MATO GROSSO
PSB de Max Russi tenta fazer sucessor transferindo votos de Pátio para diretor da Sanear
MATO GROSSO
O presidente do diretório estadual do PSB em Mato Grosso, Max Russi, disse que, em Rondonópolis (215 km de Cuiabá), o partido tenta viabilizar a pré-candidatura à prefeitura do diretor-geral do Serviço de Saneamento Ambiental de Rondonópolis (Sanear), Paulo José Correa. Max admitiu a dificuldade em promover a transferência de votos do atual chefe do Executivo, José Carlos do Pátio (PSB), para Correa e deixou o grupo aberto para compor alianças com outras siglas.
“Agora é um momento de pré-campanha. Não tem ainda uma definição, existe um nome colocado do secretário do Zé Carlos do Pátio, Paulo José. Ele está tentando viabilizar seu nome, eleição é ter respaldo popular”, falou Max Russi.
Pátio caminha para o fim do seu segundo mandato e não poderá pleitear nova candidatura. Max pontuou que o prefeito qualifica boa aceitação, porém, construir uma campanha baseada apenas na transferência dos votos é arriscado nesse momento.
“Transferência de voto por si só não é fácil. É lógico que tem um tempo longo ainda, a gente está há mais de um ano da eleição e é preciso ver se consegue casar a popularidade com o conhecimento da gestão e o candidato que for apoiar”, explicou o presidente do PSB em Mato Grosso.
Outros partidos miram a cadeira do Executivo em Rondonópolis, o MDB é um deles e projeta o deputado estadual Thiago Silva para o cargo. O parlamentar da Assembleia Legislativa (ALMT), Cláudio Ferreira (PTB), é mais um político que se colocou à disposição para disputar a prefeitura. O ex-prefeito de Rondonópolis, Adilton Sachetti (Republicanos), fecha a lista de pré-candidatos. Max não acredita que os três possam se unir em uma chapa, mas reconhece que a sigla que conseguir compor com um dos três terá mais musculatura.
“Não acredito nessa junção (de partidos da Direita). Vejo várias pré-candidaturas: Adilton, Claudio, Thiago Silva, enfim, são vários nomes que estão sendo colocados aí que, daqui para o ano que vem, vai ter muita conversa e qualquer união que tiver e conseguir fazer sai bastante fortalecido para esse processo. Ainda mais em Rondonópolis, que é uma cidade com eleição de um turno só, diferente de Cuiabá”, avaliou o deputado estadual.
O líder do PSB ainda deixou o partido aberto para, em um futuro não tão distante, conjugar possíveis alianças. “O PSB está bastante aberto, um partido que conversa com todo mundo e procura, sempre através do diálogo, fazer essas definições, principalmente ouvindo a população”, declarou Max.
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.
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