MATO GROSSO
Prefeito autoriza início da construção do novo Mercado Municipal Miguel Sutil e revitalização do Centro Histórico; Veja o novo conceito
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O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, autorizou na manhã desta quinta-feira (17), o Consórcio CS Mobi Cuiabá, do grupo Simpar, a iniciar o processo das obras de revitalização do Centro Histórico de Cuiabá. A Parceria Público-Privada (PPP), de cerca de R$125 milhões, tem como objetivo promover a revitalização e ressignificar o uso social dos espaços para renovar o potencial econômico da região. Para marcar o início do projeto, uma das paredes do Mercado Municipal Miguel Sutil foi demolida pelo gestor.
A ordem de serviço conta com quatro frentes: a construção e operação do novo Mercado Municipal Miguel Sutil; requalificação das vias locais e pedestralização do centro urbano (criação de espaços adequados aos pedestres); modernização do mobiliário urbano, como bancos públicos, pontos de ônibus, suportes para bicicletas e relógios com conectividade; e novos espaços de estacionamento (Smart parking).
“Esse é o início de todo o processo de transformação que deixará um legado significativo para as futuras gerações de nossa capital, valorizando nosso centro histórico. O cronograma de entrega está previsto para dezembro do próximo ano. Esta será a última grande obra entregue pela administração Emanuel Pinheiro, após oito anos de transformações em nossa cidade”, disse o gestor.
Fazendo um breve resgate histórico, o gestor garantiu que a capital terá um dos mais bonitos mercados municipais, unindo modernidade e respeito à história.
“Durante o desenvolvimento da Parceria Público-Privada (PPP), nos deparamos com a pandemia, o que resultou na perda de um ano e meio crucial para lançar a PPP do Mercado Municipal. No entanto, chegamos ao modelo ideal após um processo que envolveu diversas referências, como o Mercadão de São Paulo, Rio de Janeiro, o Mercado Central de Belo Horizonte e os renomados mercados de Lisboa. Nosso objetivo era trazer para Cuiabá a visão de uma capital de grande porte, uma metrópole vibrante. Cuiabá merece o melhor em todas as áreas, deve pensar grandiosamente e aspirar a ser uma referência para outras capitais e centros urbanos. Nossos parceiros na PPP ficaram impressionados com essa postura, pois nenhuma outra cidade brasileira, seja capital ou não, deu uma dimensão tão ampla ao resgate de seu centro histórico. Esta é uma tarefa que carrega consigo um profundo vínculo com nossa história, nosso tempo e nosso povo. Demorei quase um ano para localizar toda a documentação relacionada a esta área. Imaginem o esforço envolvido. Foi com a colaboração do ex-prefeito Roberto França que descobri que essa área pertence à Câmara Municipal de Cuiabá desde 1930. A aprovação e o registro cartorial foram conquistas resultantes de um esforço significativo e dedicado de quem ama Cuiabá e está comprometido em proporcionar o melhor para nossa cidade. Muitos prefeitos antes de mim deixaram uma marca feia e deteriorada no coração do centro histórico de Cuiabá. Mas agora, tudo está mudando”, finalizou.
O gestor ainda agradeceu à primeira-dama Marcia Pinheiro, que não pôde comparecer ao evento pois cumpre agenda em Brasília. “Todo o projeto de embelezamento contou com o trabalho da primeira-dama”.
O novo mercado terá uma arquitetura representada por uma fachada mais simplificada e limpa, ostentando o verde como a essência da “Cidade Verde”. O viés sustentável do projeto se dará pela irrigação da fachada verde sendo realizada com água de reuso do edifício, contribuindo dessa forma para o consumo consciente. O design visual da obra está na associação do verde e vegetação a um ambiente agradável e confortável, criando um mini ecossistema formado por um monumento de vegetação natural que contribuirá também para a redução da temperatura local.
Relembrando um pouco da história do local, o secretário de Agricultura, Trabalho e Desenvolvimento, Francisco Vuolo, destacou os desafios até que a Prefeitura de Cuiabá efetivasse a iniciativa. “Ao refletirmos sobre a história, lembramos que este espaço, construído na década de sessenta, tem uma importância significativa. Após muitos anos e diversas gestões, esta área, embora separada do patrimônio tombado, enfrentou desafios para receber os investimentos públicos necessários. Com visão e determinação, o prefeito Emanuel Pinheiro lançou a PPP, uma parceria público-privada inovadora, que permitirá a edificação de uma nova estrutura, representando um passo essencial para a revitalização do centro histórico de Cuiabá. Esta empreitada audaciosa trará uma nova identidade ao nosso centro, renovando nossa ligação com a história e fortalecendo nossa economia local. Hoje é um dia verdadeiramente histórico, um marco onde a coragem e o compromisso se entrelaçam. Aplaudimos a iniciativa e reconhecemos o esforço daqueles que dedicaram seus esforços a esse projeto”.
