POLITÍCA NACIONAL
Relator apresentará nova versão para a regulamentação do lobby
POLITÍCA NACIONAL
O deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE) informou nesta terça-feira (28) que apresentará substitutivo a uma proposta do Poder Executivo que trata do lobby junto ao poder público, incluindo administração indireta e estatais. “Não se trata de um projeto de governo, nem de posição, mais sim do País”, afirmou.
Coutinho é relator do Projeto de Lei 4391/21, que estabelece, a partir da visão do atual governo, normas para representação privada de interesses junto a agentes públicos. Por sugestão do relator, foi analisado em audiência pública na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados.
Com a proposta, a ideia do governo é “permitir maior efetividade na repressão às condutas reprováveis”, como forma de contribuir para a aceitação do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A entidade que reúne as nações mais ricas do mundo exige a adoção de regras para o lobby.

Os debatedores afirmaram na Comissão de Trabalho que normas são necessárias para assegurar transparência e isonomia no relacionamento dos diversos atores com o poder público, com o Executivo e com o Legislativo. Mas o PL 4391/21, da forma como está, recebeu apoio apenas dos representantes do governo.
O diretor da Controladoria-Geral da União (CGU) Marcio Gonçalves defendeu a versão original do Executivo. “Hoje temos total certeza de que o PL 4391/21 atende aos dez princípios da OCDE para integridade e transparência do lobby”, afirmou. Só Natasha Miranda, do Ministério da Economia, concordou com ele.
Segundo Marcio Gonçalves, ainda que o debate esteja em curso no Congresso, o governo Bolsonaro já se antecipou quanto à regulamentação do tema. O Decreto 10.889/21, explicou o diretor da CGU, tornou obrigatória a divulgação de agendas dos agentes públicos e dos compromissos com representantes do setor privado.
Críticas
O consultor do Senado Luiz Alberto dos Santos, representando o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), afirmou que o texto do Executivo é insuficiente. Segundo ele, o relator Augusto Coutinho deveria levar em conta os quase 38 anos de discussões e análises sobre o tema no Congresso Nacional.
A proposta do Executivo tem caráter nacional, escopo mais amplo do que outras iniciativas anteriores. Além da União, o PL 3191/21 abrange todos os entes federativos, consórcios, autarquias, fundações e estatais.
Tramita em conjunto o Projeto de Lei 1535/22, do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), que busca resumir discussões ocorridas no Legislativo. “A lei do lobby não é panaceia, mas suprirá lacuna essencial”, afirmou ele. Para Zarattini, é necessário diferenciar os profissionais daqueles que incorrem em práticas delituosas.
Augusto Coutinho disse que considerará, além do principal e o apensado, o PL 1202/07, também de Zarattini e pronto para o Plenário. Um substitutivo de 2018 foi analisado pela CGU na época. “A gente tem como harmonizar os projetos, acho que essa será a solução para que possamos avançar”, comentou o relator.
Emendas
No debate, representantes da Rede de Advocacy Colaborativo (RAC) defenderam mudanças na proposta do Executivo, com 11 emendas do deputado Felipe Rigoni (União-ES). A RAC informa reunir diferentes organizações com o propósito de conectar interesses difusos e coletivos da sociedade civil com o Congresso.
Uma das emendas trata de definições presentes no texto. “O lobby acontece de diversas maneiras, mandando e-mail, fazendo campanha em redes sociais. Se o objetivo disso é influenciar os tomadores de decisão, então deve ser considerado lobby”, afirmou a consultora Andréa Gozetto, uma das integrantes da RAC.
A Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig) e o Instituto de Relações Governamentais (Irelgov), que atuam no setor, defenderam regras para o lobby. As grandes confederações patronais também são favoráveis, mas com ressalvas caso as normas resultem em burocratização da atividade.
Após acompanhar toda a reunião desta terça, os deputados Adriana Ventura (Novo-SP), presidente da Frente Parlamentar Mista Ética Contra a Corrupção, e Lafayette de Andrada (Republicanos-MG) defenderam regras para o lobby.
“Cada decisão que é tomada tem repercussão fortíssima na sociedade. Quando afeta algum ramo da atividade econômica ou nicho específico, eles precisam ser escutados, e é disso que trata o lobby”, afirmou Andrada. “São as pessoas que são impactadas trazendo a sua visão, não há nada de não republicano nisso.”
Reportagem – Ralph Machado
Edição – Ana Chalub
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
GERAL
Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.
O que é essa tarifa e como funciona?
A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.
Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.
Exemplo simples:
Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:
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Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.
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Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.
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Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.
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Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.
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Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.
Como isso afeta o Brasil?
A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:
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Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
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Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.
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Perda de mercado para concorrentes de outros países.
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Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).
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Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.
Quais produtos serão mais afetados?
A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:
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Carnes bovina, suína e de frango
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Café
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Suco de laranja
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Soja e derivados
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Minério de ferro e aço
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Aeronaves e peças da Embraer
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Cosméticos e produtos farmacêuticos
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Celulose, madeira e papel
Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.
E o consumidor brasileiro, será afetado?
Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.
O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).
A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.
O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.
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