MATO GROSSO
Sem espinhos e resistentes a pragas, novas espécies de abacaxi desenvolvidas pela Unemat irão contribuir com avanço da produção em MT
MATO GROSSO
O abacaxi é a terceira fruta mais produzida em Mato Grosso, atrás somente da banana e da melancia. A expectativa é aumentar ainda mais a produção da fruta com essas alternativas de espécies, chamadas de Unemat Rubi e Unemat Esmeralda, que são mais rentáveis ao produtor, já que não requerem aplicação de fungicidas e reduzem o custo do plantio.![]()
Evento reúne público de todo o país para discutir estratégias para melhorar a produção de abacaxi – Foto: Unemat/Assessoria
O Simpósio é realizado pelo MT Horticultura, programa de extensão da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura Familiar (Seaf), Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia (Seciteci), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), e Secretaria da Agricultura Pecuária e Abastecimento de Tangará da Serra.
O superintendente da Agricultura Familiar da Seaf, Luciano Gomes, afirmou que uma das vantagens dessas novas cultivares é a resistência à fusariose, principal doença do abacaxi que pode causar prejuízos de até 80% na lavoura, causada pelo fungo Fusarium.
“Outra grande vantagem é que as folhas são sem espinhos, o que facilita o manejo. A variedade tradicional mais plantada é o pérola, que tem espinhos e é suscetível à fusariose”, exemplificou.![]()
Abacaxi é uma das principais frutas produzidas em MT – Lucas Diego/Seaf-MT
A expectativa é multiplicar, a partir de 2025, as mudas para disponibilizar, em pequenos lotes, para agricultores familiares interessados em validar as espécies no campo.
O professor William Krause, coordenador do MT Horticultura, afirmou que com essas novas cultivares os produtores não precisarão gastar com fungicida, tornando a produção da cultura mais lucrativa.
“O produtor tem um custo alto com defensivos agrícolas e mão de obra, então, com essas cultivares, ele não vai precisar aplicar nada para o controle da fusariose. Ela é totalmente resistente, então ele vai economizar e ter uma cultura mais sustentável ambientalmente”, declarou.
O Programa de Melhoramento Genético do Abacaxizeiro da Unemat teve início em 2012 com a implantação do Banco Ativo de Germoplasma (BAG), resultando em 2024 no lançamento comercial das cultivares Unemat Esmeralda e Unemat Rubi.
Fonte: Governo MT – MT
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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.