A construção dará vida ao novo Mercado Municipal e privilegiará práticas sustentáveis, com a adoção de soluções tecnológicas em prol do desenvolvimento. No total, serão quatro pavimentos, com 180 lojas, uma ampla praça de alimentação com quiosques e restaurantes, e ambiente climatizado para oferecer mais conforto para a população cuiabana.
No local vai funcionar um estacionamento rotativo, com cerca de 500 vagas, para carros e motos, que são reversíveis e poderão atender também a eventos e serviços. Além de um sistema automatizado com sensores para identificar a disponibilidade de vagas, compra e recarga de créditos.
“Modernidade significa ao mesmo tempo preservar a cuiabania, preservar o nosso patrimônio histórico, mas ao mesmo tempo trazer a tão sonhada modernidade e o respeito aos comerciantes, às entidades que representam todos que frequentam a área central. Traduzindo, é o resgate da área central sem perder de vista o cidadão cuiabano sem perder de vista aqueles que mais precisam do poder público. É isso que eu tenho a dizer, agradecendo a todos, um bom dia a todos, a fala do Prefeito vai traduzir de forma geral como vai ficar lindo isso daqui como vai ser dinâmico, como vai ser moderno e como vai trazer uma transformação na área central”, declarou o vice-prefeito e secretário de Obras Públicas, José Roberto Stopa.
De acordo com Guilherme de Figueiredo Dias, diretor executivo da CS Infra, uma das empresas responsáveis pelo Consórcio CS Mobi Cuiabá, com a implantação do Novo Mercado Municipal Miguel Sutil, se espera uma retomada das áreas de comércio e serviço local.
“Para a valorização desta área central serão implantados equipamentos urbanos que vão oferecer conforto e conectividade aos usuários, a fim de atrair mais visitantes para o comércio e os serviços locais, além de estimular a economia. O novo espaço tem potencial para receber cerca de 100 mil frequentadores por mês”, comentou.
Preocupação com a recuperação das vias e do entorno
A reestruturação do entorno do Mercado Miguel Sutil também faz parte do projeto, com a requalificação urbana das ruas, recuperação de calçadas em vias estruturais e ao redor do mercado, com a restauração de calçadões, pavimento asfáltico e meios-fios.
“Reconhecida como a Cidade Verde por sua abundante arborização, contribuiremos ativamente com a restauração da flora de Cuiabá, realizando o plantio de árvores e palmeiras, tornando a área comercial central ainda mais atrativa”, lembrou Guilherme.
Desenvolvendo o conceito de Cidade Inteligente (Smart City)
Com uma abordagem inovadora e sustentável de planejamento urbano que integra tecnologias da informação e comunicação para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, o projeto contará com a análise de dados para identificar problemas urbanos e promover a eficiência de serviços e uso inteligente de recursos.
Diante deste cenário, está previsto nas praças Alencastro e Rachid Jaudy, arredores do novo Mercado Miguel Sutil, a implantação de abrigos de ônibus com sistema de mobilidade inteligente, totens eletrônicos, estação de aparelhos de ginástica, bancos com repetidor Wi-Fi, entre outros equipamentos urbanos como que vão transformar a mobilidade da cidade e promover mais informações e segurança aos usuários do transporte público e frequentadores.
“O centro de Cuiabá será todo modernizado, com a integração do sistema online de mobilidade urbana inteligente, que será implantada em toda a infraestrutura, como em abrigos de ônibus e painéis com a exibição de informações em tempo real veiculadas no transporte público. Também terão totens com display digital de informações turísticas, facilitando o acesso e a prestação de serviços aos usuários”, destacou Kenon Mendes de Oliveira, gerente Geral de Operação do Consórcio CS Mobi Cuiabá.
As ruas contarão com relógios em displays digitais com dados como hora e temperatura. Haverá ainda a instalação de repetidores de Wi-Fi em bancos públicos de concreto e madeira em locais específicos, com acesso livre à Internet. Os mobiliários urbanos terão espaço para a construção de suportes com ponto de recarga e parada para bicicletas e veículos, que podem ser conectados a um sistema online.
“Todas as melhorias serão implementadas para agregar conectividade e informação aos frequentadores da região central de Cuiabá, e o Mobiliário Urbano que integra este projeto poderá ser estendido para outras regiões do município”, explicou Kenon.
Participaram do evento, os vereadores Luis Claudio Sodré, Cezinha Nascimento e Paulo Henrique; deputado estadual Juca do Guaraná; secretário de Agricultura, Trabalho e Desenvolvimento Econômico, Francisco Vuolo; Arthur Oliveira (representante da CS Mobi); João Airton (representante da Acomac-MT); presidente do bairro Centro-Sul, Maria Molina; diretor-geral da Águas Cuiabá, Renato Carlini Camargo; presidente do Sindicatos de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Mato Grosso (SHRBS), Luis Carlos Nigro; Roberto Peron (representante da Associação Comercial e Empresarial de Cuiabá – ACC); presidente da Associação dos Lojistas do Centro Histórico de Cuiabá, João Batista; Diretora de Projetos de Concessões e PPPs, Elaine Cristina Baldrighi.
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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.