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POLITÍCA NACIONAL

Para Fiocruz, falta transparência na divulgação de informações sobre agrotóxicos

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POLITÍCA NACIONAL

Elaine Menke/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Uso de agrotóxicos . Dep. Padre João PT - MG
Padre João destacou os elevados custos de produção com o uso de agrotóxicos

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados ouviu posições divergentes quanto ao uso de agrotóxicos no Brasil. Em audiência pública, nesta quarta-feira (11), para debater o impacto desses produtos na saúde da população, governo e empresas garantiram que estão dentro dos limites estabelecidos por lei, mas especialistas discordaram.

A representante do Ministério da Agricultura, Uellen Colatto, afirmou que a produção agrícola no Brasil atua de acordo com parâmetros do Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes. “Os dados de monitoramento do ministério demonstram que os produtos vegetais coletados e analisados têm um alto grau de conformidade”, disse.

Mas, para o representante da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Luis Carlos Meirelles, os dados do ministério são questionáveis, uma vez que não há transparência na divulgação dos mesmos. “A gente tem visto que houve uma erosão naquelas estratégias que o Brasil vinha adotando de reavaliação dos agrotóxicos, de monitoramento de resíduos em alimentos e água, vigilância da saúde de populações expostas. Todos esses programas sofreram enfraquecimento. E se a gente olhar também a fiscalização dos agrotóxicos, não encontra informação”, criticou.

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Segundo Luis Carlos, o Brasil precisa investir em tecnologias agrícolas que diminuam o uso de agrotóxicos para seguir as orientações do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Enquanto isso não acontece, ele cobra das autoridades reforço na fiscalização e no controle do uso desses produtos para evitar danos à saúde da população.

Pulverização
O representante da comunidade quilombola de Saco Barreiro, Wilton de Almeida, denunciou que a pulverização aérea de agrotóxicos está inviabilizando a vida das 17 famílias que ainda residem na região atualmente cercada por plantações de cana-de-açúcar da empresa Agropéu, no município de Pompéu, em Minas Gerais.

Já o representante da empresa na audiência, Jadir Oliveira, garantiu que as operações com agrotóxicos seguem as melhores regras de manejo da produção. Ele também informou que medidas de proteção dos quilombolas já estão sendo tomadas como a plantação de uma cortina verde que deve ser iniciada em duas semanas.

Já a procuradora federal Ana Paula Medeiros alertou para o fato de que, mesmo seguindo todas as orientações, a pulverização realizada por aviões tem um grau de impacto que varia de acordo com as condições climáticas. “Um estudo da Embrapa mostra que mesmo com equipamentos adequados e condições ambientais adequadas, o que não ocorre sempre, a deriva na aplicação aérea de agrotóxicos chega a 19% do volume pulverizado. Além disso, esses estudos demonstram que essa deriva chega a dezenas de quilômetros do alvo”, destacou.

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Custo
O deputado Padre João (PT-MG), que sugeriu a audiência sobre o assunto, destacou o absurdo que está sendo praticado no campo com o aumento de 109% nos registros de agrotóxicos no Brasil. “Já que o pessoal do agronegócio talvez não consiga ter essa sensibilidade para perceber as mortes que estão acontecendo, as doenças, eles poderiam iniciar a reflexão pelo bolso, pelo custo de produção. 686.349 toneladas de agrotóxicos comercializadas em 2020. Olha o custo que é a produção”, criticou.

Reportagem – Karla Alessandra
Edição – Geórgia Moraes

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GERAL

Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.

A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.

O que é essa tarifa e como funciona?

A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.

Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.

Exemplo simples: 

Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:

  • Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.

  • Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.

  • Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.

  • Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.

  • Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.

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Como isso afeta o Brasil?

A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:

  • Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

  • Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.

  • Perda de mercado para concorrentes de outros países.

  • Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).

  • Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.

 

Quais produtos serão mais afetados?

A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:

  • Carnes bovina, suína e de frango

  • Café

  • Suco de laranja

  • Soja e derivados

  • Minério de ferro e aço

  • Aeronaves e peças da Embraer

  • Cosméticos e produtos farmacêuticos

  • Celulose, madeira e papel

Brasil pode retaliar?

O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.

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E o consumidor brasileiro, será afetado?

Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.

O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).

A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.

O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.

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