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Coordenador do grupo de trabalho da reforma tributária sinaliza com alíquotas diferenciadas do novo IBS

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O coordenador do grupo de trabalho da reforma tributária (PEC 45/19, da Câmara; e PEC 110/19, do Senado), deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), disse que será mais fácil aprovar no Congresso Nacional a possibilidade de alíquotas diferenciadas para o novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e, em lei complementar, apontar um caminho para uma alíquota única no futuro. Ele disse, porém, que os próprios setores que reclamam da alíquota única não têm certeza sobre o que realmente estão pagando de imposto no modelo atual:

“Então nós precisamos conhecer melhor, detalhar melhor esses números para que a gente possa fazer essa convergência. Como o cidadão comum não sabe o que está pagando, os setores também imaginam que estão pagando menos do que de fato estão pagando”, disse.

Em audiência pública, representantes do setor de Serviços defenderam a adoção de alíquotas diferenciadas. Eles afirmaram que apenas com a unificação dos tributos federais em uma alíquota única, o custo do setor aumentaria mais de 84%.

A reforma pretende unificar IPI, PIS, Cofins, o ICMS estadual e o ISS municipal em uma alíquota única de IBS, o novo imposto sobre consumo, em torno de 25%.

Fábio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), disse que a entidade trabalhou com uma proposta de unificar apenas PIS e Cofins, o que aumentaria a tributação do setor de 3,65% para 12%. Segundo ele, o setor de Serviços teria seu pagamento de impostos elevado de R$ 65,6 bilhões para R$ 120,7 bilhões.

Isso ocorreria, de acordo com Fábio, porque o IBS tem uma alíquota alta por ser não cumulativo. Ou seja, na produção de um carro, o industrial pode ter créditos de todos os impostos pagos nas fases anteriores como matérias-primas e autopeças. Como o setor de Serviços tem poucos créditos a compensar, porque é mais concentrado em mão-de-obra, poderia ter que pagar mais.

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Segundo Fábio, o setor de transporte aéreo, que tem mais créditos, teria aumento de custos de 11,2%. Já o setor de terceirização de mão-de-obra, pagaria mais 188,5%. No caso do setor de alimentação, o custo subiria 37,3%.

Gilberto Alvarenga, consultor tributário da CNC, disse que os serviços na área de alimentação teriam perdas altas porque a ideia é eliminar a desoneração de produtos da cesta básica e devolver imposto apenas para os mais pobres:

“Um restaurante popular que hoje compra arroz e feijão com alíquota de zero a 7%, amanhã vai comprar a 25%. O restaurante não tem direito a cashback. E nem deveria ter, não é essa a proposta. Mas ele vai ter uma oneração, um aumento de custo e vai repassar esse custo à pessoa que adquire, que é de baixa renda, de repente um trabalhador”, observou.

Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Reforma Tributária sob a Perspectiva Setorial. Secretário Estadual de Projetos e Ações Estratégicas de São Paulo, Rodrigo Maia
Rodrigo Maia defendeu alíquota única para o IBS

Exemplos
O ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, hoje presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras, disse que a maior parte dos novos impostos sobre valor agregado, como o IBS, criados pelo mundo são de alíquota única. Segundo ele, o fato de o Simples Nacional ficar fora do novo sistema deve minimizar os impactos calculados pelo setor de Serviços:

“Inventaram que academia de ginástica ia pagar 200% a mais e aí eu pedi para fazer a simulação na Bodytech, no Rio. Ela vai pagar R$ 13 milhões a menos de imposto. Há distorções no sistema, que hoje beneficiam alguns e prejudicam outros. Talvez seja justo reequilibrar, como opinião de ex-deputado que fui. Mas acho que exemplos podem desmontar muitas teses que muitas vezes são de boa fé, mas são distorcidas”, disse.

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Para Marcos Barbosa, secretário especial de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, quem vai pagar o imposto é o consumidor e seria importante que ele fosse único:

“Ao longo dos anos a gente foi fazendo diferenciações e cada uma delas tinha uma razão meritória. Tinha um benefício a ser dado, um ganho. E a gente acabou criando uma série de bens locais, mas o resultado final foi um mal-estar global”, afirmou.

Setor financeiro
Em relação ao setor financeiro, Rodrigo Maia sugeriu que, como em vários países do mundo, o setor fique fora do IBS, mas que tenha suas alíquotas de IOF recalibradas para cima por causa do fim do PIS e da Cofins. Marcos Barbosa disse que a solução pode ser alguma tributação não cumulativa sobre tarifas bancárias com a possibilidade de as empresas que usam o setor conseguirem recuperar parte dos impostos embutidos nos produtos financeiros.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil disse que em 2009 o país começou a mudar seu perfil de exportações. Naquele ano, 40,8% das receitas era de produtos básicos e 43,62%, de manufaturados. A relação se inverteu e, em 2022, 57,07% das receitas era de básicos e 29,66%, de manufaturados. O IBS, segundo ele, ao reduzir custos industriais, pode modificar de novo essa relação. Ele afirmou que cada US$ 1 bilhão exportados representa 30 mil empregos.

Reportagem – Sílvia Mugnatto
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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GERAL

Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.

A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.

O que é essa tarifa e como funciona?

A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.

Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.

Exemplo simples: 

Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:

  • Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.

  • Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.

  • Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.

  • Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.

  • Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.

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Como isso afeta o Brasil?

A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:

  • Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

  • Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.

  • Perda de mercado para concorrentes de outros países.

  • Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).

  • Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.

 

Quais produtos serão mais afetados?

A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:

  • Carnes bovina, suína e de frango

  • Café

  • Suco de laranja

  • Soja e derivados

  • Minério de ferro e aço

  • Aeronaves e peças da Embraer

  • Cosméticos e produtos farmacêuticos

  • Celulose, madeira e papel

Brasil pode retaliar?

O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.

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E o consumidor brasileiro, será afetado?

Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.

O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).

A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.

O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.

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