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Presidente da Funai defende orçamento maior para fundação de apoio a povos indígenas

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A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, pediu aos parlamentares a aprovação de um orçamento maior para o órgão no próximo ano, a fim de que a fundação possa atuar melhor na proteção dos indígenas Yanomami e dos povos indígenas do Brasil em geral.

“Em 2023, a Funai teve um orçamento discricionário de apenas R$ 225 milhões para atender o Brasil todo, o ano todo. Este ano, aumentou para R$ 289 milhões. Se não fosse o crédito extraordinário de R$ 245,6 milhões que veio, seria pouco”, lamentou Joenia Wapichana. “Eu coloco a situação para a Câmara, para que estabeleça condições para que a gente tenha o orçamento necessário e adequado para a gente dar respostas.”

Joenia Wapichana participou, nesta terça-feira (18), de audiência pública na comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha a investigação da crise humanitária dos Yanomami nos estados de Roraima e do Amazonas.

Coordenadora do colegiado, a deputada Coronel Fernanda (PL-MT), que solicitou o debate, questionou a criação recente do Ministério dos Povos Indígenas diante da falta de recursos na Funai, órgão criado em 1967.

“Hoje foi declarado que a Funai não tem recurso suficiente para exercer sua função. Mesmo assim, o governo criou um ministério. Seria necessário fundir o ministério e a Funai em um único órgão?”, ponderou a parlamentar.

Por outro lado, Coronel Fernanda convidou Joenia Wapichana para fazer parte da comissão e se juntar aos parlamentares em futura visita à região. A presidente da Funai informou que a fundação providenciará tudo o que for necessário para a visita.

Os Yanomami têm enfrentado problemas como a invasão de garimpeiros ilegais em seu território, o que resulta em conflitos, destruição do meio ambiente, disseminação de doenças e desnutrição da população. Nos quase 10 milhões de hectares do território homologado em 1992, vivem cerca de 27 mil indígenas distribuídos em aproximadamente 300 aldeias.

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Ações
Na reunião, Joenia Wapichana detalhou ações que a Funai vem empreendendo no território em conjunto com outros órgãos do governo, como o Ministério da Saúde e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Depois de reconhecer a crise humanitária e declarar emergência em saúde pública na região, no início de 2023, o governo passou a trabalhar em quase 200 ações, com a participação de 18 órgãos atuando. O princípio que guia os programas é a escuta do povo Yanomami.

Para reverter a insegurança alimentar, a Funai vem distribuindo cestas básicas compradas pela Conab. No ano passado foram 59 mil cestas. Outras 34,8 mil foram entregues até 13 de junho deste ano.

A Funai trabalha ainda com a ideia de transição, para que os indígenas voltem a cultivar suas roças. Por isso, também tem entregado ferramentas agrícolas e de casas de farinha.

“Há entrega de sementes, para respeitar a alimentação dos povos indígenas. Milho, feijão, batata, maniva pra plantar mandioca para fazer beiju e farinha. Algumas comunidades já puderam refazer suas roças. Outras não por conta do garimpo, que não deixou continuar a plantação”, observou Joenia.

Ela acrescentou que os Yanomami querem documentos, escola, mas com respeito à forma como se organizam. “Eles querem dormir em paz sem ser ameaçados, sem comer peixe contaminado com mercúrio.”

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Mortes
Crítico ao governo, o deputado José Medeiros (PL-MT) apontou que as mortes no território Yanomami aumentaram no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Conforme noticiado pela imprensa, passaram de 343 em 2022 para 363 em 2023, um aumento de quase 6%.

Na via oposta, a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) mencionou um apagão de dados no governo anterior, de Jair Bolsonaro, coincidindo com a época da pandemia, o que impediria de fazer uma comparação adequada.

José Medeiros quis saber também “por que o governo com seu discurso combativo ainda não acabou com a mineração que já existia na primeira gestão de Lula”.

Segundo Joenia Wapichana, o governo está se esforçando para reverter um quadro grave, e a mudança não ocorrerá de um dia para o outro. Segundo a Funai, há estratégias para o garimpo permanecer.

Recomposição
Joenia Wapichana defendeu ainda a recomposição da Funai, um órgão que atua em torno de 14% do território brasileiro, conforme a distribuição das terras indígenas onde vivem 1,7 milhão pessoas, mas tem apenas 1.325 servidores.

“Pedimos ao presidente Lula que realizasse concurso público. Fomos autorizados para 502 novas vagas. A prova vai ser realizada em agosto. Ao mesmo tempo em que vão abrir vagas, na minha mesa tenho 500 pedidos de aposentadoria compulsória. Vamos precisar de concursos que possibilitem acompanhar todas essas ações”, disse a presidente da Funai.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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GERAL

Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.

A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.

O que é essa tarifa e como funciona?

A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.

Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.

Exemplo simples: 

Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:

  • Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.

  • Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.

  • Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.

  • Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.

  • Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.

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Como isso afeta o Brasil?

A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:

  • Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

  • Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.

  • Perda de mercado para concorrentes de outros países.

  • Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).

  • Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.

 

Quais produtos serão mais afetados?

A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:

  • Carnes bovina, suína e de frango

  • Café

  • Suco de laranja

  • Soja e derivados

  • Minério de ferro e aço

  • Aeronaves e peças da Embraer

  • Cosméticos e produtos farmacêuticos

  • Celulose, madeira e papel

Brasil pode retaliar?

O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.

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E o consumidor brasileiro, será afetado?

Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.

O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).

A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.

O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.

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