MATO GROSSO
Sinfra-MT garante para Botelho que asfalto reinicia em outubro
MATO GROSSO
Moradores da região do Aguaçu e da Ponte de Ferro cobram a retomada da pavimentação das rodovias MT-30 e MT-402, alegando que buracos e poeira causam inúmeros transtornos a quem trafega por essas vias da baixada cuiabana. Em busca de solução, o presidente da Assembleia Legislativa (ALMT), deputado Eduardo Botelho, reuniu-se com o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), Marcelo Oliveira, acompanhado de 25 líderes comunitários. Na ocasião, o gestor da pasta confirmou a Botelho que as empreiteiras licitadas retomarão as obras já em outubro.
“Nós sabemos de todas as dificuldades dos pequenos produtores e demais moradores da região. Infelizmente, as empresas abandonaram as obras. Quando isso ocorre, todo processo licitatório tem que ser refeito, e isso, leva tempo. Temos que ter paciência e confiar na informação do secretário Marcelo. Ele nos afirmou que as rodovias serão licitadas novamente, no próximo mês de agosto. E as ordens de serviço serão dadas em outubro”, explicou Botelho, comprometendo-se a acompanhar de perto cada etapa dessa demanda.
Segundo o secretário da Sinfra-MT, Marcelo Oliveira, o atraso das obras na MT-30 e MT-402, deu-se porque as empresas que ganharam as duas licitações tanto do acesso ao Aguaçu quanto da primeira etapa do Coxipó do Ouro, não concluíram o trabalho. “Tivemos que refazer alguns trechos dos projetos, que serão entregues no final de julho”. Além disso, reforçou que o município de Cuiabá recebe 60% do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), a ser utilizado na manutenção das estradas estaduais, sem asfalto.
Após o recesso do Legislativo Estadual, o deputado disse que irá marcar com o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, e o secretário municipal de Obras, José Roberto Stopa para solicitar urgência na manutenção das rodovias da região do Aguaçu e da Ponte de Ferro. “Precisamos fazer o patrulhamento e cascalhamento para esperar o asfalto chegar”, ressalta Botelho.
O presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Aguaçu, Derli Primo, conta que moradores de 27 comunidades rurais do distrito aguardam ansiosos pela pavimentação da MT-402. “A empreiteira Unidas começou a obra em março, e em dezembro de 2022, abandonou os trabalhos sem dar retorno. Mas estamos felizes que em agosto vão recomeçar o asfalto. É o fim da poeira e dos buracos por aqui”, aguarda Primo.
Participaram da reunião na Sinfra-MT (6 de julho): Presidente da Central das Associações Rurais de Cuiabá (CAR), Thiago Pedroso e representantes das comunidades Coxipó do Ouro, Arraial dos Freitas, São Jerônimo, Recanto Tranquilo, Recanto dos Bandeirantes, Ponte de Ferro, Rio dos Médicos, Flor da Mata, Terra Santa, Jurumirim e do distrito do Aguaçu.
Mais emendas para baixada cuiabana – Botelho, em 2021, destinou emenda no valor de R$ 2 milhões, para ajudar na pavimentação de 20 quilômetros da MT-400, conhecida como Estrada da Guia, beneficiando moradores de Nossa Senhora da Guia, Bandeira e Sucuri, em Cuiabá.
EDUARDO BOTELHO
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.