MATO GROSSO
Sedec inicia capacitação para potencializar atração de investimentos estrangeiros para MT
MATO GROSSO
A aula inaugural foi aberta pelo secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, e pelo especialista Sênior de Comércio Internacional e Investimento do Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID), Francisco Estrazulas de Souza. O objetivo do treinamento é aperfeiçoar as ações de promoção voltadas ao comércio exterior e construir direcionamentos para potencializar a atração de investimentos para o Estado.
O representante do BID no Brasil, Morgan Doyle ressaltou que Mato Grosso possui grande parte de sua economia baseada na exportação de commodities e que o treinamento vai potencializar o comércio exterior do Estado.
“Estamos empolgados com essa parceria com o Governo de Mato Grosso. Esse treinamento vai para contribuir para intensificar a atração de investimento estrangeiros, considerando as potencialidades de Mato Grosso”, disse.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, ressaltou que Mato Grosso é líder na produção de alimentos e na preservação do meio ambiente, e já possui fortes relações comerciais no exterior. O objetivo,, agora, é ampliar as negociações.
“Já está em funcionamento em Mato Grosso o fundo garantidor (MT Garante), que democratiza o acesso ao crédito para pequenos empresários e produtores. Precisamos olhar para o mercado externo, que é onde a gente consegue agregar valor, ter referência de volumes, de vendas e, para obtermos sucesso assim, precisamos nos capacitar. Por isso o Governo do Estado agradece essa parceria com o BID, que é essencial para gente atrair investimentos”.
O coordenador do Parque Tecnológico Mato Grosso, Rogério Nunes, ressaltou que o aprendizado adquirido na capacitação junto ao BID vai alavancar ainda mais projetos importantes do Governo do Estado.![]()
“Há algum tempo estamos fazendo essa aproximação com o comércio exterior. Temos, por exemplo, contato com a empresa Lenovo, na China, em um projeto que busca inovação e tecnologia, então essa oportunidade de aprender com o BID agrega ainda mais neste importante projeto e em outras ações do governo estadual”, destacou.
O especialista sênior no setor de Comércio Internacional e Investimento do BID, Francisco Estrázulas de Souza, avaliou que a capacitação sobre atração de investimentos estrangeiro pode identificar as barreiras e apontar soluções que podem ajudar a trazer mais investimentos e contribuir com o aumento de exportações do Estado para o mundo.
O cronograma do curso, que tem duração de cinco dias, conta com programação extensa, que prevê conteúdos como estrutura, organograma, atividades e processos para atração de investimentos e as exportações de Mato Grosso, ferramentas, referências estratégicas e de gestão para implementação, e definição quantitativa e qualitativa dos objetivos estratégicos para atração de investimentos e comércio exterior de Mato Grosso.
A capacitação conta com a colaboração do professor Xavier Casademunt, diretor no Brasil e professor associado da ESADE Business School, a 4º melhor escola de empreendedorismo do mundo, segundo o Ranking Poets&Quants (2022). O professor tem desenvolvido projetos de consultoria e treinamento para o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na América Latina, e projetos de consultoria em Investimento Direto, M&A e Alianças Estratégicas para empresas Europeias em toda América Latina.
Participam da capacitação alunos que representam a Ordem dos Advogados de Mato Grosso (OAB-MT), Procuradoria Geral do Estado (PGE), Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer, Universidade Federal de Mato Grosso, Universidade do Estado de Mato Grosso, Casa Civil, Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), dentre outros órgãos e entidades.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.