MATO GROSSO
Setor produtivo demonstra preocupação com Simcar Assentamento e Compensação durante apresentação da Sema
MATO GROSSO
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) apresentou nesta terça-feira (18), em reunião com entidades do setor produtivo e parlamentares, detalhes sobre o funcionamento do Simcar Assentamento e do Simcar Compensação, novas ferramentas digitais que integram o Sistema Mato-grossense de Cadastro Ambiental Rural. A explanação foi conduzida pela secretária adjunta de Gestão Ambiental da Sema-MT, Luciane Bertinatto, responsável por explicar as etapas, regras e critérios para regularização ambiental por meio dos novos módulos.
Durante a apresentação, foram destacadas as mudanças nos procedimentos de validação de informações, regularização fundiária em assentamentos e os fluxos para chancela de áreas destinadas à compensação de Reserva Legal.
Segundo Luciane, o Estado vem intensificando a digitalização de processos para dar mais segurança e celeridade às análises. “O Simcar Compensação vinha sendo uma demanda represada há anos. Agora, com o novo sistema, toda a inserção de informações e etapas de validação passam a ocorrer de forma digital, conferindo mais transparência e padronização aos procedimentos exigidos pelo Código Florestal”, explicou.
Sobre o Simcar Assentamento, ela destacou que o objetivo é acelerar a regularização de pequenas propriedades em projetos de reforma agrária. “Primeiro validamos o perímetro do assentamento e depois individualizamos o cadastro de cada produtor. É um trabalho que exige integração com Incra, Intermat, prefeituras e instituições que auxiliem na coleta dessas informações”, afirmou.
A secretária-adjunta também reforçou que, em relação à compensação de Reserva Legal, o Estado dará prioridade às áreas localizadas dentro de Mato Grosso. “Existe a possibilidade de compensação em outros estados, mas a integração entre sistemas e a análise documental ainda são desafios. Vamos priorizar as unidades de conservação de Mato Grosso antes de analisar áreas externas ao estado”, pontuou.
O deputado estadual, membro da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA-MT) Chico Guarnieri destacou que o tema tem é uma antiga preocupação entre parlamentares e produtores.
“Há muitos anos nós acompanhamos os problemas nos assentamentos, com produtores que dependem do crédito rural e muitas vezes não têm acesso em virtude da falta do CAR e de outros documentos. Precisamos, sim, dar um passo à frente, sair desse lugar onde não temos definições e conseguir, de fato, ajustar políticas públicas para regularizar os assentados e fomentar a produção, estimulando a permanência dessas famílias no campo”, afirmou.
Guarnieri também reforçou que a legislação atual traz insegurança para quem precisa regularizar passivos antigos. “O Código Florestal determina que a compensação seja feita em áreas desmatadas após 2008, mas entendemos que uma revisão é necessária”, completou.
Entidades do setor produtivo presentes na reunião manifestaram preocupação quanto a prazos para regularização e o déficit de áreas para compensação. Produtores afirmam que o prazo estabelecido para adequação, especialmente para assentados, é insuficiente diante da complexidade do novo sistema e da dependência de órgãos fundiários como Incra e Intermat.
“O setor produtivo alerta que o número de áreas disponíveis dentro de Mato Grosso não é suficiente para atender à demanda total de compensação, conforme foi apresentado no estudo do policial federal Bernardo Tabaczenski em nossa reunião de setembro. Outros Estados, como o Pará, já iniciaram seus ajustes com áreas de Unidades de Compensação fora de seus territórios. Em Mato Grosso isso ainda não está sendo, sequer, discutido. Outra questão é em relação ao prazo para que se apresente as áreas para a compensação. Existe um grande número de CARs aguardando análise com uma expectativa de a maioria necessitar algum ajuste para a compensação. Com tanta gente necessitando de áreas para compensação e com tão poucas disponíveis e em prazo tão exíguo para a aquisição, poderá gerar uma imensa conversão de CARs de “ativos” para “suspenso”, o que gerará o caos no setor em Mato Grosso. Precisamos rever alguns pontos para evitar que a produção do Estado acabe sendo paralisada”, pontuou o diretor executivo do Fórum Agro MT, Xisto Bueno.
MATO GROSSO
Especialista alerta: falta de diálogo sobre dinheiro pode comprometer a saúde financeira e até o futuro dos relacionamentos
Quando o assunto é relacionamento, muitos casais conversam sobre casamento, filhos, carreira e planos para o futuro. No entanto, uma das pautas mais importantes para a construção de uma vida a dois ainda costuma ser deixada de lado: o dinheiro.
Questões relacionadas a orçamento doméstico, dívidas, investimentos e metas financeiras frequentemente se tornam fontes de conflitos quando não são discutidas de forma transparente. Especialistas apontam que a falta de diálogo sobre finanças está entre os fatores que mais geram desgaste emocional e tensão dentro dos relacionamentos.
Para a professora de Ciências Contábeis Maria Clara Martins, o problema vai além da simples organização financeira.
“Muitos casais evitam conversar sobre finanças. Isso acontece porque culturalmente associamos dinheiro a poder pessoal. Isso pode resultar em um dos parceiros esconder gastos, dívidas e receitas do outro — o que chamamos de infidelidade financeira. Situações como essa podem adicionar estresse constante e, muitas das vezes, são a razão para separações”, explica Maria Clara, da Faculdade Serra Dourada de Lorena.
Os erros financeiros mais comuns entre casais
Segundo a docente, a ausência de um planejamento financeiro compartilhado costuma levar a erros que poderiam ser evitados com uma simples conversa periódica sobre o orçamento familiar.
Entre os problemas mais frequentes está a inexistência de uma reserva de emergência para o casal. Sem esse recurso, situações inesperadas como desemprego, problemas de saúde ou despesas urgentes podem comprometer significativamente a estabilidade financeira da família.
Outro ponto de atenção são os gastos duplicados. A falta de alinhamento pode fazer com que ambos mantenham assinaturas, serviços ou despesas semelhantes sem necessidade, aumentando os custos mensais sem que percebam.
Além disso, quando cada parceiro possui expectativas diferentes para o presente e para o futuro, surgem conflitos relacionados às prioridades financeiras.
“É importante ambos serem sinceros com seus planos para o agora e para o futuro e alinharem as expectativas. Quando existe clareza sobre os objetivos, as decisões financeiras passam a fazer mais sentido para os dois”, destaca.
Transformando dinheiro em ferramenta para realizar sonhos
Embora o tema ainda seja considerado delicado para muitas pessoas, a especialista defende que falar sobre dinheiro pode se tornar um hábito positivo e até motivador.
“Quando o dinheiro vira um instrumento para realizar sonhos juntos, a conversa deixa de ser chata e vira motivadora. Por isso, conversem sobre dinheiro pelo menos uma vez por mês, coloquem como um compromisso na agenda. Não é para brigar, é para comemorar as pequenas conquistas e continuar planejando”, orienta Martins.
Ela recomenda que o casal escolha uma ferramenta de controle financeiro que funcione para ambos, seja uma planilha, aplicativo ou planner. O importante é conseguir visualizar de forma clara quanto dinheiro entra e para onde ele está sendo direcionado.
Outra estratégia é estabelecer metas compartilhadas em diferentes horizontes de tempo:
Curto prazo: viagens, lazer e experiências;
Médio prazo: aquisição de veículo, reformas ou mudanças de residência;
Longo prazo: aposentadoria, educação dos filhos e independência financeira.
“Estudar sobre juros compostos e conhecer opções de investimentos também ajuda o casal a construir patrimônio de forma mais eficiente ao longo dos anos”, acrescenta.
Conta conjunta ou separada? Especialista explica qual modelo funciona melhor
Uma dúvida comum entre casais diz respeito à administração das contas bancárias. Afinal, é melhor manter tudo separado ou centralizar as finanças?
De acordo com a especialista, não existe uma fórmula única. “Não existe modelo certo ou errado. O mais importante é que a escolha esteja alinhada ao perfil, à rotina e aos objetivos do casal.”
Ela explica que contas totalmente separadas costumam funcionar bem para quem valoriza autonomia financeira, mas podem dificultar a visualização do patrimônio construído em conjunto. Já a conta conjunta oferece maior integração, embora possa gerar conflitos quando os hábitos de consumo são muito diferentes.
Por isso, o modelo híbrido tem ganhado espaço entre especialistas e casais. “O modelo híbrido costuma ser o mais recomendado porque une organização e autonomia. Uma conta pode ser destinada às despesas da casa e às metas compartilhadas, enquanto cada pessoa mantém sua conta individual para gastos pessoais”, ressalta.
Construindo o futuro juntos
Mais do que controlar gastos ou dividir contas, o planejamento financeiro a dois representa uma ferramenta para fortalecer a parceria e construir objetivos em comum.
Em um momento em que o Dia dos Namorados convida casais a refletirem sobre o futuro, a especialista reforça que falar sobre dinheiro é também uma forma de demonstrar confiança, compromisso e responsabilidade.
“Planejar finanças a dois não é sobre controlar o outro. É sobre alinhar sonhos. Quando o casal aprende a falar sobre dinheiro, está, na verdade, desenhando o futuro que quer construir junto”, conclui Maria Clara Martins.
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