MATO GROSSO
Polícia Militar debate com lideranças comunitárias segurança nos bairros da baixada cuiabana
MATO GROSSO
O comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Alexandre Correa Mendes, participou de uma reunião com representantes dos Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs) e líderes comunitários da baixada cuiabana, na noite desta quarta-feira (15.06), na Capital. O encontro propôs um debate aberto com novas propostas para a modernização da polícia comunitária, em Cuiabá.
A reunião foi organizada pelo Primeiro Comando Regional (CR 1), sediado em Cuiabá, e realizado no auditório da Controladoria-Geral do Estado (CGE-MT). Em tom de diálogo aberto, o encontro promoveu perguntas realizadas pelos líderes comunitários e representantes, respondidas pelo comandante-geral da PM, coronel Mendes, e também pelos comandantes dos batalhões e companhias.
Coronel Mendes ressaltou a importância da Polícia Militar estar presente e voltada para a comunidade, dando valor a voz das lideranças comunitárias, em prol de boas práticas para segurança e combate à criminalidade, junto com ações sociais que possam valorizar os moradores locais.
“O trabalho comunitário, de proximidade com a comunidade local é algo que tenho bastante orgulho de ter feito em minha vida e tenho muito respeito. É preciso que a comunidade esteja presente, sabendo a importância do trabalho da Polícia Militar e como ela realiza esse trabalho, atuando sempre em conjunto para que possamos solucionar os problemas daquela região”, pontuou o coronel Mendes.
Entre os temas discutidos estavam o início da jornada extraordinária da PMMT, que permite que policiais militares de folga possam trabalhar e receberem por essas horas, reforçando o policiamento ostensivo das cidades. Além disso, a implantação do provimento do Poder Judiciário que permite a Polícia Militar a elaboração do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), para crimes de menor potencial ofensivo que cominem com pena máxima não superior a dois anos, também foi abordada durante a reunião
Os representantes dos Consegs e líderes de bairros também elogiaram as iniciativas de ações sociais promovidas pelos batalhões e também os programas de policiamento, como a Patrulha Rural e a Patrulha Maria da Penha, que são bem recebidos pela população e que têm ajudado significativamente na redução dos índices criminais.
Também participaram do evento o subchefe de Estado-Maior Geral da PMMT, coronel Wilker Soares Sodré; o comandante do Primeiro Comando Regional da PM, coronel Wankley Correa Rodrigues; a líder comunitária do bairro Nova Esperança II, Eulelice de Souza Martins Siqueira, que representou todas as lideranças comunitárias presentes; além de outras autoridades militares e civis.
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.
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