POLITÍCA NACIONAL
Anatel trabalha com operadoras de telefonia para evitar pane em São Paulo
POLITÍCA NACIONAL
O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Carlos Manuel Baigorri, afirmou nesta quarta-feira (08) que a agência trabalha junto às operadoras de telefonia para evitar uma pane generalizada no sistema de telecomunicações, em São Paulo, cinco dias após o temporal no estado. “Nós temos algo em trono de 51 municípios em São Paulo com algum tipo de afetação, mas não há um caladão generalizado”, assegurou.
Baigorri participou de audiência pública na Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados e reconheceu que a falta de energia elétrica pode prejudicar o fornecimento dos serviços no estado. “O setor de telecomunicações usa equipamentos que dependem de energia, como as torres, e muitos param de funcionar”, complementou.
Segundo o presidente, a Anatel monitora o uso de baterias e geradores pelas empresas de telefonia em situações de crise, para que não ocorra a interrupção do fornecimento do serviço. Ele explicou, entretanto, que após cinco dias sem energia elétrica, é possível que grande parte dessa reserva chegue ao fim.
Revisão de leis
Durante a audiência, cujo objetivo era discutir o planejamento estratégico da agência para o quinquênio 2023-2027, Baigorri defendeu a reforma das leis do setor.
Ele criticou, por exemplo, a assimetria entre os clássicos meios de comunicação (rádio e TV) e os novos (streaming e mídias sociais). “A gente tem um setor de radiodifusão com uma série de obrigações, como restrições sobre publicidade e obrigações de responsabilidade editorial, e por outro lado, a gente vê diversas mídias onde não há qualquer tipo de restrição e total ausência de um sistema de responsabilização”, disse.
Ele informou que a Anatel, junto com o Ministério de Comunicações e a Universidade de Brasília (UnB) estão articulados para apresentar no primeiro semestre de 2025 uma proposta para reformular a Lei Geral de Telecomunicações, entre outros marcos legais.
O deputado Amaro Neto (Republicanos-ES), que solicitou a audiência, também apoiou a modernização legislativa. “Para que a radiodifusão e o serviço de TV a cabo não fiquem tão presos e que as novas mídias possam ser taxadas ou cumprir algumas determinações como as outras”, justificou o parlamentar.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
GERAL
Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.
O que é essa tarifa e como funciona?
A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.
Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.
Exemplo simples:
Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:
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Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.
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Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.
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Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.
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Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.
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Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.
Como isso afeta o Brasil?
A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:
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Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
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Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.
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Perda de mercado para concorrentes de outros países.
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Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).
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Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.
Quais produtos serão mais afetados?
A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:
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Carnes bovina, suína e de frango
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Café
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Suco de laranja
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Soja e derivados
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Minério de ferro e aço
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Aeronaves e peças da Embraer
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Cosméticos e produtos farmacêuticos
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Celulose, madeira e papel
Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.
E o consumidor brasileiro, será afetado?
Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.
O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).
A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.
O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.