homem vestido com blusa de frio e usando capacete arrombou a porta da casa e, depois de identificar a vítima, fez o disparo.
O outro homicídio foi registrado no Jardim Iguaçú. Marcos Gabriel Alves de Carvalho, de 27 anos, jogava bola em uma quadra do bairro quando foi surpreendido por um homem alto, magro, usando blusa de frio com manga e touca, que iniciou os disparos. A vítima ainda tentou fugir, mas só conseguiu correr alguns metros e, logo depois, caiu.
O terceiro crime, uma tentativa de homicídio, ocorreu no Jardim Serra Dourada 2, onde a vítima, de 29 anos, foi atingida com disparos de arma de fogo e socorrida por familiares. Na residência, os policiais recolheram cápsulas de calibre 9 mm.
Conforme informações coletadas pela equipe de investigação, dois suspeitos invadiram a casa procurando pela vítima e fizeram os disparos. O rapaz conseguiu fugir e se abrigar em seu quarto, sendo socorrido posteriormente.
Fonte: GOV MT
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.