Search
Close this search box.
CUIABÁ

POLITÍCA NACIONAL

Atingidos no desastre de Mariana querem novo governo em repactuação do acordo com mineradora

Publicados

POLITÍCA NACIONAL

Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Processo de repactuação do acordo de Mariana. Procurador da Republica Ministerio Publico Federal, Dr. Carlos Bruno, dep. Helder Salomão (PT – ES), dep. Rogério Correia (PT - MG), promotora de Justiça - ES, Dra. Claudia Garcia e conselho Nacional de Justiça, Dr. Luiz Fernando Bandeira de Mello
Comissão vai levar proposta ao grupo de transição do novo governo

Entidades que representam os atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, na cidade de Mariana, em Minas Gerais, defenderam nesta terça-feira (6), em audiência pública na Câmara dos Deputados, que a repactuação do acordo firmado entre mineradoras e vítimas seja concluída apenas no próximo governo.

O rompimento da barragem das mineradoras Samarco, Vale e BHP Billington, ocorrido em 5 de novembro de 2015, deixou 19 mortos, destruiu povoados inteiros em Mariana e espalhou lama com rejeitos de minério de ferro ao longo do rio Doce, entre Minas Gerais e Espírito Santo.

Representando a coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Joceli Andreoli demonstrou preocupação com o fechamento do acordo nos últimos meses do atual governo e disse que o País não está preparado para lidar com esse tipo de situação.

“O Estado brasileiro está despreparado para lidar com o maior crime ambiental do planeta. Se o novo governo não estiver participando desse acordo e formulando estruturalmente o Estado brasileiro, inclusive para garantir a participação dos atingidos, esse acordo será falido”, disse.

Andreoli, que foi ouvido pela comissão externa da Câmara que acompanha os desdobramentos do desastre, sugeriu que o colegiado assine em conjunto com as entidades um ofício à equipe de transição pedindo que as tratativas da repactuação sejam concluídas após a posse do novo presidente da República. Ele disse ainda que o MAB já encaminhou ofício com o mesmo objetivo às instituições da Justiça envolvidas no acordo.

Coordenador da comissão externa, o deputado Rogério Correia (PT-MG), que propôs o debate juntamente com o relator do colegiado, deputado Helder Salomão (PT-ES), concordou com a ideia de levar o tema ao conhecimento da equipe de transição.

“Vamos encaminhar uma carta à comissão de transição solicitando que eles se apressem para ter acesso aos dados e peguem para si a responsabilidade da assinatura do novo acordo, agilizando o processo de debate e discussão com os atingidos e com todos os atores envolvidos”, disse.

Leia Também:  Congresso reúne-se nesta quarta para votar vetos e créditos extras

Em junho, a comissão externa aprovou o relatório de Salomão com 84 recomendações ao processo de repactuação do acordo de Mariana. Entre as recomendações está uma maior participação dos atingidos nas decisões e a destinação de parte dos recursos diretamente para eles, e não só a estados e municípios.

“O grito de socorro é de quem continua na luta e tem esperança de que haverá um processo de repactuação minimamente justo para reparar danos econômicos, ambientais, sociais e para a reparação direta atingidos”, observou Salomão.

Apesar do esforço do colegiado, Correia disse que a repactuação envolve apenas os atingidos, a Samarco, os governos estaduais e federal e representantes do Supremo Tribunal Federal (STF), dos ministérios públicos dos estados e federal e da defensoria pública.

Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Processo de repactuação do acordo de Mariana. Conselho Nacional de Justiça, Dr. Luiz Fernando Bandeira de Mello
Bandeira de Mello: “Potencial para ser o maior acordo ambiental do planeta”

Criação de fundos
Luiz Fernando Bandeira de Mello, que representou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na reunião, defendeu os termos do acordo, segundo ele, construído ao longo de 18 meses e após 10 audiências públicas e visitas a 10 municípios atingidos. Mello reconheceu, no entanto, que, passados quase sete anos, o relato das pessoas ainda é dramático.

“Chegamos a sete anos e ainda não temos pessoas morando nos reassentamentos, ainda não temos a situação resolvida para quem depende da pesca, e não temos ainda o rio recuperado, aliás, demorará muitos anos para o rio voltar a situação normal”, disse.

Ressaltando que não poderia dar detalhes sobre os termos do acordo para não comprometer as tratativas, Mello afirmou que o documento tem “potencial para ser o maior acordo ambiental do planeta”.

“Os recursos desse acordo vão ser distribuídos de forma que 22% vão diretamente para os atingidos. Estamos falando do maior programa de orçamento participativo que já se viu na história desse País, em valor superior a R$ 4 bilhões. Além disso, haverá um programa de transferência de renda, associado a programas de capacitação e de gestão para que os próprios atingidos possam decidir onde aplicar os recursos”, informou.

Leia Também:  Deputados aprovam proposta que atualiza o Código Penal Militar

O representante do CNJ revelou ainda que o acordo prevê a criação de 4 fundos: um para a área da saúde, um para conter os efeitos de enchentes, um fundo ambiental para saneamento básico, com cerca de R$ 10 bilhões, e o fundo Rio Doce, para incentivar a economia verde na região. Segundo ele, 65% dos recursos serão geridos pela União e pelos estados.

Críticas ao acordo
Wellington Azevedo, do Fórum Permanente em Defesa da Bacia do Rio Doce, e Rodrigo Pires Vieira, secretário executivo da Cáritas Regional Minas Gerais, defenderam a tese da carta ao governo de transição. “Um acordo fechado, na surdina, faltando dias para terminar esse governo, para nós não tem credibilidade”, disse Azevedo.

O deputado Padre João (PT-MG) aproveitou o debate para lamentar a não responsabilização criminal dos culpados e criticou a incapacidade do Estado de identificar todos os efetivamente atingidos pelo desastre. “Sete anos sem sequer a gente ter condições de identificar todos os atingidos”, observou.

Representando o Ministério Público Federal, o procurador da República Carlos Bruno reconheceu que possivelmente o processo criminal no caso do Rio Doce prescreverá sem punições.

“No caso do rio Doce, os crimes ambientais vão prescrever, não haverá punição dos crimes ambientais por causa de prescrição, porque o sistema legal como um todo não se preparou para enfrentar grandes tragédias, que deveriam ser prioridade dentro do sistema judicial”, disse.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados Federais

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

GERAL

Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil

Publicados

em

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.

A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.

O que é essa tarifa e como funciona?

A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.

Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.

Exemplo simples: 

Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:

  • Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.

  • Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.

  • Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.

  • Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.

  • Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.

Leia Também:  Projeto suspende regra sobre análise de capacidade de pagamento de entes federativos

 

Como isso afeta o Brasil?

A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:

  • Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

  • Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.

  • Perda de mercado para concorrentes de outros países.

  • Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).

  • Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.

 

Quais produtos serão mais afetados?

A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:

  • Carnes bovina, suína e de frango

  • Café

  • Suco de laranja

  • Soja e derivados

  • Minério de ferro e aço

  • Aeronaves e peças da Embraer

  • Cosméticos e produtos farmacêuticos

  • Celulose, madeira e papel

Brasil pode retaliar?

O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.

Leia Também:  Relatório da MP com nova estrutura dos ministérios será analisado nesta terça

E o consumidor brasileiro, será afetado?

Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.

O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).

A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.

O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

VÁRZEA GRANDE

MATO GROSSO

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA